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Homossexualidade feminina sob o olhar da psicanálise #LGBT

Posted on: 4 de julho de 2011

Ficheiro:1869 Frederic Leighton - Electra at the Tomb of Agamemnon.jpgPara a psicanálise o tema “homossexualidade feminina”, desde Freud até a atualidade, vem sendo alvo de estudos, pesquisas e especulações, que dão ao assunto o status de enigma. Sabemos, porém, que são múltiplas as nuances e inúmeros os percalços que podem levar o sujeito, biologicamente homem ou mulher, a escolha homossexual.
Tentar apreender a complexidade que tal escolha envolve não é tarefa fácil, embora tais dificuldades não nos impeçam de tentar este desafio.
Recorrendo a Freud, podemos vislumbrar o caminho a percorrer. Teorias elaboradas por ele, através da análise de pacientes neuróticos, destacam a importância das identificações com os pares parentais e do complexo de castração (presentes na teoria do Édipo) como fatores que desempenham papel fundamental na formação da sexuação.
A descoberta do Complexo de Édipo demonstra que a orientação do desejo e das escolhas feitas pelo sujeito, dentre elas a escolha de objeto de amor, são marcadas por investimentos objetais e identificações baseadas na vivência edípica, sempre dual.
Nos Três ensaios, Freud já observa que a pureza da masculinidade ou da feminilidade é equivocada e desenvolve o conceito de bissexualidade originária de um desejo inconsciente
“todo indivíduo revela uma mistura dos traços de caráter pertencentes a seu próprio sexo e ao sexo oposto e mostra uma combinação de atividade e passividade”. Freud, 1905 p.226. 
Nesse contexto, Freud vai admitir que na dinâmica psíquica do inconsciente, há no indivíduo toda a “condição” para inclinação tanto para um sexo, quanto para o outro, senão para ambos. Deste modo, a sexualidade humana, antes atrelada ao biológico ou social, passa a ser vista pela ótica da dinâmica psíquica do inconsciente. Em certo sentido, a sexualidade se pluraliza com a noção de bissexualidade originária. 
Na teoria freudiana, não haveria sentido ipso facto para o sujeito “tornar-se homossexual”. Não existe, portanto, uma receita, uma equação cartesiana ou um único caminho a ser seguido, que indique que o indivíduo escolha a homossexualidade em detrimento da heterossexualidade. Freud, no entanto, “perseguia” as origens psíquicas da homossexualidade como que tentando construir um caminho que o levasse às origens da sexualidade “perversa”, e quando referia-se a bissexualidade, queria dizer apenas que a sexualidade humana é tão incerta, que há possibilidades de “escolha” como objeto de desejo, tanto um homem quanto uma mulher, senão a ambos. A escolha sexual é da ordem do inconsciente, não é “planejada”, como também é contingencial toda a escolha vivenciada pelo sujeito no que diz respeito ao outro. 
Bem, se há uma disposição originária para a bissexualidade em todo ser humano e não existe fórmula que determine a escolha sexual, então como tornar-se homem ou mulher?
Freud considera que a diferenciação do homem e da mulher só ocorre tardiamente, ou seja, após a fase fálica, o que só é possível devido ao desenvolvimento da pulsão sexual.
Em seu trabalho “A organização genital infantil”, Freud nos mostra que, tornar-se homem ou mulher está condicionado a subjetivação da função fálica, ou seja, a forma com que cada um se vê em relação ao falo. Esta relação com o falo é sempre dolorosa, estando a angústia de castração de um lado e, do outro, a Penisneid.
Em seu trabalho intitulado “Homo, Hetero, Trans: O Enigma da Sexualidade, Dulce Duque Estrada destaca: “…Na dissolução do Complexo de Édipo, movido pelo temor da castração, o menino opta por retirar desta (mãe) a sua carga libidinal, para dirigi-la no futuro a outras mulheres, identificando-se com o pai, num processo aparentemente simples, embora sujeito a acidentes de percurso. Para a menina a coisa é bem mais complicada, envolvendo – a partir da decepção de constatar uma castração já efetuada- trocas de objeto (mãe pelo pai), de zona erógena (o clitóris pela vagina) e, em suma, de uma modo de satisfação ativo (o desejo de ser o falo para a mãe) por um modo passivo: receber o falo do pai.” O que garante a menina o acesso a feminilidade é, para Freud, o resultado do recalque da atividade sexual endereçada a mãe, primeiro objeto de amor.
Podemos ver, então, que tornar-se homem ou mulher envolve processos extremamente complexos, principalmente para a mulher, que além de estar condicionada ao recalque parcial da sexualidade, ainda se engaja em uma espera (sempre frustrada) de receber o falo do pai. Ela está, portanto, aprisionada a um registro masculino. Ainda segundo Dulce Estrada “… a única saída honrosa que Freud parece encontrar é a troca do desejo de obter o falo do pai pelo desejo de ganhar um filho do pai, criando, ao lado da equação “pênis=falo”, uma nova equivalência “filho=falo”, que não responde a questão do que é uma mulher, já que feminilidade e maternidade não são a mesma coisa”
Portanto é a experiência da decepção fálica, da castração o caminho possível para a mulher. É essa decepção, da ordem do desejo e da demanda, que, segundo Lacan, introduz a falta e a relação com o falo.
Então, a conclusão a que chegamos é que a castração na menina, que ocorre com todo esse processo de descoberta de que a mãe também é castrada, é o divisor de águas. A partir desse ponto, seu destino enquanto mulher pode tomar três vias: abandonar os impulsos sexuais tornando-se frígida; identificar-se com o pai, conduzindo ao “complexo de masculinidade” e, em alguns casos, provocando a homossexualidade ou, finalmente, escolher o pai como objeto de amor, ascendendo á feminilidade.
Ainda não conseguimos explicar, “claramente”, a (homo)sexualidade feminina . Não conseguimos explicar, diante de tanta complexidade, o que mais ainda influi nessa escolha. É um longo caminho a ser percorrido. Continuemos avançando…

[ Podemos observar, através de seus escritos, que tanto a homossexualidade, quanto a heterossexualidade, são resultados de caminhos pulsionais, fazendo com que uma seja tão legítima quanto a outra. Segundo Freud, é a partir do complexo de Édipo, baseado na bissexualidade original, que a “escolha do objeto” vai constituir-se, pois em todos os seres humanos desde o inicio da vida encontramos, ainda que no inconsciente, investimentos libidinais homossexuais e heterossexuais. Para Freud (1905), os homossexuais não possuem nenhuma qualidade especial que os torne um grupo à parte do resto da humanidade. Na perspectiva da psicanálise, desde a infância, nos estágios primitivos da sociedade e nos primeiros períodos da historia, a escolha do objeto recai igualmente em objetos femininos e masculinos, se desenvolvendo tanto os tipos normais quanto os invertidos. ] – Acréscimo do parágrafo meu.

Referência Bibliográfica:
FREUD, S. Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905) Op. cit .Rio de Janeiro: Imago, 1972, v.7.
FREUD, S. Organização Genital Infantil (1923) Op. cit. Rio de Janeiro: Imago 1972, v.19.
Gontijo, T. Quando uma mulher ama outra In Destinos da Sexualidade. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004
Duque Estrada, D. Homo, Hetero, Trans: o Enigma da Sexualidade In Destinos da Sexualidade. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004
rascunho 09:36:00 de Navegante Flaneur Excluir

Fonte: http://ajovemhomossexualdefreud.blogspot.com/2008/03/homossexualidade-feminina-os-traos-que_31.html

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Ativista dos Direitos Humanos (Principalmente LGBTs ); Teólogo;Homeopata; Psicanalista, especialista em Sexualidade Humana, Filosofia, Sociologia;Blogueiro.

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