Homofobia Basta!

O que é realmente Homofobia? Quais suas consequências? #HomofobiaNAO #LGBT

Posted on: 20 de julho de 2011

O termo homofobia, cunhado na década de 1960 no campo da psiquiatria, serviu para compreender a gênese psicossocial do  estigma e do preconceito anti-homossexual.1 O conhecimento adquirido acerca deste fenômeno social tem grande vigência e utilidade para encarar o problema da  violência por preconceito.2 Vários estudiosos, principalmente nos  estados Unidos e na França, vêm discutindo diferentes alternativas terminológicas e modos de compreender os diversos aspectos do fenômeno. A abordagem psicológica da homofobia refere-se aos sentimentos e às percepções negativas a respeito da homossexualidade e às conseqüências que ambos têm na conduta individual. A abordagem sociológica analisa os mecanismos de reprodução da hostilidade contra o desvio da norma heterossexual. Na sua manifestação mais geral, esta hostilidade se expressa através da  reprovação que tem como alvo pessoas que não se ajustam às expectativas sociais relativas aos papéis de gênero. essa censura – tão comum entre crianças e adolescentes e tão pouco questionada pelos adultos – vai desde as piadas e as brincadeiras até atos de violência que, em determinados casos, chegam a ser letais.

– “Uma particularidade do surgimento do conceito de homofobia foi a virada que ele representou no pensamento científico a respeito da questão homossexual. O termo foi difundido no início da década de 1970, coincidentemente no momento da retirada da homossexualidade do Manual de Diagnóstico e Estatística (DSM) da Associação Psiquiátrica Americana. Em 1973, as autoridades desta associação profissional, dando razão à demanda de ativistas gays, declararam que a orientação homossexual não estava e nem podia ser associada a nenhuma psicopatologia. Paralelamente, nomear a hostilidade contra os homossexuais de fobia (categoria diagnóstica da psiquiatria, referida a reações irracionais de intenso medo perante determinada categoria 

de objetos) deslocava o problema. A homossexualidade deixava assim de se ser o “problema”; o que deveria ser analisado e controlado era o sentimento de hostilidade irracional contra ela. “

(Herek, 2004). –

Assim como existe uma homofobia geral, existem formas específicas de hostilidade contra as diversas orientações sexuais e expressões de gênero. no caso da lesbofobia, trata-se de uma forma de discriminação dupla, que articula a intolerância da orientação sexual à subordinação de gênero. É produzido, de um lado, um efeito social de invisibilidade e  negação de uma voz própria. É por isso que as feministas são freqüentemente acusadas de violentar a “natureza mansa” da feminilidade. ao mesmo tempo, é exercida uma violência específica, associada à lesbianidade. A transfobia representa uma das expressões mais violentas e nocivas da hostilidade por preconceito sexual. enquanto os homens e as mulheres homossexuais têm a possibilidade  de manter sua orientação em segredo – o que é  freqüentemente vivido como uma condenação ao silêncio – no caso das travestis (e, em certa medida, dos e das transexuais), acontece o inverso: pela sua expressão de gênero, elas estão permanentemente expostas a agressões.  a carência de oportunidades é marcada em muitos casos pelo abandono da escola. a situação de marginalidade em geral se aprofunda no final da infância, quando a escolha do gênero se apresenta como uma afirmação já clara, desencadeando muitas vezes a expulsão da família e a entrada na prostituição.

 – “A informação disponível sobre violência, incluindo violência letal, contra pessoas trans (especialmente travestis profissionais do sexo) é realmente alarmante. As sondagens mostram que quase 50% reportaram haver sofrido violência física por sua identidade de gênero. Entre os homens gays, a proporção dos que já foram agredidos fisicamente é muito menor: 20.3%. As ameaças e o abuso verbal são experiências generalizadas entre as pessoas trans: foram reportadas por 71.2% das que foram entrevistadas. No Brasil, travestis e transexuais costumam ser vítimas mais freqüentes de abuso sexual, fato muito mais comum entre as pessoas trans do que no resto da população LGBT do Brasil. Por exemplo, 22.5% das travestis e transexuais entrevistadas relataram ter sofrido este tipo de agressão, enquanto 6.6% dos homens gays passaram por este tipo de violência” – 

Para as ciências Psi. a Homofobia surge de 2 fatores.

1 – Do heterosexismo pregado pela Sociedade e pela maioria das religiões.

( Heterossexismo foi um termo proposto por Stephen Morin em 1977, e refere-se à ideia de que a heterossexualidade é a orientação sexual “normal” e “natural”. Ao considerar a heterossexualidade “normal”, contrapõe-se a ideia de que as outras orientações sexuais (homossexualidade e bissexualidade) são um desvio à norma e reveladoras de perturbação. Não são encaradas como um dos aspectos possíveis na diversidade das expressões da sexualidade humana. O considerar a heterossexualidade como “natural”, aponta para algo inato, instintivo e que não necessita de ser ensinado ou aprendido. O termo heterossexismo também é utilizado para designar os preconceitos existentes contra os homossexuais, bem como os comportamentos deles decorrentes. )

2 – O mecanismo de defesa psiquíco  formação reativa.

(Esse mecanismo substitui comportamentos e sentimentos que são diametralmente opostos ao desejo real. Trata-se de uma inversão clara e, em geral, inconsciente do verdadeiro desejo. Como outros mecanismos de defesa, as formações reativas são desenvolvidas, em primeiro lugar, na infância. As crianças, assim como incontáveis adultos, tornam-se conscientes da excitação sexual que não pode ser satisfeita, evocam conseqüentemente forças psíquicas opostas a fim de suprimirem efetivamente este desprazer. Para essa supressão elas costumam construir barreiras mentais contrárias ao verdadeiro sentimento sexual, como por exemplo, a repugnância, a vergonha e a moralidade. Não só a idéia original é reprimida, mas qualquer vergonha ou auto-reprovação que poderiam surgir ao admitir tais pensamentos em si próprios também são excluídas da consciência.

Infelizmente, os efeitos colaterais da Formação Reativa podem prejudicar os relacionamentos sociais. As principais características reveladoras de Formação Reativa são seu excesso, sua rigidez e sua extravagância. O impulso, sendo negado, tem que ser cada vez mais ocultado. Ou seja, para os leigos, toda pessoa que critica com base na “moral”, com muita rigidez, extravagância, alarde, gritaria esta na realidade querendo esconder o seu real desejo, quando ele diz por exemplo: “A homossexualidade é imoral”, ele esta querendo esconder o desejo de relacionar com alguém do mesmo sexo, ele precisa afirmar sua posição contrária para satisfazer seu ego e isso vira uma obsessão )

A respeito da Formação Reativa que foi por anos tido como algo empírico, hoje é comprovado científicamente.

Em 1996, três psicólogos convidaram 64 voluntários, todos homens heterossexuais, para uma pesquisa, classificando-os em muito ou pouco homofóbicos de acordo com um questionário preenchido pelos sujeitos. Depois disso, foram assistir a três vídeos eróticos de cerca de 4 minutos casa, um mostrando um casal heterossexual, outro com duas mulheres e um com dois homens. Um sensor media o aumento da circunferência peniana, que reflete o grau de excitação sexual, durante os filmes. O resultado é que não houve diferença entre o grau de excitação entre os homofóbicos e não-homofóbicos diante do filme com duas mulheres nem com um casal. Mas houve uma diferença significativa no grau de excitação entre os dois grupos diante do filme com os homens: adivinhem? O Grupo mais homofóbico foi o que ficou mais tempo vendo o filme Gay e mais tempo exitado!  E não foi só isso. Os participantes deviam assinalar o quão excitados estavam em cada um dos filmes, e normalmente não houve discrepância entre o que os sujeitos diziam e o quanto era medido pelo sensor, a não ser nesse caso, quando os homofóbicos diziam-se menos estimulados do que o verificado em seus corpos – olha aí de novo o aspecto inconsciente apontado por Freud. 

 

Só a um modo de combater a Homofobia: A educação.

Mas de forma “emergencial”, algumas medidas devem ser tomadas, visto que a concepção estereotipada dos gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis não irá sumir de um dia para o outro, visto isso é necessário ter uma lei que tipifique o crime de ódio contra LGBTs para inibir a agressão verbal e física, a anulação de direitos dos que possuem aversão a LGBTs. Alguns argumentam que a lei já inclui todos os tipos de preconceito, porém isso não é uma realidade, por falta de especificação um LGBT pode perder o emprego por conta de sua orientação sexual e identidade de gênero e ficar por “isso mesmo”, agressões contra LGBTs tem uma pena muito inferior a das agressões motivadas por aversão a negros, religiosos, etc… o sistema jurídico, assim como a policia contribui para um ambiente de “bem estar” para os homofóbicos, dando-lhes aval para cometer agressões contra LGBTs, pois sabem que “ficará por isso mesmo”

 – As pesquisas realizadas pelo CLAM nas paradas LGBT brasileiras indicam que 34.4% das pessoas trans entrevistadas sofreram discriminação e abusos perpetrados na escola por colegas ou professoras/es. Por esta razão, não surpreende que as pessoas trans possuam o menor nível de educação formal, se comparado com os de outras minorias sexuais. no Brasil, 17.8% dos gays entrevistados não completaram o ensino médio, enquanto entre as pessoas trans esse índice se eleva a 42.4%. Quase a metade (46.2%) das lésbicas entrevistadas fez estudos universitários, enquanto só 21.4% das pessoas trans freqüentaram a universidade. – 

 – No caso dos assassinatos, tanto no Brasil como no resto da américa Latina, a polícia não parece muito preocupada em investigá los. de uma amostra de 12 assassinatos de travestis acontecidos no Rio de Janeiro dos anos 80 até o início dos90, apolícia apenas solucionou dois casos, e só um dos assassinos foi condenado. de fato, a polícia constitui uma importante fonte de violência contra pessoas transgênero, principalmente contra travestis que realizam trabalho sexual. – 

                                     Não há justiça sem conhecimento!

 

Fontes

 http://www.unuead.ueg.br/moduloscursogde/modulo3/mod3_unidade2_texto2.pdf

http://sexualidadesnofeminino.blogspot.com/2006/04/heterossexismo.html

Adams, H., Wright, L., & Lohr, B. (1996). Is homophobia associated with homosexual arousal?Journal of Abnormal Psychology, 105 (3), 440-445 DOI: 10.1037/0021-843X.105.3.440 

Felipe Resende

http://www.homofobiabasta.wordpress.com

 


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Ativista dos Direitos Humanos (Principalmente LGBTs ); Teólogo;Homeopata; Psicanalista, especialista em Sexualidade Humana, Filosofia, Sociologia;Blogueiro.

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