Homofobia Basta!

Explicando os “fenômenos” da homossexualidade.

Posted on: 15 de julho de 2011

Bom, muita gente vem me perguntando sobre “ex-gays”, “interferência na orientação sexual”, “ambivalência sexual”, etc… aqui irei me resumir aos que falam que são “ex-gays” e aqueles que se descobrem atraídos pelo sexo oposto após a puberdade.

Há uma confusão muito grande no meio religioso com aqueles que se dizem “ex-gays” e vão dar seus testemunhos, quem fala que é “ex-gay”, certamente nunca foi gay.

Nós, somos seres bissexuais de nascença, esta tese não é defendida somente pela Psicologia ou Psicanálise, também é defendida pela Genética e pela Endocrinologia.

Freud diz: 

“A fim de explicar por que o resultado [da experiência sexual prematura] às vezes é a perversão e, às vezes, a neurose, valho-me da bissexualidade de todos os seres humanos” (Freud, 1895: 286 )

“A concepção resultante desses fatos anatômicos conhecidos de longa data é a de uma predisposição originariamente bissexual, que, no curso do desenvolvimento, vai-se transformando em monossexualidade, com resíduos ínfimos do sexo atrofiado” (Freud, 1905: 134 )

Bom, de acordo com Freud, todos nós nascemos bissexuais, independe da regra: Pênis procura vagina e vagina procura pênis como prega o popular. A concepção de Freud foi rejeitada por anos, porém com a evolução da ciência pode-se hoje comprovar a latência bissexual de todos os seres humanos. É interessante ressaltar que Freud fala do curso do desenvolvimento sexual a qual a monossexualidade ( homo ou hetero ) se estabelece de forma definitiva após a puberdade – excluindo-se ai a síndrome da infantilidade sexual -, como o fisiológico muitas vezes não acompanha o psicológico é certo afirmar que certos sujeitos experimentam atividades homossexuais e sentem prazer ( pois todos somos bissexuais de nascença ) e quando mantém um contato com o sexo oposto também sentem prazer ( pois todos somos bissexuais de nascença ), o que determinaria ai de fato uma homossexualidade ou não é a inclinação em conjunto com a prática, se ambas coincidirem podemos afirmar que tal pessoa é homo, hetero ou bissexual, a questão é que a inclinação e a prática de fato só se pode determinar após a puberdade, A Associação portuguesa de sexualidade em seu manual descreve:  “há de se fazer uma distinção entre pessoas com inclinações homossexuais, cuja orientação é homossexual e pessoas que na pratica, praticam atos homossexuais, consideramos o homossexual masculino ou feminino aquele que a inclinação e a pratica coincidem” ( Cadernos Socialgest ( manual da sexualidade, 2006, página 28 ) ). Ou seja, não é porque uma pessoa pratica atos homossexuais que realmente o seja, esta concepção vem porque a orientação sexual não é apenas “sexual”, é afetiva, espiritual, emocional, a inclinação homossexual seria esta: “Pessoas que se sentem atraídas por outras do mesmo sexo, de forma afetuoso, espiritual, estética e sexual”, e não somente sexual – que é o que acontecem com os que não tem uma inclinação homossexual -, estes praticam atos homossexuais, por serem prazerosos como os heterossexuais, visto que as zonas erógenas estão tanto em homos como em heterossexuais. Esta é uma explicação para o “ex-gay”, então ao ver na Tv, nos rádios, em jornais, alguém que se diz “ex-gay”, tenha em mente que ele pode nunca ter sido um gay realmente, apenas ter tidos relações homossexuais, o que não implica em homossexualidade, se implicasse, cerca de metade da população mundial seria homossexual ( segundo o relatório Kinsey ).

A outra posição a ser levantada é a da repressão homossexual, existem homossexuais de fato, que por opção decidem viver uma vida casta ( padres ), porém, estes nunca deixaram de ser homossexual, exemplo claro é o de Henri Jozef Machiel Nouwen, padre católico que lutou até o fim contra a sua sexualidade e não deixou de ser homossexual. A respeito do padre, Michael Ford sugere que Nouwen se tornou completamente pacificado com sua tendencia sexual nos últimos anos de sua vida, e que por um outro lado, sua depressão foi causada em partes por esse conflito entre seu voto de celibato e o sentimento de solidão e necessidade de intimidade que ele vivenciara. Ford conjecturou, “Isso se tornou um enorme jogo emocional, espiritual e fisico em sua vida, e pode ter contribuido para a antecipação da sua morte. “Não existem evidências que Nouwen em algum momento quebrou seus votos de celibato.

Porém Nouwem nunca falou que era um “ex-gay”, nunca foi hipócrita, sabia da sua luta contra a sua orientação sexual imutável, mas isto foi uma escolha dele ( por fatores religiosos ), que o levou a uma profunda depressão que acarretou em sua morte prematura segundo Ford. Mas há também aqueles que se reprimem por conta da religião, sociedade, família e filosofia que através da repressão, escondem sua sexualidade atrás de uma outra, que é irreal. Para estes, a Psicanálise explica de várias formas o “ex-gay”

Repressão.

A essência da Repressão consiste em afastar uma determinada coisa do consciente, mantendo-a à distância (no inconsciente) (1915, livro 11, p. 60 na ed. bras.). A repressão afasta da consciência um evento, idéia ou percepção potencialmente provocadoras de ansiedade e impede, dessa forma, qualquer “manipulação” possível desse material. Entretanto, o material reprimido continua fazendo parte da psique, apesar de inconsciente, e que continua causando problemas.

Segundo Freud, a repressão nunca é realizada de uma vez por todas e definitivamente, mas exige um continuado consumo de energia para se manter o material reprimido. Para ele os sintomas histéricos com freqüência têm sua origem em alguma antiga repressão. Algumas doenças psicossomáticas, tais como asma, artrite e úlcera, também poderiam estar relacionadas com a repressão. Também é possível que o cansaço excessivo, as fobias ( incluindo aqui a HOMOfobia ) e a impotência ou a frigidez derivem de sentimentos reprimidos.

Traduzindo: No caso do homofóbico, a pessoa através de um reluto sacrifício, empurra pro seu inconsciente a sua realidade, deixando a parecer de que tal pessoa é realmente ex-gay, porém a repressão tem um fator, ela cresce como uma represa sem vazão de água corrente e com o tempo tem de a transbordar e quando tal coisa acontece, ela vem em forma de psicopatologia: Depressão, Transtorno Bipolar, Fobias, Neuroses e Psicoses, ou até mesmo em um homossexual bem “solto”.

 2 – Negação

Negação é a tentativa de não aceitar na consciência algum fato que perturba o Ego. Os adultos têm a tendência de fantasiar que certos acontecimentos não são, de fato, do jeito que são, ou que na verdade nunca aconteceram. Este vôo de fantasia pode tomar várias formas, algumas das quais parecem absurdas ao observador objetivo. A seguinte estória é uma ilustração da negação:

Uma mulher foi levada à Corte a pedido de seu vizinho. Esse vizinho acusava a mulher de ter pego e danificado um vaso valioso. Quando chegou a hora da mulher se defender, sua defesa foi tripla: “Em primeiro lugar, nunca tomei o vaso emprestado. Em segundo lugar, estava lascado quando eu o peguei. Finalmente, Sua Excelência, eu o devolvi em perfeito estado”.

A notável capacidade de lembrar-se incorretamente de fatos é a forma de negação encontrada com maior freqüência na prática psicoterápica. O paciente recorda-se de um acontecimento de forma vívida, depois, mais tarde, pode lembrar-se do incidente de maneira diferente e, de súbito, dar-se conta de que a primeira versão era uma construção defensiva.

Para exemplificar a Negação, Freud citou Darwin, que em sua autobiografia dizia obedecer a uma regra de ouro: sempre que eu deparava com um fato publicado, uma nova observação ou pensamento, que se opunha aos meus resultados gerais, eu imediatamente anotava isso sem errar, porque a experiência me ensinou que tais fatos e pensamentos fogem da memória com muito maior facilidade que os fatos que nos são totalmente favoráveis.

Traduzindo: No caso “Ex-Gay”, ele pode ter vívido experiências homossexuais que não gostou e só lembra das partes ruins de tal, para isso fica salientando os prejuízos que a “homossexualidade” o causou , também acontece do homofóbico que ama ficar: “Eu não sou gay porque a Bíblia diz….”, “Eu não sou gay, porque minha educação…”, “Meu filho não é gay porque teve uma família…”, quando você perceber um monte de “Não” em relação ao próprio ditador, não esqueça da Negação.

3 – Projeção ( este não é necessariamente para um ex-gay, mais sim para um gay incubado que pode ou não ter revelado sua sexualidade um dia ou não )

O ato de atribuir a uma outra pessoa, animal ou objeto as qualidades, sentimentos ou intenções que se originam em si próprio, é denominado projeção. É um mecanismo de defesa através do qual os aspectos da personalidade de um indivíduo são deslocados de dentro deste para o meio externo. 

A ameaça é tratada como se fosse uma força externa. A pessoa com Projeção pode, então, lidar com sentimentos reais, mas sem admitir ou estar consciente do fato de que a idéia ou comportamento temido é dela mesma. 

Alguém que afirma textualmente que “todos nós somos algo desonestos” está, na realidade, tentando projetar nos demais suas próprias características. Ou então, dizer que “todos os homens e mulheres querem apenas uma coisa, sexo”, pode refletir uma Projeção nos demais de estar pessoalmente pensando muito a respeito de sexo. Outras vezes dizemos que “inexplicavelmente Fulano não gosta de mim”, quando na realidade sou eu quem não gosta do Fulano gratuitamente. 

Sempre que caracterizamos algo de fora de nós como sendo mau, perigoso, pervertido, imoral e assim por diante, sem reconhecermos que essas características podem também ser verdadeiras para nós, é provável que estejamos projetando. 

Pesquisas relativas à dinâmica do preconceito mostraram que as pessoas que tendem a estereotipar outras também revelam pouca percepção de seus próprios sentimentos. As pessoas que negam ter um determinado traço específico de personalidade são sempre mais críticas em relação a este traço quando o vêem nos outros.

Traduzindo: Pessoas que adoram criticar parte da personalidade de alguém como a sexualidade ( homossexualidade ) , pode estar criticando algo que esta em si mesmo, projetando nos outros.  

4 – Sublimação 

A energia associada a impulsos e instintos socialmente e pessoalmente constrangedores é, na impossibilidade de realização destes, canalizada para atividades socialmente meritosas e reconhecidas. A frustração de um relacionamento afetivo e sexual mal resolvido, por exemplo, é sublimado na paixão pela leitura ou pela arte.

Traduzindo: No “Ex-Gay”, ele pode ter sofrido com um relacionamento homossexual desgastante e acaba por dedicar todo o resto da sua vida escrevendo contra homossexuais, neste caso embora muito raro pode ocorrer um dupla defesa, aonde a pessoa projeta na outra o que ela sente e sublima em seus discursos. 

5 – Formação Reativa

Esse mecanismo substitui comportamentos e sentimentos que são diametralmente opostos ao desejo real. Trata-se de uma inversão clara e, em geral, inconsciente do verdadeiro desejo. Como outros mecanismos de defesa, as formações reativas são desenvolvidas, em primeiro lugar, na infância. As crianças, assim como incontáveis adultos, tornam-se conscientes da excitação sexual que não pode ser satisfeita, evocam conseqüentemente forças psíquicas opostas a fim de suprimirem efetivamente este desprazer. Para essa supressão elas costumam construir barreiras mentais contrárias ao verdadeiro sentimento sexual, como por exemplo, a repugnância, a vergonha e a moralidade.

 Não só a idéia original é reprimida, mas qualquer vergonha ou auto-reprovação que poderiam surgir ao admitir tais pensamentos em si próprios também são excluídas da consciência.

Infelizmente, os efeitos colaterais da Formação Reativa podem prejudicar os relacionamentos sociais. As principais características reveladoras de Formação Reativa são seu excesso, sua rigidez e sua extravagância. O impulso, sendo negado, tem que ser cada vez mais ocultado.

Traduzindo: Esse é o mecanismo mais comum no Incubado, no Ex-Gay, no Homofóbico, ele simplesmente ataca o que é porque não pode viver por causa de sua religião, família, cultura… Ou simplesmente porque acha reprovável e não quer viver, acaba assim por criar certa repugnância sobre seu desejo homossexual, seu moralismo em relação as condutas homossexuais e até que os impulsos avessos aos reais praticados para se ocultar mais ainda da realidade que é, prejudica seu relacionamento com quem faz parte do que ele próprio é!

Então podemos afirmar que não existe um ex-gay, existe alguém que praticou atos homossexuais e hoje não pratica mais porque não possui uma inclinação de fato homossexual e existem aqueles que não praticam mais atos homossexuais, porém nunca deixarão de ser homossexuais e para tal, apelam para mecanismos de defesa como a Repressão e a Negação que são instrumentos para ocultar a sua real identidade sexual. Quem reprime e nega sua sexualidade não deixa de ser homossexual, apenas deixa de praticar a homossexual, como Nouwem. 

Ai os religiosos tentam pegar casos de ex-praticantes de atos homossexuais sem serem de fato homossexuais e pregam uma “reversão sexual”, não há nada de reversivo, pois nunca existiu a concepção real do ser homossexual e pegam os sofridos reprimidos e colocam-os para falar que são ex-gays, não são, são apenas reprimidos, que ora irá “estourar”. Kinsey relata que: “37% dos homens e 13% das mulheres já tinham tido uma relação homossexual que lhes tinha proporcionado um orgasmo.” e nem por isso eram gays ou lésbicas, apenas como seres bissexuais atingiram o orgasmo pelo prazer que é possível obter em ambas as relações. 

Entendo como de fato, uma vida sadia aquele que vive de acordo com sua inclinação e em harmonia a pratica, no demais, é pura aventura, curiosidade ou repressão.

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Ativista dos Direitos Humanos (Principalmente LGBTs ); Teólogo;Homeopata; Psicanalista, especialista em Sexualidade Humana, Filosofia, Sociologia;Blogueiro.

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