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A Crise da meia-idade no homossexual

Posted on: 8 de agosto de 2011

Embora se fale muito da chamada crise da meia-idade, pouca atenção tem sido dada aos fenômenos psicológicos decorrentes da transição que todos nós vivenciamos ao atravessarmos o ciclo da vida que se inicia por volta dos quarenta anos de idade.

A maioria das pessoas sente alguma mudança física ou psicológica que se manifesta por meio de “sintomas” como ansiedade sem causa definida, depressão, insatisfação com o relacionamento ou trabalho, angústia, dúvidas sobre o futuro, etc. Nas palavra da Dra. Katheleen ª Brehony: “muitas pessoas simplesmente se referem a um vazio que é ao mesmo tempo profundo e inexplicável”.

Na cerne dessa crise está a percepção, consciente ou não, de que já vivemos aproximadamente metade de nossas vidas, e que, provavelmente, muitos dos nossos sonhos não serão realizados e alguns dos projetos que construímos deverão ser abandonados. Mais complicado ainda: somos obrigados a confrontar de forma direta algum tipo de morte – a física de nossos pais, por exemplo, ou a de algum aspecto do nosso eu que já não faz mais sentido.

Para analistas junguianos, a meia-idade é uma crise do espírito, uma tomada da consciência, no nível mais profundo, de que a vida na segunda metade será diferente da primeira. Alguns a vivenciam de forma dramática e outros de forma mais sutil, mas todos a vivenciam em algum grau.

Já escrevi a respeito das dificuldades que muitos gays enfrentam diante dessa transição inevitável. Além dos aspectos mais óbvios relacionados à perda da juventude e de tudo o que ela representa na cultura ( e na subcultura gay ) ocidental massificada, percebo também na minha clínica a dificuldade que vários dos meus pacientes têm de encontrar um sentido para essa segunda metade da vida.

Frequentemente identificamos de maneira profunda com um estilo juvenil, individualista e orientado para o presente, muitos gays ao se verem no limiar dessa fase se sentem perdidos e sem uma perspectiva de futuro positiva. Com medo do envelhecer e atordoados por fantasias de abandono ( já que não serão mais fisicamente atraentes ), de solidão ( já que a maioria não tem filhos ) e de isolamento ( principalmente os que se separaram de suas famílias de origem ), mergulham em um estado depressivo crônico, difícil de ser atenuado de uma forma racional. Para alguns, o caminho é a simples negação dos sintomas. Para outros, o mascaramento desses mesmos sintomas por meio do consumo abusivo de substâncias ou de comportamentos autodestrutivoos.

Aceitar a crise de meia-idade como inevitável e acolhê-la como um rito de passagem transformador é, a meu ver, a única saída. Citando mais uma vez a Dra. Brehony, “a passagem da meia-idade é a porta de entrada para as camadas mais profundas da nossa alma”. É através dela que podemos nos reconectar com o nosso eu verdadeiro e retomar o caminho natural do qual fomos obrigados a nos desviar para atender as solicitações familiares, culturais e sociais da primeira metade da vida. E é ela também que pode nos levar a uma apreciação maior de uma expressão mais autêntica de nossa individualidade e a um enriquecimento da nossa experiência humana.

A crise da meia-idade é uma iniciação, um acontecimento físico, psicológico e espiritual inerente a nossa jornada rumo ao crescimento e ao autoconhecimento. Para nós, gays, uma oportunidade de re-assegurarmos nossa marcha em direção a integridade psíquica ( frequentemente comprometida pela homofobia internalizada ) e a inteireza do nosso ser mais verdadeiros ( muitas vezes aprisionado nos armários da vida.

Texto do livro de Klecius Borges – DeSiguais

1 Response to "A Crise da meia-idade no homossexual"

estou super nessa crise de meia-idade, dez anos antes

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Ativista dos Direitos Humanos (Principalmente LGBTs ); Teólogo;Homeopata; Psicanalista, especialista em Sexualidade Humana, Filosofia, Sociologia;Blogueiro.

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