Homofobia Basta!

Ser Cristão e Homossexual parte I

Com respeito as outras pessoas de outras religiões ou sem as, que visitam meu blog diariamente vejo que é preciso escrever um página sobre isso. Por alguns motivos básicos, ser cristão e gay não é nada fácil, ser gay na sociedade já não é fácil, com o agravante “cristão” mais ainda. Isso, porque as igrejas se baseiam em versículos isolados para condenar homossexuais, mas nesta página pretendo esclarecer todas as dúvidas possíveis, então vamos ao trabalho  .

Tomemos em nota que não usaremos aqui as versões bíblicas NVI e NIV por seres explicitamente adulteradas! Vejam isso no post “Silas Malafaia Vende Bíblia Satânica traduzida por lésbica”.

Vou pegar emprestado aqui o texto postado pela Comunidade Betel( O que eu acho um dos melhores tirando o livro do Pe. Daniel A. Helminiak – “O que a Bíblia Realmente diz sobre a homossexualidade” que pode ser compradoclicando aqui  , no final, segue todos os créditos.”

HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA
(Apostila I)
Revda Yvette Dube
(Tradução livre de José Luiz V. Silva) *

Introdução

Nestas páginas vamos tentar rever todas as passagens bíblicas relevantes que são conhecidas por supostamente condenar a homossexualidade. Nós tentaremos identificar as bases históricas da homofobia. Vamos dar uma rápida olhada nos problemas encontrados pelos pesquisadores ao interpretar o que os autores originais quiseram nos dizer a respeito de Deus e dos seus desígnios e desejos para as pessoas homossexuais. Começaremos por perguntar e responder algumas questões.
A Bíblia condena a homossexualidade? Se você cresceu na tradição judaico-cristã, é bastante provável que você tenha aprendido que a resposta para esta questão seja sim. Entretanto, nós vamos juntos explorar a Bíblia e descobrir que não só não há nenhum tipo de condenação à homossexualidade como é conhecida nos dias atuais, mas também iremos descobrir que a Bíblia contém muitas passagens que são afirmações positivas de amor, compaixão e heroísmo em relação aos homossexuais.
Como surgiu a idéia de condenação da homossexualidade? Philo de Alexandria, que foi um importante pesquisador do Judaísmo, e que viveu entre 20 AC ate 50 DC teve uma grande influência na interpretação bíblica. Em relação à sexualidade ele ensinou que uma das funções primárias de todo homem era a procriação e que toda e qualquer expressão sexual que não produzisse descendência legítima era “antinatural”. Em um contexto onde a violência de vizinhos contra vizinhos era muito comum e onde o tamanho de sua família (principalmente os filhos e suas famílias) garantiria proteção, onde a única segurança e amparo dispensados aos idosos dependeriam de seus filhos e netos, é extremamente fácil de se perceber a importância de se ter uma abundante descendência.
Se a condenação à Homossexualidade é uma idéia da Antiguidade, porque muitas Igrejas ainda a ensinam hoje em dia? Tradição! Tradição foi definida como a homenagem que se presta aos mortos. Baseando seus ensinamentos nos ensinamentos de Philo e de outros, a Igreja tem mantido as suas portas fechadas aos homossexuais durante a maior parte dos últimos dois mil anos. Pior ainda: a história está repleta de relatos de atos lastimáveis e tortura perpetrados contra homossexuais, sem mencionar as execuções. Os pesquisadores heterossexuais não tiveram razão para pesquisar o que a Bíblia diz a respeito da homossexualidade e dos homossexuais. Caso pesquisadores homossexuais tivessem pesquisado este assunto, teriam certamente sido perseguidos e seriam eles mesmos vitima de perseguição e execução. Não se começou nenhuma pesquisa séria a este respeito antes do século XX.
É possível que alguém se pergunte se uma das razões pelas quais a Igreja Católica tem mantido sua postura tendenciosa, parcial e preconceituosa contra os homossexuais, ao longo dos séculos, seria para evitar ser rotulada como uma Igreja “homossexual”, uma vez que não é permitido aos padres e às freiras o casamento.
Quer dizer que a Igreja intencionalmente omitiu informações por que estas iam contra às tradições? Sim, os Pesquisadores têm até um nome para isto: Ciclo Hermenêutico. De uma maneira simplificada vejamos como funciona: Hermenêutica, em primeiro lugar, é a prática da interpretação bíblica. A interpretação de escrituras é sempre necessária porque nem tudo o que um escritor pensa ou experimenta pode ser interpretado literalmente ou no popular “ao pé da letra”. Além disto, palavras podem ter mais de um significado, e em caso de interpretação de escrituras em que foram utilizadas línguas da Antiguidade, dificuldades adicionais certamente surgem.
A Enciclopédia Bíblica Padronizada Internacional (Vol. 2, pp. 864) declara, “O Intérprete tem sempre que conjeturar sobre o significado de um determinado meio de comunicação que ele deseja dominar… deve tentar vários significados diferentes possíveis que determinadas palavras ou frases cruciais podem assumir…até que haja coerência entre estes termos crucias e a idéia geral do texto..” Este processo pode levar dias, semanas, meses ou mesmo anos, desde o seu início até a sua conclusão.. O Ciclo Hermenêutico ocorre quando …”A mente do Intérprete está tão satisfeita e encantada com toda a ”evidência” e “coerência” que a sua própria interpretação consegue retirar do texto, que uma interpretação diferente do mesmo material facilmente desperta uma reação marcada pela ira e pela cólera, ainda que esta interpretação diferente também apresente “coerência” e muitas “evidências” que suportem tal interpretação.
Em outras palavras: Eu trabalhei muito para entender isto, para conceber esta idéia, e buscar evidências que a suportem. Se você tem uma interpretação diferente, eu não quero nem saber, não quero ouvi-la, dizem. Claro que os Pesquisadores resguardam-se quanto à esta prática lamentável, mas em se tratando de uma assunto tão “ameaçador”, tão intimidante e delicado como a homossexualidade, não é muito difícil de se perceber porque esse preconceito ainda persiste nos dias atuais.
Onde começamos? Antes que possamos iniciar um estudo detalhado sobre o que a Bíblia realmente diz ou não à respeito da Homossexualidade, temos que nos deparar com alguns pontos enfrentados por qualquer um que queira desenvolver qualquer tipo de pesquisa séria com base nas Escrituras. Temos que trazer a Bíblia para uma perspectiva mais próxima, tirá-la de dentro da redoma que alguns insistem am colocá-la. Temos que nos debruçar sobre tópicos como “infalibilidade Bíblica”, “contextualização” e “inspiração divina”.
A Infalível Palavra das Escrituras
A infalível Palavra de Deus é uma expressão muitas vezes usada para descrever a Bíblia. Até alguns anos atrás havia um adesivo de pára-choque de carro que dizia: Deus disse isto, creia nisto e se vire com isto. Deplorável adesivo. Mas na verdade conhecer o que Deus disse e o que ele quer ou quis dizer com isto são duas histórias diferentes. Já que não temos os manuscritos originais, na verdade ninguém pode ter certeza absoluta do que realmente eles continham e então ninguém pode ter certeza absoluta do que Deus quis dizer. Para se certificar disto, simplesmente vá a uma livraria e você vai encontrar várias versões da Bíblia, com diferentes traduções. Cada uma destas traduções é o resultado incansável de inúmeros Pesquisadores trabalhando por anos a fio, tentando determinar o que Deus realmente quis dizer. O que nós temos, na verdade, é a interpretação deles do que eles pensam que Deus realmente quis dizer.
Existem vários problemas inerentes à tentativa de se traduzir, com precisão, a Bíblia. Os manuscritos mais antigos que se conhece foram escritos em hebraico e no antigo caldeu. No hebraico antigo não se escreviam as vogais. Alguém teve que determinar quais vogais estavam nas palavras, de acordo com o contexto do que estava escrito. Se você quer saber o quão difícil é perceber tudo o que está escrito sem o uso de vogais, tente simplesmente voltar dois parágrafos, retire as vogais, e veja se você pode entender perfeitamente o que está escrito. Vamos tentar com uma frase: mn snr d s dstn. Se você conseguiu ler: O Homem é Senhor de seu destino, você está de parabéns. Então você já está pronto para o próximo passo. Tome as Escrituras Hebraicas, também conhecidas como o Antigo Testamento, retire todas as vogais, e veja o que você consegue ler e entender. Use uma versão da Bíblia que não seja uma versão “na Linguagem de Hoje”, a qual já é por si mesma uma tradução um pouco distante do Português que falamos correntemente, o que já representa por si só um desafio ao entendimento perfeito.
Contextualização
A regra de ouro da Hermenêutica é que qualquer passagem bíblica deve ser vista e mantida dentro de seu próprio contexto. Durante algumas partes da pesquisa bíblica temos presenciado intérpretes pinçando idéias e conceitos similares de várias partes diferentes da Bíblia, e combinando-os pra que formem um pensamento ou visão mais completos e/ou complexos sobre um determinado assunto. Esta prática têm um inestimável valor para se ter uma visão geral ou entender melhor um determinado aspecto de uma dada posição, entretanto, essa prática apresenta o risco de se combinar dois diferentes conceitos num só, ainda que similares, a fim de um suposto melhor entendimento ou para servir de sustentação de teses bíblicas.
Aqui tomamos como exemplo um notório exemplo de como se pode tirar passagens bíblicas de seu contexto: Mateus 27,5 “…retirou-se e foi se enforcar”. Lucas 10,37 nos fala que Jesus disse: …Vai, e faze da mesma maneira”. Na medida em que todos concordamos que a Bíblia em nenhum lugar encoraja a prática do suicídio, concordamos então com a importância de se manter as passagens dentro de seu próprio contexto.
Manter as Escrituras dentro de seu contexto significa também levar em consideração a época e a cultura das pessoas a quem o autor estava se dirigindo, especialmente em se tratando de práticas religiosas. Alem disto devemos também observar a cultura, a língua e a época da tradução em particular que estejamos examinando. Muitas pessoas crêem na tradução João Ferreira de Almeida, por exemplo, como sua fonte bíblica. Muitas pessoas até crêem que esta era a Bíblia que Jesus trazia consigo. É preciso que se entenda que muitas variações existem e que podem dar origem a interpretações as mais variadas possíveis.
Inspiração Divina
A maioria, se não a sua totalidade, dos seguidores da Bíblia irão prontamente concordar que a Bíblia é inspirada divinamente. O que isto quer dizer? Pode ser surpreendente para você descobrir que existem pelo menos duas linhas de pensamento sobre o significado desta expressão. A linha de inspiração verbal acredita que o Espírito Santo ditou cada palavra das Escrituras, e os autores atuaram meramente como secretários, ou como digitadores, usando um vocabulário mais atual. A linha de pensamento conhecida como inspiração plena acredita que o Espírito Santo imbuiu os autores com os conceitos a serem apresentados, mas os escritores usaram suas próprias palavras ao transpor os conceitos à forma escrita. É importante ressaltarmos que nem os melhores Pesquisadores conseguiram ainda encontrar uma posição clara sobre a participação (em termos de profundidade, de participação efetiva) do Espírito em todo o conteúdo das Escrituras.
Você pode estar se perguntando agora: Se isto é verdade, como eu posso saber se o Espírito Santo teve mesmo alguma participação nas Escrituras? Como eu posso saber o que é verdade e o que não é? Como eu posso saber que tudo o que está na Bíblia representa a vontade de Deus? Com todas estas questões você pode estar pensando que estamos sugerindo que você descarte a Bíblia. Nenhuma conclusão poderia estar mais distante da verdade. Você se pergunta se Deus não poderia prever que todos estes problemas poderiam surgir por ter escolhido esta maneira de transmitir a Sua Palavra? Bem, na verdade acreditamos que pretendia que a Bíblia fosse escrita da maneira que foi. Nós, seres humanos adoramos mistérios, não é mesmo? E a Bíblia nos oferece todos os mistérios, de todos os tempos. Entendemos também que Deus pretendia que não houvesse uma única interpretação das Escrituras. Cremos que Deus queria que houvesse espaço para várias diferentes interpretações, vários diferentes tipos de entendimento, muitas maneiras diferentes de se olhar as Escrituras, sempre guiadas pelo Espírito Santo. Da mesma forma que cremos que Deus nos aceita e ama a todos nós, com todas as nossas diferenças. Cremos que no coração de Deus exista espaço para todas as maneiras que possamos encontrar para nos trazer para mais próximos de Deus.
Sabemos que a Bíblia representa muita coisa para muitas pessoas, entretanto precisamos nos lembrar uma coisa: a Bíblia não é Deus! Não existem quatro pessoas na Trindade, apenas três. Cremos que muitas pessoas não conseguem perceber este fato.
Em linha com nossa definição de inspiração divina, vemos a Bíblia como um instrumento que o Espírito Santo usa para se comunicar diretamente e pessoalmente com cada um de nós, na medida que permitimo-lo que o faça. Durante a Última Ceia, Jesus explicou aos seus discípulos sobre a vinda do Espírito Santo e disse: “Mas o Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito… mas quando vier o Espírito da Verdade, Ele vos guiará em toda a verdade.” (Jo 14,26; 16,13a). Para nós, divina inspiração é o que acontece quando abrimos nossas Bíblias para ler, e abrimos os nossos corações para sermos guiados pelo Espírito Santo para ser guiado “em toda a verdade” para a edificação de minha vida. Nós, cristãos, gostamos de falar que temos um relacionamento pessoal com Deus. Isso resulta num crescimento espiritual que observamos quando abrimos nosso coração ao Espírito Santo. Esse crescimento é a maior evidência dessa relação pessoal com Deus; essa inspiração divina.

SODOMA E GOMORRA
Gênesis 19
Pergunte a qualquer pessoa onde podemos encontrar na Bíblia a condenação da homossexualidade, e sem dúvida a primeira resposta será a história de Sodoma e Gomorra.
No começo da história, lemos que o sobrinho de Abraão, Ló, que mora em Sodoma encontrava-se sentado nos portões da cidade quando chegaram dois anjos, disfarçados de homens. Ló os saudou, convidando-os a passarem a noite na sua casa. Não havia hoteis, nem sequer uma pequena pousada naquela época, portanto os viajantes tinham que depender da gentileza e boa-vontade dos residentes para acomodação. “Obrigado,” disseram eles, mas, vamos pernoitar na praça, muito obrigado. Não me parece uma boa idéia, pensou Ló, e insistiu tanto com os estrangeiros que estes não puderam negar e concordaram em ir pousar na casa de Ló. Como um homem generoso Ló, ofereceu comida e eles, após cearem preparavam-se para deitar.
Aparentemente a notícia da chegada dos homens espalhou-se pela cidade como rastilho de pólvora, pois logo todos os homens da cidade se encontravam na porta de Ló, clamando pela presença dos homens. No versículo 5 lemos: “…Traze-os fora a nós, para que os conheçamos” (yadtha, ou yadha). Em algumas outras traduções lemos “…Traze-os para fora a fim de que possamos ter relações sexuais com eles” (yadtha, ou yadha).
Ló sai de casa para tentar acalmar as pessoas da cidade. “Meus irmãos, rogo-vos que não procedais tão perversamente; eis aqui, tenho duas filhas que ainda não conheceram varão; eu vo-las trarei para fora, e lhes fareis como bem vos parecer: somente nada façais a estes homens, porquanto entraram debaixo da sombra do meu telhado. Eles, porém, disseram: Sai daí. Disseram mais: Esse indivíduo, como estrangeiro veio aqui habitar, e quer se arvorar em juiz! Agora te faremos mais mal a ti do que a eles. E arremessaram-se sobre o homem, isto é, sobre Ló, e aproximavam-se para arrombar a porta. Aqueles homens (os anjos), porém, estendendo as mãos, fizeram Ló entrar na casa, e fecharam a porta; e feriram de cegueira os que estavam do lado de fora, tanto pequenos como grandes, de maneira que cansaram de procurar a porta”.
Com o amanhecer os estrangeiros conduziram Ló, sua esposa, e suas duas filhas para fora da cidade. Então disseram os homens a Ló: “Tens mais alguém aqui? Teu genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens na cidade, tira-os para fora deste lugar. Corram, não parem e não olhem para trás!” E Deus mandou uma chuva de enxofre e fogo desde os céus, sobre as cidades de Sodoma e Gomorra e as destruiu.
Essa é a história resumida da destruição de Sodoma e Gomorra. Seria uma história sobre a homossexualidade? Será que Deus condenou os sodomitas por serem homossexuais? Teria Deus decidido destruir as cidades de Sodoma e Gomorra e todos os seus habitantes por causa deste único incidente de comportamento inapropriado? Antes de começarmos a examinar essa história, cremos que é importante ressaltar que apesar do que está escrito na primeira frase acima, a grande maioria das instituições religiosas não considera mais a história relatada, como tendo alguma relação com a homossexualidade em si, exceto talvez alguns mais radicais ou fundamentalistas. Existem demasiadas evidências que provam o contrário, de fontes variadas. Vamos examiná-las.
Ló era relativamente um recém chegado em Sodoma. Gênesis 13 nos diz que Abraão e seu sobrinho Ló tinham residido juntos por um breve tempo, mas seus respectivos séquitos tornaram-se tão grandes que a terra na qual eles estiveram a viajar já não conseguia mais sustentá-los, então eles decidiram seguir caminhos separados. Ló e sua família decidiram viajar em direção a Sodoma. Aparentemente eles não estiveram vivendo na cidade desde há muito tempo antes da chegada dos estrangeiros (anjos).
Parece ser da natureza das pessoas o fato de serem suspeitosas a respeito de recém-chegados. Isto era verdade principalmente em relação àqueles dias quando as cidades eram muitas vezes invadidas por bandos nômades de vândalos saqueadores. Ló pode ter estado lá o tempo suficiente para ter vencido a desconfiança e ser aceito, porém quando ele convidou mais dois estrangeiros para a sua casa, essa ação chamou imediatamente a atenção da comunidade.
É possível que, temendo uma ameaça à cidade, os homens decidiram reunir-se em tumulto na porta de Ló, a fim de descobrirem, conhecerem, (yadtha) quem eram tais homens e quais eram as suas intenções? Será que os sodomitas suspeitaram que aqueles homens poderiam na verdade ser parte de uma missão de reconhecimento enviada para infiltrar-se na cidade, a fim de descobrirem suas vulnerabilidades e relatá-las para um eventual exército aguardando do lado de fora para sitiá-la? Pode ser que ao reunirem-se de forma tumultuada na porta de Ló, os homens estivessem gritando: “Quem são esses homens? Traga-os para fora a fim de que possamos descobrir o que exatamente eles pretendem?”
Será que Deus decidiu destruir as cidades por causa do que os sodomitas disseram e fizeram como nos relata o capítulo 19? Não! Se verificarmos no versículo 13 do capítulo 13 podemos perceber que os habitantes de Sodoma eram maus e perniciosos, e grandes pecadores contra Deus.
Deus manifesta sua intenção no capítulo 18. Nessa passagem lemos que três homens abordam Abraão, enquanto ele descansava em frente à sua tenda. As Escrituras identificam esses três homens como sendo o Senhor e mais dois anjos (ou ainda Deus em forma de Três: a Trindade?); apesar de que Abraão os reconhece como três homens. Ele então lhes demonstra sua hospitalidade e após terem ceado dizem a Abraão que Sara, sua esposa teria um filho no próximo ano. Sara, que estava às escondidas ouvindo a conversa começou a rir consigo mesma, diante do absurdo que seria o fato dela engravidar sendo já idosa como era. Quando o Senhor indaga Sara por que esta ria-se, ela nega que tivesse rido, mas o Senhor não aceita sua negativa e afirma que ela de fato havia rido. Agora Abraão finalmente entende com quem ele está falando.
Então Deus diz a Abraão que por causa da maldade, Sodoma e Gomorra estavam em risco de serem destruídas. Deus enviou os dois anjos para determinarem a extensão desta maldade. Na mesma hora Abraão lembrou-se de Ló e sua família, começando a barganhar com Deus, visando salvá-los. “Destruirás também o justo com o ímpio?” Abraão pergunta. “Se porventura houver cinqüenta justos na cidade?”. “Não”. “E se tiverem quarenta justos, ainda assim destruirias a cidade?”. “Não”. “Trinta?”. “Não”. “Vinte?”. “Não”. “Dez?”. “Não”. Deus não destruiria a cidade se fosse possível encontrar dez pessoas retas de coração. Entretanto como nos diz o versículo 4, do capítulo 19, todos os homens da cidade estavam batendo à porta de Ló, selando o destino da cidade. Mas qual era o pecado deles? Era a homossexualidade? Ou era outra coisa?
Precisamos analisar esta palavra yadtha, a qual é traduzida como conhecer em algumas versões e fazer sexo com, em algumas outras traduções. Existem muitas palavras em do hebraico que são traduzidas como conhecer. Nas Escrituras a palavra ‘yadtha’ significa ter completo e extensivo conhecimento de algo ou de alguém, e inclui também ter conhecimento sexual. Mas, das 943 vezes em que essa palavra é usada nas Escrituras Hebraicas (Antigo Testamento), somente dez vezes ela refere-se a relações sexuais. Isto quer dizer que existem 933 vezes em que a palavra é usada para referir-se a outras coisas que não signifiquem relações sexuais.
O que mais desejavam os homens que cercaram a casa de Ló, que não fosse saber as intenções dos estrangeiros? É fácil perceber que, se eles estivessem achando que os estrangeiros fossem na verdade espiões infiltrados, eles quisessem dominá-los, subjugá-los (e aqui entra um pouco de nossa experiência pessoal, nos anos em que estivemos trabalhando no Continente Africano. Tivemos a oportunidade de presenciar uma situação semelhante, quando uma multidão de pessoas simplesmente trucidou completamente dois homens, porque foram acusados de estarem passando por rádio informações à guerrilha, na cidade de Malange, que estava sendo bombardeada. Foi absolutamente impossível para as autoridades constituídas conseguirem controlar a população, apesar de que nunca se produziu prova de que os homens estivessem realmente passando informações estratégicas) . Como então eles os dominariam e subjugariam? Uma prática comum no Oriente Médio, naquela época, em caso de alguém ser derrotado e feito prisioneiro em uma batalha, era o intercurso sexual anal forçado. Como uma maneira de humilhar seus prisioneiros os vencedores os violentavam.
Está claro que Ló imaginou que os homens da cidade estavam inclinados à violência sexual, uma vez que ele decidiu oferecer suas duas filhas virgens no lugar dos homens. Apesar de que poderíamos achar a oferta de Ló algo repugnante nos dias atuais, nos tempos de Ló, a importância da Lei da Hospitalidade e proteção de hóspedes superava a importância do amor e da proteção à família. Na verdade, podemos concluir sem receio de enganos que o comportamento condenável dos sodomitas foi o desrespeito ao seu próprio Código de Hospitalidade em relação aos estrangeiros.
A Bíblia Anotada New Oxford afirma: “…a questão principal aqui é a hospitalidade aos visitantes divinos. Nesta passagem a sacralidade da hospitalidade é ameaçada pelos homens da cidade que queriam violentar (conhecer) os hóspedes. Apesar da implícita (e óbvia) desaprovação ao abuso homossexual nesta passagem, o ponto principal desta passagem parece ser a ameaça que os habitantes representam ao valor da hospitalidade. A hospitalidade é tão valorizada neste contexto, a ponto de neutralizar a negatividade da atitude de Ló ao oferecer suas filhas em lugar de seus hóspedes, o que hoje seria uma atitude impensável e repugnante à qualquer leitor.”
Será que o código da hospitalidade era tão sério assim naquela época? Quando começamos a pensar que viajantes que não tinham opção de acomodação, tinham que ficar sozinhos durante a noite, em vielas e becos, ou ainda nas praças da cidade, ficando assim vulneráveis a ataques de ladrões e salteadores; entendemos que uma amigável porta aberta poderia significar a diferença entre vida e morte, então rapidamente percebemos a importância da boa-vontade de ser hospitaleiro.
Será que a quebra do código da hospitalidade foi realmente a principal razão para a condenação de Sodoma? Jesus achava que sim. Como nos mostra Mateus 10 também em Lucas 10, Jesus envia seus discípulos e dá a eles autoridade para curar os enfermos, expulsar demônios e proclamar as boas novas da salvação. Ele os ensina que quando chegassem a uma cidade procurassem quem fosse digno e pousasse na casa dessa pessoa. ” E, se ninguém vos receber, nem ouvir as vossas palavras, saindo daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo que, no dia do juízo, haverá menos rigor para a terra de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade.
Aqui, percebemos que Cristo faz uma comparação entre a punição reservada à cidade que não possui o dom da hospitalidade em relação aos seus discípulos, e àquela reservada à Sodoma e Gomorra.
Existem outras evidências bíblicas que indicam que, o que os homens da cidade realmente tencionavam eram mesmo a prática da violência sexual e do estupro? No livro de Juízes, capítulo 19, encontramos uma história semelhante a de Sodoma e Gomorra. Um homem viajando com sua concubina chega até a cidade de Gibeá, e no versículo 15 encontramo-lo sentado na praça da cidade. Ao anoitecer vinha um velho do seu trabalho no campo, os encontra e os convida para pousarem em sua casa. No começo do versículo 22 lemos: Enquanto eles alegravam o seu coração, eis que os homens daquela cidade, filhos de Belial, cercaram a casa, bateram à porta, e disseram ao ancião, dono da casa: Traze cá para fora o homem que entrou em tua casa, para que o conheçamos (yadtha’). Encontramos em algumas traduções: “Traze cá para fora o homem que entrou em tua casa, para que tenhamos sexo com ele. (yadtha’)”.
Como na história de Sodoma e Gomorra, o velho oferece sua filha virgem à população, e o homem oferece a sua concubina, mas os homens da cidade não estão interessados. Mas ainda assim eles põem-na do lado de fora, e ela foi estuprada e abusada toda a noite. Quando o dia amanhece ela é liberada, e acaba por falecer à porta de casa.
A despeito do fato de a linguagem usada pela multidão nesta passagem ser a mesma usada na passagem de Sodoma e Gomorra, ainda não tivemos conhecimento de nenhum pesquisador ou comentarista sugerir que os homens de Gibeá eram homossexuais. Ressalte-se que enquanto os Sodomitas simplesmente ameaçaram violá-los, os homens de Gibeá consumaram o fato, chegando a causar a morte da concubina. Ainda assim, Deus não mandou imediatamente uma chuva de enxofre e fogo sobre Gibeá como castigo pelo que os homens haviam dito. Se foi usada a mesma linguagem, inclusive o mesmo verbo original no Hebraico (yadtha) em ambas as histórias, por que somente os habitantes de Sodoma são considerados homossexuais? Por que estes acabaram por estuprar a concubina, o que não se pode considerar como um comportamento homossexual, que neste caso provavelmente não iriam querer ir além de “trocar receitas” com a concubina? Talvez porque a história de Gibeá apresenta um detalhe adicional que não encontramos na história de Sodoma. O homem, quando perguntado mais tarde pelos israelitas sobre o que havia acontecido, responde (versículo 20:5): “E os cidadãos de Gibeá se levantaram contra mim, e cercaram a casa de noite, e intentaram matar-me, e violentaram a minha concubina, de maneira que morreu.” Ele não parecia muito preocupado com sua própria ameaça de estupro (?), do que com a intenção de matá-lo. Apesar de que Deus não fez chover enxofre e fogo do céu sobre Gibeá, ao final do capítulo 20 lemos que todos foram mortos a fio de espada e a cidade incendiada.
Existe qualquer outra relevante referência bíblica referente à razão que levou Deus a destruir Sodoma e Gomorra? Sim. O grande profeta Ezequiel foi chamado por Deus para castigar Jerusalém, que havia sido uma cidade cananita e tornara-se judaica. Deus zelava por essa cidade e ela tornou-se próspera, mas então o poder subiu-lhe à cabeça. Voltou-se para a idolatria, sacrifícios de crianças, e estabeleceu más alianças com outras nações. Então Ezequiel foi chamado a repreendê-la e a comparou com “a sua irmã” Sodoma, “Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca estendeu a mão ao pobre e ao necessitado. Também elas se ensoberbeceram, e fizeram abominação diante de mim; pelo que, ao ver isso, as tirei do seu lugar” (Ezequiel 16,49-50).
Agora temos pela palavra do grande profeta Ezequiel as razões pelas quais Deus destruiu Sodoma e Gomorra. Nenhuma menção à homossexualidade, nenhuma vaga menção sequer. Os sodomitas eram soberbos, glutões (gordos? Oh Deus, ajuda), egoístas. Não ajudavam aos mais necessitados, julgavam-se melhores que os outros e cometiam abominações. Que ou quais seriam tais abominações?
Na Concordância Bíblica de Strong encontramos que a palavra hebraica usada é towebah, ou toebah, e define abominação da seguinte maneira: algo repulsivo, odioso, que causa fastio, ou seja, uma repugnância, aversão; especialmente idolatria ou concretamente um ídolo. Então Strong nos diz que o uso da palavra (toebah) está relacionado a descrever a abominação da idolatria. Lembre-se que o primeiro Mandamento diz: ”Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei do Egito, da escravidão. Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 10,2-3).
Na concepção dos hebreus, esse mandamento é o primeiro e mais notável. Qualquer coisa menor que a absoluta devoção a Yaveh é considerada a pior atitude de uma pessoa; sendo ainda considerada detestável, abominável.
Examinaremos as práticas idólatras quando chegarmos ao Levíticos.
Só há uma passagem na Bíblia que faz ligação entre atividade sexual com Sodoma e Gomorra e sua destruição; no livro de Judas. Estudaremos esta passagem no próximo estudo.

Continua…

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O Autor

Ativista dos Direitos Humanos (Principalmente LGBTs ); Teólogo;Homeopata; Psicanalista, especialista em Sexualidade Humana, Filosofia, Sociologia;Blogueiro.

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