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Ana Paula Valadão e a Homossexualidade: o discurso do senso comum

Posted on: 6 de agosto de 2011

Neste vídeo (clique AQUI e assista), a vocalista do DT, Ana Paula Valadão, expõe sua visão “cristã” sobre a homossexualidade, mais precisamente, a presença notória de pessoas homossexuais na igreja e sua predileção pelo famoso ministério de louvor de BH. Os gays cristãos não apreciam apenas o DT. Para quem frequenta assiduamente alguma igreja evangélica ou participa de Comunidades do Orkut, por exemplo, é evidente a presença maciça de gays entre os fãs de grandes cantoras evangélicas como Shirley Carvalhaes e Eyshila (segundo alguns, a rainha dos GGs, ou seja, Gays Gospel), dentre outras.
As respostas da cantora apenas evidenciam o quanto desconhece o assunto e o quanto a presença de homossexuais na igreja não dá mais pra ser simplesmente ignorada. As palavras de Ana Paula, ao citar 1 Coríntios, revelam o mesmo discurso, antiquado e descontextualizado de sempre, como se o apóstolo Paulo conhecesse sobre orientação sexual e tivesse vivido a realidade de tantos casais homoafetivos de hoje, estáveis, felizes e cristãos.

Um dos piores momentos do vídeo é quando o entrevistador denomina a presença cada vez mais evidente de gays na igreja (incluindo membros e pastores) de um “mau que assola a humanidade”, como se houvesse mais homossexuais hoje que no passado. A diferença não percebida pelo apresentador é o fato de que a visibilidade de gays é maior hoje que no passado. Entretanto, há pontos positivos na entrevista: o reconhecimento de que há despreparo por parte da Igreja em acolher adequadamente pessoas com orientação homossexual

Acabou-se o tempo em que Igreja e Homossexualidade eram tratadas a distância. O Brasil vive um verdadeiro boom de igrejas inclusivas, aquelas que tratam com naturalidade e homossexualidade e recebem de braços abertos pessoas com essa orientação. Estive semana passada em SP, visitando duas novas igrejas inclusivas e palestrando sobre Bíblia e Homossexualidade. É incrível como tais grupos têm crescido. E detalhe: 90% dos membros são oriundos de igrejas evangélicas como a Assembleia de Deus.
Ana Paula ressalta como características naturais o quanto tais pessoas são talentosas e sensíveis, entretanto, no quesito sexualidade, foram alvo de algum tipo de interferência que as desvirtuaram em dado momento.

Ao citar o testemunho de Dennis Jernigan – em que fica evidente as causas de seu comportamento homossexual – demonstra mais uma vez desconhecer o assunto, pois generaliza as causas da homossexualidade, confundindo-a com comportamento homossexual construído e passível de mudança. Veja abaixo trechos de seu testemunho.*

A argumentação parece até bonita quando, tanto Ana Paula quanto o entrevistador apelam para a necessidade que a Igreja tem do talento inegável de muitos homossexuais, esquecendo-se de que tais dons são tão naturais quanto a sexualidade. 

O discurso de Ana Paula não é novo, é o mesmo de pastores intolerantes como Silas Malafaia. A diferença é que Ana Paula é doce, e Silas é rude.

É inegável: há homossexuais na igreja, são notórios e, normalmente destacam-se nos ministério de dança, de louvor, de teatro… É inquestionável que muitos possuem tais aptidões artísticas, fruto de sua constituição especial, dada por Deus, assim como sua afetividade, tão combatida como pecaminosa e antinatural. É estranho um discurso que abre a porta ao talento de muitos homossexuais e fecha a mesma porta para sua realização afetiva, tão necessária a qualquer ser humano. É assim que dizem amar os homossexuais: dando-lhes certos direitos e negando-lhes outros.

É hora de a Igreja rever seus conceitos sobre a homossexualidade; de se colocar no lugar dessas pessoas que sofrem desde a infância em todos os setores de sua vida; de rever o que a Bíblia diz realmente sobre a questão; de ponderar sobre as razões pelas quais a grande maioria dos gays cristãos não consegue mudar sua orientação sexual.

Enquanto isso não acontece, muitos se perdem pelo caminho, por acreditar que a condenação os espera impiedosamente…

Deus não quer que ninguém se perca; a Igreja deveria sentir da mesma maneira.

1 Response to "Ana Paula Valadão e a Homossexualidade: o discurso do senso comum"

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Ativista dos Direitos Humanos (Principalmente LGBTs ); Teólogo;Homeopata; Psicanalista, especialista em Sexualidade Humana, Filosofia, Sociologia;Blogueiro.

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