Homofobia Basta!

Sobre mim

Nasci e fui criado dentro de um berço cristão, aonde a fé cristã sempre marcou presença na minha vida, lembro e sou lembrado a todos os dias das impossibilidades que foi implicada a minha mãe sobre o meu nascimento, inclusive a necessidade do aborto pelo alto risco de vida que eu e ela corríamos, eu sou o segundo filho, o primeiro morreu assim que nasceu, minha mãe sempre fumou e colocou a gravidez em risco, mesmo assim não considerou o aborto, mas ficou sob aviso dos médicos de que eu iria nascer com deficiências físicas por conta do problema sanguíneo, uso de substâncias que atrapalhariam na formação do feto e tudo mais, ela assinou os termos de responsabilidade e a gravidez foi complicada, quase me perdeu por diversas vezes, mas por vontade suprema, creio eu, não foi permitido… Eu nasci, os médicos esperaram alguns dias para constatar alguma deformação na audição, na fala, na visão, porém a principio nada foi constatado, porém insistiram e avisaram que ao longo dos anos eu iria apresentar alguma deformidade, anos se passaram… e nada… nenhuma deformidade física foi constatada, minha mãe com sua fé, antes da constatação médica, já contava a vitória e quis honrar a Deus com um nome bíblico para mim, escolheu Filipe, porém meu pai estava bêbado e registrou Felipe, mas o que valeu foi a intenção… Aos meus 7 anos de idade eu comecei a apresentar sintomas de síndrome do pânico, porém foi tratado como problema “espiritual” e eu não consegui levar meus estudos “normalmente”, eu me esforcei, aprendi a ler sozinho e a escrever sozinho em casa, com a Bíblia e livros de Psicologia e Psicanálise, com meus 8 anos a Secretaria Municipal de Educação intimou meus pais a comparecer explicando a situação, minha mãe muito humilde tentou explicar do ponto de vista “espiritual” o que estava acontecendo… só que não convenceu e um inquérito foi aberto, passei por assistentes sociais e psicólogos para saber se eu não sofria maus tratos ou se eu não era impedido de estudar… para a surpresa dos mesmos eles com um parecer técnico a Secretaria Municipal de Educação mostraram que a minha instrução, inteligência, intelecto e quociente de inteligência estava a cima do normal, que eu já sabia ler e escrever e já tinha noções de inglês e francês, além de entender de Mitologia e compreender aspectos teóricos de Medicina, Psicologia e Psicanálise. Porém identificaram um Transtorno de Ansiedade não especificado, que era o que minha mãe podia estar tentando enxergar como um problema “espiritual”, hoje se sabe que quem possui um QI acima da média tem uma tendência a ter transtornos de ansiedade. Com uma papelada fui enviado a uma escola particular a qual seria supervisionado por psicólogos, lá fui avaliados por pedagogos e por ordem e via de regra eu teria de fazer Jardim 1, 2. CA, enfim… toda aquele antigo caminho, porém eu ia ficar deslocado, então sob julgamento de pedagogos, psicólogos, psiquiatras, laudos médicos e exames acharam por ideal me colocarem na quarta série ( hoje, quinto ano ) e lá comecei e dei continuidade aos estudos normalmente, sem tirar uma nota menor que 9,5. Porém eu sempre tive um problema com matemática, mas minha inteligência múltipla ( Intrapessoal, Interpessoal, Linguística, Existencial, Naturalista ) eu conseguia por boa memoria guardar todos os cálculos e matérias e simplesmente colocar a resposta, mas o meu déficit em inteligência Espacial e Matemática foi enorme ( ninguém é perfeito ). Terminei meus estudos sem dificuldade em aprender ou entender, até porque uma lida na matéria ( ou as vezes nem isso ) já me proporcionava o entendimento necessário para realizar a prova e conseguir a pontuação necessária, o que complicou foram as faltas, que levou a Secretaria Municipal de Educação a sempre intervir na minha vida, querendo saber os porquês dela, a essa altura eu já estava com o diagnóstico de Síndrome do Pânico e Depressão III, as vezes não havia condições de sair da cama, alguns colegas vinham em casa me passar a matéria e os professores me ligarem, nessa altura eu já estava tomando cerca de 11 psicotrópicos, com uma queda severa de cabelo, unhas e problemas cutâneos, além de anorexia nervosa e gastrite, pelo baixo consumo de água desenvolvi pedra nos rins, cerca de 7, uma medindo cerca de 3 centímetros e outras com 1cm, 0,7, impossíveis de saírem normalmente, porém essa não era a preocupação… nem a da Secretaria de Educação, não podiam me reprovar, os médicos e os psicólogos tinham laudos suficientes para comprovar que minha saúde estava debilitada e por isso não ia a escola, porém o meu aprendizado não foi comprometido e eu não deveria ser reprovado… só que a doença mesmo com o término do estudos perdurou por muito tempo, ao ponto de várias tentativas de suicídio, dentre elas uma em que eu não cortei os pulsos como é de costume para quem quer teatralizar, eu cortei o torax na vertical com uma faca, chegando próximo a aorta, eu estava sozinho, tomei analgésicos, não senti dor, tentei acabar com a visa, o sofrimento de quem tem depressão com o agravante do pânico é insuportável… Porém eu estava tão ligado nos sintomas das doenças que não procurei os “porquês”, ignorei os meus estudos que eu fiz desde pequeno sobre Psicanálise e Psicologia, os aspectos da sexualidade, etc… até que em pleno desespero, minha mãe chamou uma humilde irmã de oração assembleiana que eu esperava jogar óleo ungido em mim ou coisa parecida, porém ela não fez nada disso, me viu na cama e só falou: “Você é homossexual e precisa colocar isso pra fora, precisa lidar com sua sexualidade, faz parte de você, isso esta te consumindo, essa negação inconsciente, essa repressão, se continuar assim você irá falecer”… minha mãe congelou! Eu comecei a chorar! Perguntei a formação dela, ela disse: “Fiz até a quarta série”, perguntei porque ela disse aquilo e ela disse: “Existem coisas que escapam do nosso conhecimento, eu sei que pra mim isso é impuro, mas para mim é impuro, mas para você não pode e nem deve ser, porque você é homossexual”… e eu continuei sem entender e isso despertou em mim uma necessidade de buscar o porque dela ter falado isso, pela primeira vez, procurei uma psicóloga pra falar exatamente: “Olha, eu sou autodidata, meu QI é acima da média segundo psicólogos e médicos, minha inteligência múltipla me deu capacidade para sem tutores entender teorias psicanalíticas, etiologias, sintomatologias, nomeclaturas e muita coisa, mas tenho o diagnóstico de síndrome do pânico e depressão, tomo vários remédios, o que a senhora me diz?”, ela muito simpática me pediu para fazer desenhos –  que eu já sabia qual seriam os resultados – e após isso ela disse: “bom, eu não sei porque pedi para você fazer esses desenhos se você já sabe como me “enganar” caso queira, mas eu sei que a sua dúvida aqui é saber sobre a sua sexualidade, sei que você já leu sobre Freud, sei que você sabe que ele entende a homossexualidade como uma escolha inconsciente e que a culpa não é sua, mas sei que a sua religião te leva a uma culpa fora do comum… sei que você esta em conflito com sua sexualidade porque a sexualidade, a inteligência, a informação e o sofrimento são parentes muito próximas e você se encaixa em todos esses processos… de fato eu sei que você nunca se sentiu atraído por mulheres e sempre negou se sentir atraído por homens, jogando seus desejos pro inconsciente a ponto de não manifestá-los, mas nosso inconsciente e o desejo sexual-afetivo é como uma cachoeira de águas infinitas que não param de jorrar e o nosso EGO tem um limite, como uma represa e a sua transbordou, seu Superego esta tentando controlar toda essa situação, mas não esta dando conta, pois ID x Superego, sempre vencerá o ID, então manifestarão psicopatologias como depressão, pânico, fobia social até sua energia vital for consumada… Essa nossa pequena conversa irá trazer uma mudança radical na sua vida…” passei 2 anos sem vê-la e melhorei da depressão e do pânico, trabalhei dentro de mim e com o meu conhecimento analítico a minha sexualidade, procurei dentro da teologia a da espiritualidade o fardo leve prometido por Jesus, o descanso e o alívio e a mim foi dado, junto com o trabalho auto-analítico… Mas não foi fácil, os anos com a depressão e com o pânico me geraram problemas orgânicos, dentre eles, problemas nefrológicos, como litíase e hidronefrose, eu teria que operar, mas não podia ser com laser ou via cirurgia “comum”, teria que segundo o especialista fazer uma ureteroscopia que é um tubo introduzido no canal do pênis até os rins para desfazer as pedras, um procedimento doloroso e com riscos… fiz todos os exames… mas com muito medo, eu estava com uma nefrite, o que complicou a situação, as pedras estavam causando hemorragia e inflamação, o que causou infecção e muita perda de sangue… eu ainda tinha muitos preconceitos com a teologia inclusiva, com a Igreja Contemporânea por exemplo… mas ao andar na minha cidade, triste… angustiado, no dia seguinte eu iria operar… eu vi a plaquinha da igreja e iria ter um culto… eu já não tinha muita fé, mas nunca deixei de acreditar em Deus, embora tenha sofrido forte impacto da Psicanálise, ainda mais por Freud e Lacan, na época eu já era psicanalista eu fui na igreja e ainda sim tinha preconceitos, imaginei um pastor afetado, de rosa, totalmente fora dos padrões, entrei e nem parecia uma igreja inclusiva ( lembrando que embora a maioria dos membros sejam LGBT, existem heteros ) eu fui e falei em voz alta na rua  ( não tinha ninguém mesmo )  como o Felipe, o apóstolo que via Deus em Jesus e mesmo assim pediu a Jesus para ver o Pai eu clamei: “Deus, se Tu existe, se Tu é comigo, hoje eu estou aqui com essas pedras renais, sem conseguir urinar de tanta dor! Amanhã eu terei que ir operar! Minha fé foi esmiuçada, não creio mais, mas estou fazendo prova de Ti, se Tu existe, se Tu se faz presente neste lugar, o meu milagre vai acontecer” e entrei, subi, fui muito bem recebido, ao final do culto uma senhora me chamou e perguntou se podia me dar um abraço e eu disse que sim, ela me deu, pegou meu telefone e eu o dela e quando cheguei em casa, no portão de casa ela me ligou e disse: “Você recebeu a sua cura”… Bom, eu não acreditei… achei que a minha cara de pálido me denunciava… Pois bem, fui eu me preparar para urinar, coloquei uma toalha na boca ( porque a dor era tão forte que eu trincava os dentes a ponto de entortá-los ) e ao urinar, eu urinei areia… eu fiquei assustado… pensei que foras as pedras que tivessem se deslocado e piorado a situação, visto que saiu com mais sangue… fui fazer uma Tomografia Computadorizada antes da operação para rever o local das pedras, para ajudar na operação, o médico perguntou com a imagem na mão: “Acho que eu peguei o exame errado, esse aqui não tem nada…”, “deixe-me ver a outra folha… “, “Ué, tem certeza que o Urologista vai fazer esse procedimento em você?”…”Deixe-me ver o pedido dele… realmente ele fala aqui sobre litíase, e das grandes! Mas não há nada! Vamos fazer outra TC…” fiz outra.. “Rapaz, qual a sua religião?” eu disse: “Bom, não tenho… mas fui criado no protestantismo… e se me permite falar, ontem eu fui a igreja pedindo um milagre… não acredito muito neles… sabe como são psicanalistas né?” E ele me respondeu: “Bom, sei como são, também sou um… mas sinceramente, médicos tem que parar de dar laudo para crente, vocês vivem ficando curado… você não tem nada… vamos fazer uma cultura de urina para avaliar essa nefrite…”

E até hoje eu guardo meus exames e nunca mais tive problemas renais, as pedras realmente sumiram… faço periodicamente TC e ultrassonografias para ver e nunca dão nada…

Após tudo isso eu enfrentei outro dilema! O dilema de encarar a minha sexualidade e de me assumir! Eu já tinha feito Teologia, já tinha feito minha formação em Psicanálise, já tinha me especializado e feito pós-graduação, além de ter feito vários outros cursos…

Foi sufocante, quase entrei em depressão novamente, precisei de ajuda profissional, sai de casa por várias vezes, sofri conflitos internos, pensei sim em suicídio, recorri a remédios, procurei ajuda pastoral, dentre muitas outras coisas… Mas quem sofreu mesmo foi minha mãe… que em meio as pregações do Malafaia ficava no embate entre as idéias antigas e a realidade… Ela me amava e amava a Deus e o Malafaia contribuindo pro conflito dela, ela achava que se em aceitasse iria descumprir com a palavra divina ( segundo o Malafaia e Cia ) e se me largasse iria também descumprir a palavra de Deus e não ia suportar me perder… Então ela entrou numa depressão! Então eu resolvi me reprimi pro bem dela! Virei um “Ex-gay”, claro que disfarçadamente, ela saiu da depressão e foi aos psicólogos sem culpa e sem medo e isso deu a oportunidade dela conhecer outras famílias, outros homossexuais, outras vidas… deu tempo ao tempo… viu que a índole do Malafaia era questionável… que ele não era o homem de Deus que ela pensava… que os admiradores do congresso estavam na mira da justiça por crimes… que o evangelho estava sendo pregado erroneamente… até que me pegou chorando as escondidas e me perguntou: “Você não é “ex-gay” né meu filho? eu sei que não! Você fez isso pela mamãe! E eu te amo! Me desculpa! Eu não te entendi! Agora eu te entendo! Jesus te fez assim e te ama assim! Agora arrume um namorado!” e nos abraçamos! Desde então nossa vida melhorou muito! Ela não deixou de ser assembleiana, vira e mexe ela tem as “recaidas” do “será”, que jogam em cima dela, mas ela já recorre a psicologia e contorna a situação… as vezes discutimos, mas nos entendemos… Meu pai sempre foi na dele, nunca ligou, sempre pediu para não deixar de ser homem e não virar travesti… rs… Hoje eu posso dizer que vivo bem, minha família me ajuda, me apoia, me aceita, me respeita… meus familiares não, mas e dai? Meu pai e minha mãe que me importam! Eles quando se metem, meu pai manda calar a boca e ponto. Sou considerado o “anti-cristo” na cidade e pelos familiares por criticar todos esses pregadores da Teologia da prosperidade e esses crentes adestrados!

Essa é parte da minha história! Sei que muitos aqui não vão acreditar, como eu não acredito em muitas parecidas… mas eu vivi… uma experiência minha, que compartilhei com amigos psicólogos, psiquiatrias, médicos em geral, terapeutas que através da minha vida deixar sua homofobia de lado, uns se tornaram cristãos anglicanos e luteranos  ( sempre recomendo não ir as igrejas “normais” )

E hoje estou eu aqui atualmente…

Carreira: Teólogo, Psicoterapeuta, Psicanalista, especialista em sexualidade humana, sociologia, filosofia, psicoterapia positiva, psicoterapia bioenergética, abordagem junguiana, fazendo minha pós em filosofia clínica…

Fisico: Loiro, 1,76,  66kg, olhos castanhos, sorriso colgate, corpo legal ( nem malhadão, nem magrelo )…

Psicológico: Alterno de humor ( mas não sou bipolar ), taxativo, perseverante, crítico, inconformista…

Não suporto: gente com mente quadrada, preconceituosa, que acha que a religião é a fonte pra tudo e de tudo…

Geral: Libra, Cristão Protestante ( não membrado em nenhuma denominação ), ativista dos direitos LGBTs, humanista, solteiro.

É isso ai gente…

2 Respostas to "Sobre mim"

heuaehaeuhaeuaheuhueh
achei fofo, engraçado, mas acima de tudo, interessante! =D

aaaah!!!
ainda solteiro???
rsrsrs

boa sorte aew na tua caminhada (em todos os sentidos).
tens trabalhos cientificos publicados em revistas eletronicas ou digitalizados para acesso livre??
é que escrevo tambem sobre ativismo lgbt (inclusive, a tese do mestrado), e tenho interesse em pegar umas citações de sua autoria!!!

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O Autor

Ativista dos Direitos Humanos (Principalmente LGBTs ); Teólogo;Homeopata; Psicanalista, especialista em Sexualidade Humana, Filosofia, Sociologia;Blogueiro.

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