Homofobia Basta!

Minha posição sobre a exibição de imagens de santos na parada do orgulho LGBT deste ano

Posted on: 4 de julho de 2011

Bom, o Arcebispo de São Paulo publicou a seguinte carta:

Eu não queria escrever sobre esse assunto; mas diante das provocações e
ofensas ostensivas à comunidade católica e cristã, durante a Parada Gay
deste último domingo, não posso deixar de me manifestar em defesa das
pessoas que tiveram seus sentimentos e convicções religiosas, seus símbolos
e convicções de fé ultrajados.

Ficamos entristecidos quando vemos usados com deboche imagens de santos,
deliberadamente associados a práticas que a moral cristã desaprova e que os
próprios santos desaprovariam também. Histórias romanceadas ou fantasias
criadas para fazer filmes sobre santos e personalidades que honraram a fé
cristã não podem servir de base para associá-los a práticas alheias ao seu
testemunho de vida. São Sebastião foi um mártir dos inícios do
Cristianismo; a tela produzida por um artista cerca de 15 séculos após a
vida do santo, não pode ser usada para passar uma suposta identidade
homossexual do corajoso mártir. Por que não falar, antes, que ele preferiu
heroicamente sofrer as torturas e a morte a ultrajar o bom nome e a
dignidade de cristão e filho de Deus?!


“Nem santo salva do vírus da AIDS”. Pois é verdade. O que pode salvar mesmo
é uma vida sexual regrada e digna. É o que a Igreja defende e convida todos
a fazer. O uso desrespeitoso da imagem dos santos populares é uma ofensa
aos próprios santos, que viveram dignamente; e ofende também os sentimentos
religiosos do povo. Ninguém gosta de ver vilipendiados os símbolos e
imagens de sua fé e seus sentimentos e convicções religiosas. Da mesma
forma, também é lamentável o uso desrespeitoso da Sagrada Escritura e das
palavras de Jesus – “amai-vos uns aos outros” – como se ele justificasse,
aprovasse e incentivasse qualquer forma de “amor”; o “mandamento novo” foi
instrumentalizado para justificar práticas contrárias ao ensinamento do
próprio Jesus.

A Igreja católica refuta a acusação de “homofóbica”. Investiguem-se os
fatos de violência contra homossexuais, para ver se estão relacionados com
grupos religiosos católicos. A Igreja Católica desaprova a violência contra
quem quer que seja; não apoia, não incentiva e não justifica a violência
contra homossexuais. E na história da luta contra o vírus HIV, a Igreja foi
pioneira no acolhimento e tratamento de soro-positivos, sem questionar suas
opções sexuais; muitos deles são homossexuais e todos são acolhidos com
profundo respeito. Grande parte das estruturas de tratamento de aidéticos
está ligada à Igreja. Mas ela ensina e defende que a melhor forma de
prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis é uma vida sexual
regrada e digna.

Quem apela para a Constituição Nacional para afirmar e defender seus
direitos, não deve esquecer que a mesma Constituição garante o respeito aos
direitos dos outros, aos seus símbolos e organizações religiosas. Quem luta
por reconhecimento e respeito, deve aprender a respeitar. Como cristãos,
respeitamos a livre manifestação de quem pensa diversamente de nós. Mas o
respeito às nossas convicções de fé e moral, às organizações religiosas,
símbolos e textos sagrados, é a contrapartida que se requer.

A Igreja Católica tem suas convicções e fala delas abertamente, usando do
direito de liberdade de pensamento e de expressão. Embora respeitando as
pessoas homossexuais e procurando acolhê-las e tratá-las com respeito,
compreensão e caridade, ela afirma que as práticas homossexuais vão contra
a natureza; essa não errou ao moldar o ser humano como homem e mulher.
Afirma ainda que a sexualidade não depende de “opção”, mas é um fato de
natureza e dom de Deus, com um significado próprio, que precisa ser
reconhecido, acolhido e vivido coerentemente pelo homem e pela mulher.

Causa preocupação a crescente ambiguidade e confusão em relação à
identidade sexual, que vai tomando conta da cultura. Antes de ser um
problema moral, é um problema antropológico, que merece uma séria reflexão,
em vez de um tratamento superficial e debochado, sob a pressão de
organizações interessadas em impor a todos um determinado pensamento sobre
a identidade do ser humano. Mais do que nunca, hoje todos concordam que o
desrespeito às leis da natureza biológica dos seres introduz neles a
desordem e o descontrole nos ecossistemas; produz doenças e desastres
ambientais e compromete o futuro e a sustentabilidade da vida. Ora, não
seria o caso de fazer semelhante raciocínio, quando se trata das leis
inerentes à natureza e à identidade do ser humano? Ignorar e desrespeitar o
significado profundo da condição humana não terá consequências? Será
sustentável para o futuro da civilização e da humanidade?

As ofensas dirigidas não só à Igreja Católica, mas a tantos outros grupos
cristãos e tradições religiosas não são construtivas e não fazem bem aos
próprios homossexuais, criando condições para aumentar o fosso da
incompreensão e do preconceito contra eles. E não é isso que a Igreja
Católica deseja para eles, pois também os ama e tem uma boa nova para eles;
e são filhos muito amados pelo Pai do céu, que os chama a viver com
dignidade e em paz consigo mesmos e com os outros.”

Publicado em O SÃO PAULO, ed. de 28.06.2011
Card. Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo

Senhor Odilo, venho pedir desculpas em nome da parte da população LGBT que não concordou com a exibição das imagens dos santos na parada Gay deste ano, foi uma exibição lastimável, lamentável, deplorável, desprovida de respeito para com a religião católica, uma afronta aos católicos, sem dúvida alguma. Eu não poupo críticas as Igrejas Cristãs pelo seu excesso de conservadorismo que na concepção psicanalítica só faz mal a psiqué humana, mas entendo que ofensa a religião alheia não é e nunca será o caminho a ser percorrido por um ambiente de paz e harmonia, muito pelo contrário, só irá contribuir para mais ódio e segregação, saliento que muitos LGBTs não gostaram e criticaram a posição da coordenação da Parada do Orgulho LGBT deste ano pela exibição de santos, também tenho conhecimento do acolhimento que a Igreja Católica em outrora fez a portadores de HIV, realmente sem questionar a sua orientação sexual.
Reitero que não fui participante de tal ato e não fui na Parada do orgulho LGBT deste ano por saber que tal fato iria acontecer.
Porém questiono os salafrários que se aproveitam da posição de alguns para tentar uma “união” com a comunidade católica para luta CONTRA os direitos da comunidade LGBT, sabendo a comunidade católica, os evangélicos e os LGBTs que tais pessoas chutaram a Imagem de Nossa Senhora em canal aberto da TV, que em suas pregações chamam os católicos de idólatras, necromantes, consultores de mortos, que não irão herdar o reino de Deus, hereges e tudo mais, julgando e nunca apontando os bons feitos da comunidade católica. Espero que a comunidade católica não caia em mais uma ladainha evangélica de ideologia preconceituosa. 
Atenciosamente, Felipe Resende.  

1 Response to "Minha posição sobre a exibição de imagens de santos na parada do orgulho LGBT deste ano"

Eu não vi nada demais nas imagens.

Mas isso fui eu, né?

Se pensarmos como cidadão médio e principalmente o católico a coisa muda de figura.

Não foi um gesto muito esperto de quem aprovou o uso daquelas imagens na parada gay.

Embora como sempre tenho dito e até a matéria do Guardian hoje confirma, o real oponente da causa LGBT no Brasil sejam os evangélicos, usar imagens como aquela num momento em que o grande adversário da causa são os religiosos mais conservadores só serviu para lhes dar de graça uma “prova ” material para justificar seu preconceito contra homossexuais.

Faria bem o movimento LGBT se evitasse esse tipo de coisa.

Afinal, creio que para o público a que se destinava, as imagens sem a caracterização de santo continuaria chamando atenção do mesmo jeito, tão belos eram os modelos.

Em resumo, eu não vi nada demais naquelas imagens, tenho certeza que muitos estão fazendo tempestade em copo d’agua – como pastor defendendo católico -, mas foi sim uma pisada na bola boba que se voltou contra a comunidade LGBT.

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Ativista dos Direitos Humanos (Principalmente LGBTs ); Teólogo;Homeopata; Psicanalista, especialista em Sexualidade Humana, Filosofia, Sociologia;Blogueiro.

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