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Porque a homossexualidade é genética?

Posted on: 21 de julho de 2011

O título do texto parece imperativo, mas não é, é apenas para mostrar do meu ponto de vista e da maiorias dos meus colegas Psicólogos, Psiquiatras, Psicanalistas, Médicos em geral.

Alguns posts atrás, eu ousei dizer que a homossexualidade é genética, porém citei um exemplo muito vago, o de gêmeos univitelinos, mas quero agora te mostrar o porque da homossexualidade ser genética.

A pergunta chave do comportamento homossexual durante séculos foi: “Poderia ser a homossexualidade uma simples questão de ‘opção’? Uma questão de escolha do indivíduo em relação à sua sexualidade? Ou seria algo incontrolável, um traço hereditário e imutável?”

O comportamento, melhor dizendo, a atração homossexual sempre intrigou os cientistas do comportamento humano particularmente os psicólogos evolutivos. Este traço, por levar a um comportamento no qual a sexualidade, a libido, é despertada para um indivíduo do mesmo sexo, deveria fazer com que os portadores destes genes tivessem um número muito menor de filhos do que a média, aparentemente, fazendo com que a freqüência de seus genes fossem diminuindo no pool genético da espécie. Este dilema ficou conhecido como “o paradoxo darwinista” do homossexualidade.

Atualmente, sabe-se que existem evidências de que os genes influenciam este traço da personalidade e cuja manifestação pode depender de influências ambientais, culturais e/ou físicas como, por exemplo, devido a hormônios do ambiente intra-uterino.. A influência puramente cultural na sexualidade humana deve ser descartada uma vez que somente ela não explicaria a grande quantidade de indivíduos que, apesar de enorme esforço para mudar de ‘opção sexual’ em virtude de pressão familiar, religiosa e social, para que adotassem um comportamento sexual padrão, fracassaram flagrantemente. Segue então que o homossexualidade deve ter também um componente genético que independe de uma escolha consciente. Como a maioria dos instintos, provavelmente, a homossexualidade deve ser causada por vários genes o que permitiria variados graus de homossexualidade.

Além disso, pesquisas recentes mostram que cerca de 10% da população são homossexuais. Um número muito grande em termos estatísticos, principalmente se pensássemos que este traço significasse o fim da linha genética de seus portadores e, portanto, uma característica aparentemente prejudicial à perpetuação genética.

O fato de existir uma quantidade relativamente grande de homossexuais na população impede de lançarmos mão do “argumento mutagênico”. Sabemos que existem mutações genéticas deletérias, aquelas que causam a morte de seu portador. Mas estas mutações são muito raras uma vez que levam à morte seu portador juntamente com seus genes. Por isso o paradoxo homossexual sempre foi um problema espinhoso para os evolucionistas.

Contudo, se estudarmos a teoria evolucionista mais atentamente, verificaremos que o que está em jogo não é a vida dos portadores dos genes e sim os próprios genes. Se o paradigma da vida fosse a sobrevivência individual então uma mãe não arriscaria a própria vida para salvar a de seus filhos. O louva-deus não daria a vida por uma cópula bem sucedida e assim por diante. Ou seja, na natureza o que está realmente em jogo é a perpetuação genética. Os genes são a real essência da vida e isso é a chave para resolver este dilema.

Entretanto, pode-se argumentar que a pressão social contra este comportamento, na forma de preconceito anti-homossexual, poderia inviabilizar qualquer pretenso benefício genético. De fato, o argumento seria válido se o preconceito existisse há muitos milhares de anos, tempo suficiente para modelar os genes humanos. Mas o preconceito contra os homossexuais só foi forte com o advento das religiões “modernas” como cristianismo e o islamismo, antes dele, como na Grécia antiga, por exemplo, ele era não apenas tolerado como incentivado. Atualmente o poder religioso, principalmente nas modernas sociedades ocidentais, tem declinado bastante permitindo que o estigma homossexual deixe de ser visto como algo pecaminoso ou associado a algum comportamento imoral permitindo, como veremos, que as vantagens genéticas do traço possam suplantar o preconceito.

Como todo fenótipo, a homossexualidade também deve ser produto da interação entre genes e ambiente. Podemos então imaginar de que forma o ambiente sinalizaria aos “genes homossexuais” que deveriam agir e produzir a característica homossexual. Existem algumas teorias, baseadas em estatísticas recentes, que tentam explicar a vantagem da homossexualidade do ponto de vista evolutivo. Uma delas diz que os mesmos genes que causam a homossexualidade masculina são responsáveis por uma maior fecundidade dos parentes mulheres[1] isso poderia favorecer a sua disseminação e também explicar o paradoxo. Mas esta teoria não mostra, a nível quantitativo, que a transferência da fecundidade dos homens para as mulheres valha a pena. Outra teoria diz que os “genes homossexuais” poderiam ser ‘ligados’ ainda no útero materno: Se a mãe tivesse tido muitos filhos homens a natureza propiciaria que o próximo, se fosse homem, teria uma probabilidade maior de ser homossexual que os anteriores, ou seja, os hormônios maternos fariam com que os genes latentes da homossexualidade fossem ativados no estágio fetal.

Se o traço homossexual não for causado por um único gene dominante, isto é se o gene for recessivo ou a homossexualidade for promovida por vários genes então o paradoxo também pode ser explicado se aplicarmos uma variação da teoria do “Altruísmo Parental”. É isso que o genismo acha o mais provável.

Em alguns casos, dependendo do contexto ou do ambiente, é vantajoso para o gene que seu portador –o indivíduo- seja prejudicado em favor dos genes que estão nos seus parentes próximos (como uma mãe faz por seus filhos). Isso faz sentido se pensarmos que o homossexual não se casa e, permanecendo na casa materna, poderia, por exemplo, ajudar a família, a cuidar de seus futuros irmãos e sobrinhos. De qualquer modo, para que a teoria seja consistente os “genes da homossexualidade” deveriam propiciar melhores condições de sobrevivência para seus iguais nos corpos de seus parentes próximos. Além disso, o ambiente deveria atuar nos genes propiciando a homossexualidade quando: existissem muitos irmãos; quando a família fosse numerosa ou pobre; quando a sociedade estivesse saturada de pessoas gerando estresse nos pais. Ademais, filhos únicos homossexuais também deveriam ser raros. Claro que casos ocorridos durante a infância também poderiam deflagrar a homossexualidade se existisse a propensão genética, mas como isso varia muito, não poderíamos analisar todos os casos. Se as estatísticas não corroborarem estas hipóteses então deveríamos rever nossa teoria da influência ambiental no traço homossexual.

Assim sendo, podemos facilmente resolver o aparente paradoxo homossexual: A homossexualidade estaria ligada a perpetuação genética de seus portadores de forma indireta. Este comportamento favoreceria, na forma de um autêntico mecanismo darwiniano, seus parentes próximos: O homossexual, por não ter uma família tradicional, com mulheres e filhos, têm um potencial muito maior, em termos de tempo e de recursos, para o auto-desenvolvimento, para o aperfeiçoamento profissional e/ou cultural. Além disso, teria muito mais tempo para estabelecerem alianças ou vínculos de amizades. Tudo isso pode facilitar sua ascensão sócio-econômica, de poder ou política que, fatalmente, se refletirá em benefícios diretos ou indiretos a seus parentes, que tem alto compartilhamento genético como sobrinhos, irmãos e tios.

Concluindo, a “função” dos homossexuais, sob o ponto de vista genista, seria criar um batalhador, uma espécie de ‘guerreiro social’, que abriria caminho na competitiva sociedade humana para que seus parentes de sangue tivessem uma chance maior de perpetuarem seus próprios genes. Portanto, a modulação dos “genes homossexuais” pelo ambiente, uterino ou não, favoreceria estes genes de forma indireta conhecida na literatura da biologia evolucionista como altruísmo parental.

Uma das maiores geneticistas do país ( Dra. Mayana Zatz ) escreve:

“Apesar da atração pelo mesmo sexo manifestar-se às vezes só na idade adulta, todos nós conhecemos crianças que já demonstravam um comportamento típico do sexo oposto desde a mais tenra idade. Há meninos que gostam de brincar com bonecas ou usar as joias, sapatos de salto ou maquiagens de suas mães e meninas que preferem carrinhos ou brincadeiras violentas, mais agressivas. Muitos deles sofrem, e muito, com isso, porque percebem que são diferentes mas não conseguem mudar suas preferências. Acredito que isso também fale a favor de uma predisposição genética.”

Alguns vão se perguntar: “A, então o Felipe não acredita nos aspectos ambientais”, se pensou assim esta errado. Vou citar um exemplo simples, porém quero que entendam que não é uma comparação de linhas, não estou colocando a homossexualidade no patamar de doença, definitivamente não é isso.

Nós Psi. poderíamos explicar a homossexualidade através do Édipo, da superproteção materna ( sem o Édipo necessariamente ), dos traumas, etc… porém nós “estacionamos” quando durante anos, por longas e longas terapias, tentamos observar um “ex-gay”, alguém que conseguiu ultrapassar seus desejos e afetos pelo mesmo sexo e por um árduo trabalho psicológico conseguiu começar a se atrair pelo sexo oposto, não existe sequer 1 ( UM ) caso de gay, lésbicas, bissexual conseguir neutralizar seu desejo, o máximo que conseguiram foram reprimir o desejo e se abdicar do sexo ( coisa que heteros também fazem ). Nesse “estacionar” que damos, entendemos que se a homossexualidade fosse induzida ( como propõe em ignorância muitos profissionais e que da margem aos religiosos ficarem criticando a homossexualidade como se fosse mero comportamento ) poderia também ser revertida, o que nunca aconteceu, o que aconteceu foi a indução a um comportamento auto-destrutivo, chegando ao suicídio por não conseguir anular seu desejo. Diante disto entendemos que há fatores biológicos ( Genéticos e Endócrinos ) que impossibilitam a mudança na afetividade e no desejo, por tal a Associação Americana de Psiquiatria, de Psicologia, de Pediatras, escolas de Psicanálise determinam que ” a homossexualidade não é fruto de mera opção e é irreversível”. Então você me pergunta: “Aonde entra o fator psicológico?”

Bom, a muitos anos entendiamos a Esquizofrenia, a Depressão ( Uni e Bipolar ), o Autismo, como doenças puramente psicológicas, variantes de traumas, sofrimentos psiquícos, ambiente familiar ruim, etc… várias e várias teorias, até que a genética entrou e mostrou os componentes genéticos de tais patologias, por exemplo na depressão o fator genético é fundamental, assim como na esquizofrenia, pessoas que tem familiares assim tem uma pré-disposição genética para desenvolver a patologia no futuro, mas nem sempre isso acontece ( a pessoa desenvolve uma depressão ou uma esquizofrenia ), elas precisam de um “gatilho”, de um motivo, motivo esse que já se sabe que é o fator ambiental em muita das vezes ( existe outros fatores, como problemas hormonais, intoxicação por minerais, acidentes, etc… ), uma pessoa com uma pré-disposição genética a depressão se sofrer um uma carga muito grande de stress, sofrer um luto, uma perda, um conflito psiquíco terá “trocentas” vezes mais chances de aflorar a doença. Assim também é uma pessoa que tem um componente genético ( ainda não se sabe qual é o gene que estabelece, provavelmente não é só um, são vários ) que estabeleceria sua atração afetiva e sexual pelo mesmo sexo, porém essa atração ficaria “dormindo” até que um fator psicológico o desencadeasse, não se pode enumerar os fatores, mas citarei alguns:

 – A experimentação de um relacionamento com o mesmo sexo.

– Um conflito  psiquíco.

– Uma exposição ao seu trejeito.

A diferença entre as determinações genéticas ( das patologias e das orientações afetivos sexuais ) esta no simples viver, ninguém quer viver uma depressão, mas querem viver uma vida afetiva e sexual satisfatória e quando estão em desacordo com sua sexualidade ( mantendo relações com o sexo oposto quando a sua determinação genética o compôs para se relacionar com o mesmo sexo ) ele fica “saturado”, por muito ficam incapaz de sentir prazer de forma satisfatória com o sexo oposto o que o leva as indagações: “Será que eu gosto de outra coisa”, “Será que eu sou gay?”, “Será que eu gosto do mesmo sexo” e isso o leva a seguinte conclusão lógica: “Só da para saber se eu experimentar”, e ele experimenta e vê que é aquilo que o traz felicidade e um gozo pleno, porém ele também sabe que aquilo não é bem visto pela religião, sociedade, família e até por si mesmo e começa a entrar em conflito consigo mesmo e leva anos até conseguir se livrar dos dogmas e auto-preconceito. Assim funciona o fator externo ( psicológico e ambiental ). Mas lembre-se a comparação entre as pré-disposições genéticas que eu citei não colocam em pé de igualdade ( pelo contrário, bem longe ) do rol de patologias. 

 Por último deixo o comentário da Dra. Mayana Zatz: 

Seria uma anomalia?
“Na minha opinião, certamente não. Para quem é heterossexual às vezes é difícil entender, mas o fato de observar-se um comportamento semelhante em animais sugere também que existe uma predisposição genética. Eles não sabem o que a sociedade espera deles, o que é considerado “certo” ou “errado”. É interessante que em camundongos já foi observado que há um aumento de homossexualismo quando há uma superpopulação – talvez uma forma da natureza de controlar a explosão populacional.”

Sobre a homossexualidade no reino animal temos milhares de estudos, talvez o mais marcante deles seja sobre as Drosófilas que foram objetos de estudo para muitos comportamentos e características do ser humano.

Talvez a descoberta mais marcante a este respeito tenha sido por acaso. Pesquisadores brasileiros, ao estudarem os genes que davam as características das antenas de Drosófilas (Drosophila melanogaster), se depararam com uma prole composta exclusivamente de homossexuais. Ao alterarem os genes das drosófilas, acidentalmente os pesquisadores alteraram um gene que influenciou as moscas a ter este comportamento. Pode parecer bobo, mas nem sempre a ciência estava buscando os resultados que encontra. 

Este resultado é fortemente apoiador da teoria genética da homossexualidade, visto que mesmo sendo muito diferentes geneticamente dos humanos, as moscas possuem a mesma forma de transmissão de hereditariedade, o DNA.

Mais estudos sobre a teoria genética da homossexualidade, clique aqui.

Fontes:

http://veja.abril.com.br/blog/genetica/arquivo/homossexualidade-genetico-ou-ambiental/

http://www.genismo.com/genismotexto33.htm

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Ativista dos Direitos Humanos (Principalmente LGBTs ); Teólogo;Homeopata; Psicanalista, especialista em Sexualidade Humana, Filosofia, Sociologia;Blogueiro.

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