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Deus condena a homossexualidade? #HomofobiaNAO

Posted on: 2 de julho de 2011

Deus Condena a Homossexualidade?

Levítico

A passagem de Levíticus parece condenar o comportamento homossexual, mas uma análise mais profunda nos traz outras informações mais acuradas. Em primeiro lugar, os cristãos de nossos dias não seguem as determinações e rituais que se encontram em Levíticos, os quais formam o código de preceitos judeus, ou a Lei Mosaica.

Um bom exemplo de como não podemos mais seguir as determinações de um contexto sócio-cultural de pouco mais de 4.000 anos atrás está na leitura do texto“Carta a um Fundamentalista”.

 

(LV 18:22) “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é;”

 

Em segundo lugar, os preceitos deste livro aparecem apenas no código sagrado de Levíticus, um manual de rituais dirigidos aos sacerdotes de Israel. Para uma melhor compreensão destes preceitos, é necessário analisar o contexto histórico e cultural do povo hebreu. Sua religião era baseada na adoração de um Deus único, na não-adoração de outros deuses ou ídolos, e na condenação de festas pagãs que promoviam orgias e prostituição feminina e masculina, tal qual ocorria com os cananeus, onde estas práticas eram comuns e abominadas pelos hebreus. Esta passagem é reforçada em Deuteronômio 23:17:

 

(DT 23:17) “Não haverá prostituta dentre as filhas de Israel; nem haverá sodomita dentre os filhos de Israel.”

O termo qadesh ou kedesh, literalmente, significa “abençoado” ou “sagrado”. Não há derivativo hebreu da palavra “sodomita” nesta passagem, tendo sofrido uma adaptação quando da tradução original, onde qadesh significava “templo de prostituição masculina”, locais que se ocupavam de rituais sexuais, sendo mau-traduzida e mal-interpretada nesta passagem como “sodomita” (de Sodoma) ou “homossexual”, em algumas versões. O termo qadeshaw tem o sentido de “templo de prostituição feminina”, o qual detinha a mesma finalidade. Freqüentemente é mal-traduzida como “meretriz” ou “prostituta”.

Segundo alguns autores, as palavras hebraicas aqui referidas dizem respeito à “fêmea sagrada” e à “prostitutos eunucos” que participavam de cultos à fertilidade cananita, dos quais Israel não tomava parte. Os autores bíblicos fizeram silêncio sobre a tema da homossexualidade em si, bem como a tradição do Novo Testamento deixada por Jesus. Na verdade, um silêncio muito significativo.

A idolatria praticada pelos cananeus não era bem vista pelos hebreus, a qual se caracterizava, inclusive, pela prática da prostituição tanto masculina quanto feminina, em homenagem a deuses e ídolos. Observando-se o contexto histórico, social e cultural, não é difícil perceber que o texto bíblico é uma condenação sutil às práticas religiosas dos cananeus. Mesmo assim, é importante ressaltar a necessidade de uma análise mais apurada das traduções envolvendo os textos bíblicos, onde uma palavra mal traduzida pode levar a graves erros de interpretação. Interpretações estas que acarretam, acima de tudo, ódio, preconceito e sofrimento num mundo onde Jesus veio pregar o amor universal.

A palavra “abominação”, por exemplo, aparece nas Escrituras como se referindo à inúmeras coisas. Em Isaías 1:13, Deus diz:

 

(IS 1:13) “Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembléias; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene.”

 

 

Interpretando o real sentido da passagem, Deus detesta incenso. Já em Ezequiel 16:

(EZ 16:2) “Filho do homem, faze conhecer a Jerusalém as suas abominações.”

 

No prosseguimento da passagem, fica claro que as “abominações” de Jerusalém são sua infidelidade para com Deus e a prática de sacrifícios de crianças, assassinatos e adultérios. Nesta passagem encontramos, inclusive, a descrição do pecado de Sodoma:

(EZ 16:49) “Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado.”

           

Este pecado é, novamente, descrito em Iaías 1:10-17, 3:9 e Jeremias 23:14.

Para uma elucidação maior acerca desta passagem, leia o referente à “abominação” descrita na Bíblia no link citado.

 

(1RS 14:24) “Havia também sodomitas na terra; fizeram conforme a todas as abominações dos povos que o SENHOR tinha expulsado de diante dos filhos de Israel.”

 

Em I Reis 14:24, novamente surge o termo “sodomita”, mas de acordo com os estudiosos, esta passagem, originariamente, se referia ao templo de prostituição. A palavra original qadesh está mal traduzida como “sodomita” na versão atual da Bíblia, mas significa “prostituto masculino”, “culto de prostitutos masculinos” ou “santuário de prostitutos masculinos”. O texto nada diz sobre relacionamentos homossexuais consentidos.

Em suma:

A atividade de prostituição, tanto heterossexual quanto homossexual praticada nos templos por prostitutos masculinos e prostituas femininas está claramente proibida pelas Escrituras (Velho Testamento). Era o repúdio dos hebreus à idolatria (adoração de outros deuses que não o Deus de Israel).

É importante observar que a Lei Mosaica descrita em Levíticus não se aplica aos cristãos:

 

(GL 3:22) “Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes.”

(GL 3:23) “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar.”

(GL 3:24) “De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados.”

(GL 3:25) “Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio.”

 

A fé nos liga à Cristo e não o Livro de Levíticus. Cristo trouxe para o homem a certeza de que o Amor é o caminho para se estar com Deus, falando sempre em justiça, perdão, fé e misericórdia.

A mesma passagem bíblica (Levíticus) cita outras condenações anunciadas por Deus:

– comer carne de porco (Levíticus 11:07)

– comer alguns frutos do mar (Levíticus 11:12)

– comer fruta de um árvore com menos de 05 anos (Levíticus 19:23)

– fazer cruzamento de raças de animais (Levíticus 19:19)

– cultivar duas plantas diferentes num mesmo jardim (Levíticus 19:19)

– usar uma vestimenta tecida com fios diferentes (Levíticus 19:19)

– ler o horóscopo, por exemplo, ou consultar uma cartomante (Levíticus 19:26)

– cortar o cabelo (Levíticus 19:27)

– raspar a barba (Levíticus 19:27)

– ser tatuado (Levíticus 19:28)

– semear a terra mais do que sete anos (Levíticus 25:04)

– nutrir mágoa de alguém (Levíticus 19:17)

– etc.

 

Muitas destas regras que aparecem em Levíticus e que se referem ao estado de pureza do homem deve ser interpretado à luz do tempo e do contexto no qual foram estabelecidos. O relacionamento homossexual era visto como algo fora do padrão aceito por aquela cultura, mas ressalte-se que sempre estava associado à prática da idolatria e à violência. Hoje, com exceção de alguns judeus ortodoxos, muitos estudioso tratam estas questões como interessantes dados históricos que já não fazem sentido quando literalmente aplicados em uma cultura científica e socialmente mais adiantada, conforme nossos dias.

Infelizmente, o erro maior dos fundamentalistas bíblicos está na inobservância do contexto cultural do tempo da criação da lei de Levíticus. O texto não explica porque é lícito comer peixe, mas é pecado comer carne de porco. O mesmo Levíticus não nos diz porque é proibido cortar o cabelo “arredondando os cantos da cabeça” ou raspar a barba, visto que não demonstra de onde adveio esta noção de proibidade. Se a barba é natural ao ser humano, sua sujeira também assim o é, devendo ser proibido, da mesma forma, o ato de se banhar e retirar o suor da pele. Se ao homem é lícito comer carne de carneiro por quê não pode comer carne de lebre? Existe a proibição, mas Deus não explica o porquê desta aversão à carne que Ele próprio colocou no mundo. é estranho descobrir um Deus que amaldiçoa sua própria Obra.

Curiosamente, o que se observa hoje é que todas estas proibições, com exceção da expressão da homossexualidade, foi esquecida. Corta-se o cabelo, faz-se a barba e come-se carne de porco ou lebre como se jamais tivessem sido estas práticas proibidas em Levíticus. Porém, a prática homossexual continua a ser apontada como impura perante os olhos de Deus porque é condenada em Levíticus, não importando as outras proibições, como se estas tivessem sido “revogadas” por Deus. Os textos bíblicos, entretanto, não especificam onde e de que maneira esta revogação supostamente aconteceu. Infelizmente, nem os próprios fundamentalistas sabem explicar isto. Não existe uma razão para se manter a proibição específica à homossexualidade e, por outro lado, desconsiderar as demais.

A questão principal é: aquele que não cumpre estas determinações de Deus já estaria condenado como pecador? Parece difícil, ou então, mais da metade da população da Terra estaria condenada, pois, dificilmente, nos dias de hoje, alguém abstém-se de cortar os cabelos por causa da Bíblia.

Grande parte das igrejas cristãs não utilizam o código judeu porque este não está mais ligado ao Cristianismo moderno. Hoje, cristãos que vão à missa, por exemplo, usam tatuagens, comem camarão ou carne de porco, usam roupas confeccionadas com algodão e poliéster etc. Porém, mesmo estando obsoleto para os cristãos, muitos clérigos ainda se utilizam das passagens deste código para atacar a homossexualidade, conforme suas interpretações pessoais.

Vamos colocar este texto sob o contexto da Bíblia como um todo. Não se pretende destacar um verso fora do contexto apenas, pois cada verso é uma parte de um grupo de centenas de regras e regulamentos chamados de “Lei”. Toda “lei” deve ser cumprida em sua íntegra, não sendo permitido cumprir “parte da lei”. Pelo menos é o que se pretende em relação às leis humanas. Acredita-se que com Deus não pode ser o contrário, pois então não seria infinitamente justo e bom.

Com relação à Levíticus, seu contexto está dentro dos seguintes capítulos:

01. Capítulos 1-7: regras sobre os diferentes tipos de oferendas e sacrifícios que deveriam ser feitos em preparação para a adoração a Deus.

02. Capítulos 8-10: regras para os sacerdotes com relação a oferendas e sacrifícios e outros deveres sacerdotais.

03. Capítulo 11: regras sobre comidas (alimentos) puros e impuros, sendo proibido comer carne de porco, camarão, e permitido comer escaravelhos gafanhotos e grilos.

04. Capítulo 12: regras sobre purificação de uma mulher depois do nascimento de uma criança e circuncisão de meninos como um dever.

05. Capítulo 13-14: regras relacionadas à desordens da pele, desde lepra até sarna, caspa, eczemas e manchas.

06. Capítulo 15: regras sobre purificação de mulheres depois de seu período menstrual e para homens com produção de prurido seminal.

07. Capítulo 16: mais regras sacerdotais

08. Capítulo 17: regras sobre não comer sangue

09. Capítulo 18: regras sobre sexo

10. Capítulo 19: regras sobre comportamento razoável com outros, não-cruzamento de animais ou mistura de frutos (enxertos são um pecado), não mistura de tecidos (poliéster ou algodão misturados, por exemplo), impedimento de corte de cabelos ou barba, entre outros.

11. Capítulo 20: regras sobre sexo: se um homem pratica sexo com uma mulher no seu período menstrual, ambos devem ser isolados do meio social, e se um casal comete adultério devem receber a pena capital.

12. Capítulo 25: regras sobre o uso da terra.

 

De acordo com os liberais, enquanto Jesus estava na Terra, a Lei ainda imperava. Entretanto, no momento em que ele cumpriu sua missão terrena, a Lei foi revogada. Depois de sua morte, a cortina que causava a separação entre Deus e homem foi aberta.

 

(RM 2:12) “Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados.”

 

Assim, todo aquele que usar a lei, também a ela deverá obediência, bem como promover todos aqueles preceitos anteriormente citados, como adoração num tabernáculo, comer besouros e gafanhotos ao invés de camarão e carne de porco, por exemplo.

Parece ser um tanto difícil, hoje, com exceção dos judeus ortodoxos, encontrar algum cristão que pratique os preceitos de Levíticus em sua íntegra. Ao contrário, o que se vê é a utilização destes preceitos para condenar e julgar. Infelizmente, é o lado imperfeito do homem julgando o seu próximo.

Aquele que tentar justificar a proibição da homossexualidade através de Levíticus e outras passagens similares, está preso à necessidade de aderir toda a lei do Velho Testamento. Paulo deixa isso claro:

 

(GL 5:3) “E de novo protesto a todo o homem, que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei.”


Paulo lembra que quem quer que deseje seguir qualquer “parte” da Lei é um “devedor” de toda a lei.

A verdade maior do cristianismo está em Cristo, o qual preencheu a lei mosaica. A única lei que se deve seguir, agora, é a lei do Amor:

 

(RM 13:8) “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei.”
(RM 13:9) “Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.”
(RM 13:10) “O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor.”

Sodoma e Gomorra 

(GN 18:21) “Descerei agora, e verei se com efeito têm praticado segundo o seu clamor, que é vindo até mim; e se não, sabê-lo-ei.”
(GN 18:22) “Então viraram aqueles homens os rostos dali, e foram-se para Sodoma; mas Abraão ficou ainda em pé diante da face do SENHOR.”


Para os fundamentalistas, Deus destruiu as antigas cidades de Sodoma e Gomorra devido à prática de atos homossexuais por seus habitantes. Entretanto, esta passagem bíblica merece uma análise mais aprofundada para se evitar erros de interpretação.

Prevalecem aqui inúmeras questões. Deus enviou os anjos para Sodoma para averiguar se haviam justos na cidade que justificassem a sua salvação.

Em Gêneses 18: 16-33, Deus fala à Abraão de seu plano para Sodoma e Gomorra e Abraão implora por estas cidades por causa de seu sobrinho Lot. Enquanto Abraão e Deus estão conversando, os outros dois anjos vão para Sodoma. Se lembrarmos que Deus é Onisciente (tudo conhece), deve-se supor que Ele “sempre soube” que as duas cidades seriam destruídas. Desta forma, fica um tanto confuso admitir que Ele enviou dois anjos à Sodoma para “verificarem a situação da cidade”. Além disso, não há menção no Gêneses sobre a discussão de Deus com Abraão anterior à destruição de Sodoma e Gomorra que indicaria a homossexualidade como causa da queda das duas cidades.  

Segundo o Gêneses, Deus enviou os anjos à Sodoma, e Ló, sobrinho de Abraão, convenceu-os a permanecerem hospedados em sua casa. Para a tradição hebraica, todo estrangeiro deveria ser tratado da melhor forma possível, com respeito e hospitalidade. De acordo com a passagem, a casa de Ló foi cercada por “todo o povo de Sodoma”.

 

(GN 19:4) “E antes que se deitassem, cercaram a casa, os homens daquela cidade, os homens de Sodoma, desde o moço até ao velho; todo o povo de todos os bairros.”


Os habitantes de Sodoma (todos, inclusive velhos e crianças), desejosos de verem os dois estrangeiros, exigiram que Ló os apresentasse à multidão para que os “conhecessem”. A palavra “conhecer” (em hebreu yadha) significa “conhecer profundamente”, expressando tanto a intenção de examinar as credenciais (identificação) de visitantes ou, em outros casos, implica o termo em “ter relações sexuais com alguém”.

(GN 19:5) “E chamaram a Ló, e disseram-lhe: Onde estão os homens que a ti vieram nesta noite? Traze-os fora a nós, para que os conheçamos.”  

Para os fundamentalistas, o pecado de Sodoma se encontra no segundo caso, numa tentativa de estupro dos visitantes por parte dos moradores. Isto leva Ló a oferecer suas duas filhas virgens à multidão furiosa, a qual quebrara as regras de hospitalidade. O povo recusa a oferta e os anjos terminam por cegá-los. Ló e sua família fogem da cidade, enquanto esta é destruída.

Neste meio tempo, Deus já havia decretado a sentença de Sodoma: a destruição. Observa-se que esta sentença se deve aos pecados de Sodoma e não ao incidente com os anjos. Então, quais pecados acarretaram a sua destruição? No que diz respeito ao desejo dos habitantes de “conhecerem” sexualmente aos dois anjos, é de estranhar que todos os habitantes (inclusive crianças) participassem da tentativa de estupro. Desconhece-se qualquer cultura na história da humanidade onde seus membros fossem predominantemente homossexuais, ou seja, a mesma orientação sexual para a população masculina como um todo. O fato de haver “jovens e velhos” indica que alguém, de alguma forma, em algum momento, praticou atos heterossexuais, caso contrário, estes jovens e velhos não teriam nascido na cidade.

Outro ponto que chama a atenção é que Ló ofereceu suas filhas à turba. Se os habitantes de Sodoma fossem homossexuais, Ló não teria feito tal oferta. Então, isso leva a crer que os habitantes não eram exclusivamente heterossexuais. Outra indagação que se faz é o fato de que Deus não pareceu se importar com a oferta de Ló ao oferecer suas duas filhas para serem estupradas. Além disso, se o caráter do crime de Sodoma era meramente sexual, não se sabe por que Deus não puniu Ló e suas duas filhas em Gêneses 19:30-36:

 

(GN 19:30) “E subiu Ló de Zoar, e habitou no monte, e as suas duas filhas com ele; porque temia habitar em Zoar; e habitou numa caverna, ele e as suas duas filhas.”

(GN 19:31) “Então a primogênita disse à menor: Nosso pai já é velho, e não há homem na terra que entre a nós, segundo o costume de toda a terra;”

(GN 19:32) “Vem, demos de beber vinho a nosso pai, e deitemo-nos com ele, para que em vida conservemos a descendência de nosso pai.”

(GN 19:33) “E deram de beber vinho a seu pai naquela noite; e veio a primogênita e deitou-se com seu pai, e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou.”

(GN 19:34) “E sucedeu, no outro dia, que a primogênita disse à menor: Vês aqui, eu já ontem à noite me deitei com meu pai; demos-lhe de beber vinho também esta noite, e então entra tu, deita-te com ele, para que em vida conservemos a descendência de nosso pai.”

(GN 19:35) “E deram de beber vinho a seu pai também naquela noite; e levantou-se a menor, e deitou-se com ele; e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou.”

(GN 19:36) “E conceberam as duas filhas de Ló de seu pai.”

 

Deus poupou Ló e suas filhas da destruição de Sodoma. Gêneses 19:33-36 descreve como as filhas embebederam Ló e cometeram incesto com o pai. Deus destruíra duas cidades inteiras por causa da homossexualidade, mas salvou duas pessoas do lugar para que pudessem cometer incesto?

Enfim, Deus destruiu a cidade com fogo e enxofre, matando todos os homens, suas respectivas mulheres e outros adultos, bem como as crianças, recém-nascidos, nascituros etc. A Bíblia não diferencia, a partir destes versos, se Deus destruiu a cidade porque seu povo não praticava a caridade e abusava dos estrangeiros, se tentaram o estupro contra os anjos enviados por Deus ou se praticavam atos homossexuais.

Aqueles que admitem que o povo de Sodoma foi destruído porque desejavam praticar um estupro com os anjos do Senhor, devem também concluir que todas as mulheres da cidade eram lésbicas. Se as cidades foram destruídas por causa da homossexualidade, Deus não poupou as mulheres porque seus maridos e filhos eram homossexuais e, consequentemente, elas também eram sexualmente orientadas para o mesmo sexo?

            A maior parte das igrejas cristãs vê como verdadeira tão somente a última hipótese, tendo daí derivado o termo sodomia, ou intercurso anal. Muitas delas preferem ignorar a alusão de que os anjos teriam sofrido uma tentativa de violência porque o fato dos habitantes de Sodoma serem homossexuais já englobaria o ato de estupro. Já os estudiosos das Escrituras aceitam como verdadeira a primeira hipótese, pois analisando o contexto sócio-cultural da época, nada mais evidente do que o desprezo dos hebreus pela falta de hospitalidade. Sodoma era vista como uma cidade não-hospitaleira, e isso desagradava os hebreus. Seguindo esta linha de pensamento, os estudiosos buscam na própria Bíblia a confirmação desta teoria: em Mateus, 10:14-15 e Lucas 10:07-16, Jesus explica que o pecado de Sodoma foi a falta de hospitalidade para com os estrangeiros.

Os sodomitas (habitantes de Sodoma e não o termo hoje derivado) rejeitavam Deus. Poderia o seu pecado ser mais óbio do que este? 

Talvez a resposta para estas dúvidas esteja em Ezequiel 16:49:

 

“Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado”.

 

Ezequiel nos revela que a falta de amor ao próximo, a falta de hospitalidade e o orgulho foram seus pecados maiores. Se a homossexualidade também estivesse envolvida, deveria ser pelo ato de violência e constrangimento, o que hoje chamamos de estupro. Assim, presume-se que a destruição de Sodoma se deu pelos pecados da injustiça, idolatria, egoísmo, adoração de ídolos, violência e desrespeito.

Entretanto, esta presunção nos leva a formular uma nova e importante questão: se todos estes fatos deram causa à destruição de Sodoma, por quê não vamos hoje cidades inteiras mergulhadas nos mesmos pecados padecendo sob o mesmo julgamento? Há tanta iniqüidade, desrespeito ao próximo, violência, egoísmo, luxúria e abuso sexual no mundo contemporâneo quanto no tempo de Sodoma, mesmo assim, Deus parece tolerante diante deles. Será que Sua aparente omissão é proposital? Ou Ele prefere que os homens aprendam com seus próprios erros? Se assim for, sendo Ele Deus, Onipresente, Onipotente e Onisciente, infinitamente justo e bom, por quê não agiu da mesma forma com relação à Sodoma?

Segundo os textos bíblicos, o povo de Sodoma violou a lei de hospitalidade aos estrangeiros, consagrada pela religião hebraica. O verbo yadha (conhecer), constante nesta passagem, é encontrado em outras 943 passagens das Escrituras e somente em dez delas detém o sentido de intercurso sexual e se refere a relações heterossexuais. Se houve uma condenação de Sodoma por um motivo sexual, pode ter sido pelo crime de estupro, um ato violento de extrema falta de hospitalidade e que é condenável em todos os sentidos, seja homossexual ou heterossexual.

Era prática comum dos povos daquele tempo humilhar um soldado inimigo submetendo-o ao intercurso anal. Não era intencionado como um ato de prazer sexual, mas um ato de humilhação de um homem heterossexual por outro. A humilhação consistia em tratar o inimigo como uma mulher, vista no contexto cultural da época, como um ser inferior.

A hospitalidade era algo de extrema importância no Oriente Médio, por causa das condições do deserto, onde havia sempre carência de água e comida. O gesto de prover água potável, comida e abrigo significava a diferença entre a vida e a morte. Assim, todo viajante tinha garantidas estas necessidades uma vez que um família hospitaleira lhe proporcionasse isso. Este abrigo configurava, inclusive, a proteção do indivíduo de toda forma de agressão exterior, inclusive de pessoas.

Ao violar a segurança dos convidados de Ló, o povo de Sodoma tentou quebrar esta lei de vida e de morte. Era tanto uma necessidade social quanto um costume cultural daquele tempo.

Geralmente, quando se referem à Sodoma, os autores nunca mencionam o tema “homossexualidade”, mas sim o pecado da idolatria, do paganismo e do desrespeito ao próximo. Este povo rejeitava a idéia de um Deus único, não praticava a caridade ou a hospitalidade.

As passagens abaixo relacionadas e constantes na própria Bíblia, explicam muito bem qual foi o pecado de Sodoma:

(Deuteronômio 29:23-26) “E toda a sua terra abrasada com enxofre, e sal, de sorte que não será semeada, e nada produzirá, nem nela crescerá erva alguma; assim como foi a destruição de Sodoma e de Gomorra, de Admá e de Zeboim, que o SENHOR destruiu na sua ira e no seu furor.” “E todas as nações dirão: Por que fez o SENHOR assim com esta terra? Qual foi a causa do furor desta tão grande ira?” “Então se dirá: Porquanto deixaram a aliança do SENHOR Deus de seus pais, que com eles tinha feito, quando os tirou do Egito;” “E foram, e serviram a outros deuses, e se inclinaram diante deles; deuses que eles não conheceram, e nenhum dos quais lhes tinha sido dado.”

(Ezequiel 16:47) “Todavia não andaste nos seus caminhos, nem fizeste conforme as suas abominações; mas como se isto fora mui pouco, ainda te corrompeste mais do que elas, em todos os teus caminhos.” “Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não fez Sodoma, tua irmã, nem ela, nem suas filhas, como fizeste tu e tuas filhas.” “Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado.” “E se ensoberbeceram, e fizeram abominações diante de mim; portanto, vendo eu isto as tirei dali.”.

 

Hoje, muito se discute sobre a veracidade da história de Sodoma e Gomorra. Não existem dados concretos capazes de comprovar que estas cidades realmente existiram. E, se Deus é justo, é estranha a imagem Dele que hoje se encontra no Velho Testamento: um Deus que julga, pune e castiga, um Deus que muda de opinião mediante a argumentação com o homem, como se observa em Gêneses 18:22-33:

 

(GN 18:22) “Então viraram aqueles homens os rostos dali, e foram-se para Sodoma; mas Abraão ficou ainda em pé diante da face do SENHOR.”

(GN 18:23) “E chegou-se Abraão, dizendo: Destruirás também o justo com o ímpio?”

(GN 18:24) “Se porventura houver cinqüenta justos na cidade, destruirás também, e não pouparás o lugar por causa dos cinqüenta justos que estão dentro dela?”

(GN 18:25) “Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra?”

(GN 18:26) “Então disse o SENHOR: Se eu em Sodoma achar cinqüenta justos dentro da cidade, pouparei a todo o lugar por amor deles.”

(GN 18:27) “E respondeu Abraão dizendo: Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza.”

(GN 18:28) “Se porventura de cinqüenta justos faltarem cinco, destruirás por aqueles cinco toda a cidade? E disse: Não a destruirei, se eu achar ali quarenta e cinco.”

(GN 18:29) “E continuou ainda a falar-lhe, e disse: Se porventura se acharem ali quarenta? E disse: Não o farei por amor dos quarenta.”

(GN 18:30) “Disse mais: Ora, não se ire o Senhor, se eu ainda falar: Se porventura se acharem ali trinta? E disse: Não o farei se achar ali trinta.”

(GN 18:31) “E disse: Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor: Se porventura se acharem ali vinte? E disse: Não a destruirei por amor dos vinte.”

(GN 18:32) “Disse mais: Ora, não se ire o Senhor, que ainda só mais esta vez falo: Se porventura se acharem ali dez? E disse: Não a destruirei por amor dos dez.”

(GN 18:33) “E retirou-se o SENHOR, quando acabou de falar a Abraão; e Abraão tornou-se ao seu lugar.”

Os estudiosos afirmam que estamos diante da inevitável conclusão de que as atividades condenadas de Sodoma não tinham nada a ver com a homossexualidade

Há muito que se analisar quando nos referimos aos julgamentos divinos e não nos basearmos em meras interpretações pessoais de alguns religiosos. O mais importante, ao que tudo indica, é recordar que Jesus Cristo nos trouxe a mais linda mensagem sobre Deus: que Ele é Amor.

Para infelicidade dos homossexuais, principalmente aqueles que procuram na Bíblia uma palavra de conforto, muitas traduções descrevem o pecado de Sodoma como sendo a fornicação, a imoralidade sexual, a perversão sexual, a homossexualidade e a luxúria.

Por outro lado, para felicidade de muitos, os estudiosos afirmam que há uma inevitável conclusão: que as atividades condenáveis de Sodoma não tinham qualquer cunho sexual.

 

Deutoneurônio

(DT 23:17) “Não haverá prostituta dentre as filhas de Israel; nem haverá sodomita dentre os filhos de Israel.”

(DT 23:18) “Não trarás o salário da prostituta nem preço de um sodomita à casa do SENHOR teu Deus por qualquer voto; porque ambos são igualmente abominação ao SENHOR teu Deus.”

Segundo alguns autores, existe um erro de tradução nesta passagem, tal qual analisada em Levíticus, cometido pelos copistas que traduziram os textos bíblicos. Segundo eles, a palavra qadesh, no texto original, foi mal-traduzida como sodomita. Qadesh é utilizado para se referir ao homem que praticava rituais de prostituição no templo. Outras traduções da Bíblia usam termos precisos, originalmente significando “templo de prostituas”, “culto de prostitutas” ou “santuário de prostitutas”, não significando, contudo, a prostituta “em si”.

To’ebah é um termo técnico para aquilo que é ritualmente “impuro”, como uma roupa combinada com fios diferentes, porcos ou mesmo a relação sexual com mulher menstruada. Não se refere a um tema moral ou ético.

Para os hebreus, homens agindo como mulheres eram vistos como sendo atos impuros diante das práticas realizadas em outras culturas que valorizavam rituais de idolatria envolvendo sexo. Entretanto, para Cristo, o “embaixador de Deus na Terra”, a visão de impureza era diferente:

(MC 7:18) “E ele disse-lhes: Assim também vós estais sem entendimento? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar,”

(MC 7:19) “Porque não entra no seu coração, mas no ventre, e é lançado fora, ficando puras todas as comidas?”

(MC 7:20) “E dizia: O que sai do homem isso contamina o homem.”

(MC 7:21) “Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios,”

(MC 7:22) “Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura.”

(MC 7:23) “Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem.”

 

Paulo de Tarso, numa comparação à própria Lei de Levíticus, lança dúvidas com relação a este antigo código hebreu:

(RM 14:14) “Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda.”

          Para Deus, algumas das proibições em Levíticus se dão por causa da impureza que pode chegar ao homem. Mas Paulo diz que nenhuma coisa em si mesma é imunda (impura), a não ser para aquele que a tem como imunda.

 
 
Abominação 

O termo “abominação” (to’ebah ou toevah) é um termo religioso, usualmente utilizado para condenar a idolatria e não propriamente um mal moral. De acordo com alguns autores, o verso bíblico parece se referir ao templo de prostituição, uma prática comum no Oriente Médio na época de Moisés. Qadesh se referia aos homens que praticavam a prostituição religiosa como forma de idolatria, prática comum entre os povos politeístas. A passagem está cercada por outras contra o incesto, a bestialidade, o adultério e relações sexuais com mulher menstruada. Entretanto, segundo os estudiosos, é o único verso desta passagem que utiliza o termo religioso abominação.

(LV 18:22) “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é;”

(LV 20:13) “Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles.”

Esta condenação a atos homossexuais advém de várias causas: sociais, culturais, ritualísticas e históricas.

Uma pequena e fortificada comunidade como a dos judeus necessitava de uma poderosa ética social para a procriação a fim de garantir a perpetuação de seu povo diante da tremenda taxa de mortalidade infantil, doenças, baixa expectativa de vida e guerras constantes. A procriação era valorizada como uma benção de Deus e uma prova de sua satisfação. A esterilidade era vista como uma maldição de Deus e justificativa para se abandonar uma esposa, já que os homens nunca eram vistos como os prováveis “culpados” da falta de filhos de um casal.

(DT 7:14) “Bendito serás mais do que todos os povos; não haverá estéril entre ti, seja homem, seja mulher, nem entre os teus animais.”

 

A sociedade patriarcal da antiga comunidade dos hebreus enfatizava a dignidade do homem sustentada, politicamente, por batalhas vitoriosas, domesticamente, por dominarem suas mulheres e, biologicamente, por meio da procriação.

Os atos homossexuais ficaram culturalmente estigmatizados no Oriente Médio como um sinal de submissão e desprezo. Os Egípcios, por exemplo, estupravam publicamente seus inimigos derrotados (homens e mulheres) a fim de humilha-los. As mulheres, por serem consideradas inferiores. E os homens, para compara-los às mulheres.

Em nenhuma passagem da Bíblia existe uma condenação da homossexualidade em si. Os autores bíblicos sempre enfatizaram como sendo ela uma “circunstância agravante” de outras práticas, como a idolatria, a prostituição com rituais sagrados, promiscuidade, estupro violento e sedução de crianças.

A cultura presente entre os cananeus, por exemplo, costumava praticar a adoração de ídolos, algo “abominável” perante Deus, segundo os hebreus.

Além disso, existia entre os hebreus a noção do pecado original, bem como um conceito de que a semente do macho que fosse desperdiçada significava a “não-geração” de um novo filho de Israel.

Segundo os estudiosos, no livro de Levíticus a palavra “abominação” é traduzida da palavra hebraixa toevah, a qual se refere, especificamente, a ídolos. Uma vez que a cultura do povo cananeu incluía ritos de fertilidade e que eram, na verdade, várias espécies de intercurso sexual nos templos, qualquer identificação com aqueles ritos era considerada desagradável aos olhos de Deus. Toevah pode ser interpretada como alguma coisa que desagradava Deus porque ela tinha de ser praticada com ídolos.

Sugerir que as proibições desta passagem em Levíticus se referem à homossexualidade é recusar em reconhecer como também aplicáveis outras sansações contra atividades associadas pelos sacerdotes levíticos da época com a adoração praticada pelos cananeus, também vistas como “abominações”.

Cartas Paulinas

Romanos 1:26-27

(RM 1:25) “Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.”
(RM 1:26) “Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.”
(RM 1:27) “E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.”


Jesus Cristo nunca se referiu à homossexualidade, tanto que, analisando os livros dos quatro evangelistas, não encontramos qualquer alusão do Mestre aos relacionamentos sexuais envolvendo pessoas do mesmo sexo. Paulo de Tarso, um judeu que se converteu ao cristianismo, é o único que se refere ao tema, mas de modo nada explícito.

As cartas de Paulo, com toda a certeza, não podem fornecer qualquer resposta específica aos anseios dos fundamentalistas que tentam justificar sua aversão à homossexualidade com bases bíblicas. Nos escritos de Paulo, nem a prática homossexual nem a promiscuidade heterossexual nem sequer outro vício específico é identificado como pecado.

Na sua visão do pecado fundamental, por exemplo, do qual todos os males particulares derivam, a idolatria é uma adoração que vem antes do Criador, pois admite que para se adorar um deus é necessário adorar sua imagem material.

À primeira vista, Paulo parece condenar a atividade homossexual. Paulo critica a atividade sexual que vai contra a natureza ou disposição da pessoa. Na sociedade grega daquela época, a homossexualidade e a bissexualidade eram vistas como uma atividade natural para algumas pessoas. Assim, Paulo poderia estar criticando heterossexuais que praticavam atos homossexuais, contra sua natureza. Entretanto, Paulo era judeu e também poderia estar ridicularizando a rebelião religiosa pagã, dizendo que os pagãos conheceram Deus, mas adoraram ídolos ao invés de Deus. Ele se refere à práticas típicas de cultos de fertilidade envolvendo sexo entre sacerdotisas e entre homens e eunucos prostitutos como os que serviam à Afrodite, em Corinto, de onde ele escreveu a carta para os Romanos. Seus ritos de auto-castração resultavam numa “penalidade corpórea”. Naquele período, de acordo com historiadores, os homens usavam véus e cabelos compridos como sinal de sua dedicação à deusa, enquanto que mulheres não usavam véus e aparavam os cabelos para indicar sua devoção. Os homens se mascaravam como mulheres e, numa rara pintura de um vaso de Corinto, uma mulher está vestida em calças “equipadas” com o órgão sexual masculino. Em seguida, ela aparece dançando diante de Dionísio, uma divindade que tinha sido criada como menina e chamava-se a si mesma de “macho-fêmea”. A troca de sexo que caracteriza os cultos de tais deusas como Cibele, Afrodite, Artemis de Éfeso etc., eram mais assustadores, pois homens se auto-castravam voluntariamente e assumiam trajes de mulheres. Uma antiga gravura romana mostra um sacerdote de Cibele o qual está castrado, usando véu, colares, brincos e roupas femininas, tendo “trocado” sua identidade sexual e se tornado uma “sacerdotisa”. Como tal, estes prostitutos religiosos se engajavam em orgias envolvendo o mesmo sexo nos templos pagãos por onde passavam as viagens missionárias de Paulo. A concepção de Paulo da homossexualidade foi afetada pela atmosfera cultural do paganismo grego. A homossexualidade em si não é o tópico da discussão, mas sim a prática de um ato contra a natureza própria do ser. Assim, é contra a natureza de um homossexual viver o estilo de vida heterossexual e vice-versa.

O ponto da passagem não é estigmatizar o comportamento sexual de qualquer forma, mas condenar os gentios por sua infidelidade. O que é mais importante é que as pessoas que Paulo condena não são manifestamente homossexuais. O que ele derroga são atos homossexuais cometidos por pessoas aparentemente heterossexuais. Paulo está estigmatizando pessoas que têm ido além de sua própria natureza pessoal para cometer ator homossexuais.

(1CO 11:14) “Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o homem ter cabelo crescido?”

Paulo explica em Coríntios 11:14 que “a natureza nos ensina que cabelos longos desonram um homem”. Compare que com o relato de Sansão em Juízes 16:17, “uma navalha nunca tocou a minha cabeça, porque sou nazireu de Deus desde o ventre de minha mãe; se viesse a ser rapado, ir-se-ia de mim a minha força, e me enfraqueceria, e seria como qualquer outro homem”. Era não-natural para Sansão ter cabelos compridos? Não parece que a natureza nos mostra que os cabelos crescem e se tornam longos? Paulo, entretanto, nos diz que, de acordo com a natureza, ter cabelos compridos desonra um homem.

Também parece que a natureza nos mostra que a circuncisão não é natural. Os escritos de Paulo, entretanto, indicam-nos que é “natural” para os judeus e “não-natural” para os gentios serem circuncizados. Poderia isto ser porque ela simplesmente é contrária à natureza dos gentios? Quando Paulo usa o termo “natural” ele se refere à práticas sociais aceitas na época, em outras palavras, “contexto social”.

Os versos que precedem o número 26 indicam que ele estava se referindo a atos sexuais associados com adoração de ídolos. O verso é muito vago para ser interpretado como uma proibição de todas as atividades sexuais envolvendo pessoas do mesmo sexo.

Especificamente, Paulo se refere a todos os atos sexuais entre pessoas e possivelmente animais, assim como no contexto de adoração de ídolos de falsos deuses. Muitos se avançam em dizer que o verso 27 está se referindo à AIDS, sendo a presunção de Deus para o homem onde se lê “e eles receberam a devida pena pela sua perversão”. Se isto é desta forma, então nós podemos usar a mesma lógica “boba” para dizer que a sífilis é a punição de Deus para os heterossexuais. Na verdade, o argumento é muito ignorante. Paulo é claro referindo-se ao templo de prostituição e adoração de ídolos, especialmente dos deuses da fertilidade.

Para alguns estudiosos, Paulo não estaria se referindo aqui à violação das leis da natureza de um modo geral, mas sim à violência contra a natureza própria de cada um. Neste sentido, seria o mesmo que um heterossexual se envolver em relações homossexuais por mero prazer ou mesmo violência, ou um homossexual se envolver em paixões heterossexuais, indo contra a natureza particular.

Novamente, aqui se faz necessária uma observação maior do contexto histórico-cultural do tempo em que o texto bíblico foi escrito. O texto é dirigido ao povo romano que, notoriamente, antes da conversão ao cristianismo, devotava adorações à inúmeros outros deuses, como Júpiter, Netuno, Diana etc. Em meio a isso, realizavam inúmeras festas pagãs, inclusive orgias sexuais visando a satisfação de seus deuses. Estas festas eram promovidas pelos imperadores romanos e envolviam também a prática de rituais sexuais por meio de violência, envolvendo tanto a prática de relações heterossexuais quanto homossexuais entre pessoas com estas orientações sexuais. Assim, homossexuais e heterossexuais tinham a obrigação de praticar sexo com indivíduos do sexo oposto para agradar aos deuses. Observa-se, aqui, a alusão de Paulo, um judeu convertido, que viveu grande parte de sua vida sob a lei Mosaica, referindo-se unicamente à idolatria. Não queremos aqui justificar ou defender a prática dos rituais sexuais da Roma Antiga. Mas apenas demonstrar que toda forma de interpretação dos textos bíblicos deve ser cautelosa e levar em conta, também, o contexto histórico, social e cultural da época em que foi escrito.

Esta observação se torna mais eficaz quando lemos o verso 32, onde Paulo diz:

(RM 1:32) “Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.”

Paulo menciona que os atos praticados em Romanos 1:28-32 são “dignos de morte”. É estranho que alguém que pretende pregar os ensinamentos de Cristo, o qual ensinou o Amor ao próximo acima de tudo e a lei do perdão, fale em julgamento com pena de morte. E o mais interessante é que o mesmo Paulo, autor deste comentário, deixa claro na mesma epístola em seu capítulo II, versículo 1:

(RM 2:1) “PORTANTO, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo.”

Coríntios 6:9-10

(1CO 6:9) “Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas,”
(1CO 6:10) “nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.”

Este é um dos textos do Novo Testamento mais frequentemente utilizados para denunciar a homossexualidade como anti-cristã. Corinto era uma cidade portuária. Esta posição geográfica produziu numerosas culturas para serem representadas na população de Corinto. Havia toda sorte de cultos e religiões.

Paulo lista muitas atividades que impedirão as pessoas de herdarem o reino de Deus. Uma delas tem sido várias vezes traduzida como “efeminado”, “homossexual” (bíblias modernas) ou “pervertidos sexuais”. O original grego é malakoi arsenokoitai. A primeira palavra significa “fraco; o sentido da segunda palavra se perdeu, mas já foi utilizada para se referir ao templo de prostituição masculina. A Igreja medieval interpretou a frase como se referindo a pessoas de moral fraca. Já na época de Martinho Lutero, foi interpretada como se referindo à masturbação. Recentemente, foi traduzida como se referindo aos homossexuais. Cada tradutor, ao que parece, tenta empregar o termo como se referindo a toda atividade que sua própria sociedade desaprovava. Novamente, eis aí o contexto cultural agindo sobre a tradução dos textos bíblicos.

Perto de Corinto havia um monte onde ficava o templo de Afrodite, a deusa do amor. Aqui, não menos do que mil garotas escravas serviam como escravas sagradas ligadas ao serviço do templo e dos adoradores que utilizavam seus serviços em orgias de adoração. Corinto era largamente conhecida como uma cidade de prazer e vício. A cidade recebeu este nome na língua grega através da expressão “korinthia kore”, que significa “prostituta”, e “korinthtazesthat” (divertir-se com a garota de Corinto) o que significava visitar uma casa de prostituição. Corinto era bem conhecida por seus bordéis, tanto masculinos quanto femininos.

Não é difícil perceber nesta passagem a mesma tendência de Paulo em escrever baseado em suas reminiscências judias. Corinto era uma cidade grega que praticava a idolatria, o paganismo e a prostituição visando agradar aos deuses. É importante notar que as palavras contidas nos versos tentam condenar tanto homossexuais quanto heterossexuais, pois tanto um quanto o outro é capaz de praticar bebedices, roubos e outras iniquidades. Não ocorre a condenação dos homossexuais, mas sim de todos aqueles que praticam o mal. Mas, antes de tudo, é importante não nos esquecermos do contexto histórico e cultural daquele tempo.

A atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo que Paulo teria encontrado durante suas visitas missionárias estariam associadas à idolatria, pederastia ou prostituição. Muitas das uniões que eram comuns em Corinto eram também de natureza adúltera. Muitos dos homens que tinham jovens amantes do sexo masculino ou que praticavam atividades sexuais com pessoas do mesmo sexo nos templos tinham mulheres e filhos em casa. Estas práticas sexuais, frequentemente, também envolviam escravidão. Inúmeros garotos eram comprados através do comércio de escravos e castrados para preservarem sua aparência juvenil para o prazer de seus mestres.

Para alguns autores, na época de Paulo havia somente um modelo básico de homossexualidade masculina no mundo greco-romano, o qual era a pederastia, a atividade sexual envolvendo um homem adulto e um garoto. Estes meninos eram sexualmente explorados pelos seus proprietários adultos. Os garotos desejados eram imberbes ou pelo menos sem barbas, assim se pareciam com “fêmeas”. Estes homens tinham esposas, procriavam e tinham herdeiros. É provável que, ao se referir à homossexualidade masculina, Paulo pudesse estar se referindo à pederastia porque era o único modelo além das atividades nos templos.

Exploração sexual, indulgência sexual, prostituição envolvida em rituais pagãos, pederastia e desvio heterossexual são todas possíveis razões por trás da proibição de Paulo de atividades sexuais entre homens.

Deve-se notar que Paulo também condenou as mulheres de pregar (1CO 14:34) ou de usar ouro ou pérolas (1TI 2:11). Ele também aceitava e não condenava a instituição da escravidão. Alguns cristãos sentem que seus escritos não são um guia útil para a ética e a moral do século XX.

A Bíblia não diz nada específico sobre a homossexualidade como tal, sobre relacionamentos baseados em amor e respeito mútuos. Mas a Bíblia tem muito a nos dizer sobre a graça de Deus a todas as pessoas e o Seu clamor por justiça e misericórdia. Jesus sumarizou a lei de Deus nestas palavras: “(MT 22:37) “E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.” (MT 22:38) “Este é o primeiro e grande mandamento.” (MT 22:39) “E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”

É nisto que devemos acreditar: Deus como Pai, não como um déspota, e o próximo como um irmão, não um criminoso.

 
Jesus Cristo

Jesus não mencionou uma única palavra sobre a questão da homossexualidade ou atos sexuais envolvendo indivíduos do mesmo sexo. Neste sentido, se a homossexualidade é um pecado, como querem alguns, por quê o Filho de Deus não disse qualquer palavra sobre o tema? Ele realizou centenas de pregações sobre crença (fé) e comportamento. Entretanto, ele nunca mencionou a homossexualidade.

Temos nossa identidade humana no Amor, não em nossa orientação sexual, a qual é uma das várias facetas do ser humano. Não importa qual é a orientação sexual do indivíduo, nem se a mesma é biológica ou socialmente determinada e/ou desenvolvida, mas sim a maneira como a pessoa a utiliza e a expressa.

Para Cristo não há nem macho nem fêmea, escravo ou liberto, judeu ou não-judeu, homossexual ou heterossexual. Deus olha para o coração do homem e procura estar lá, através da expressão natural do Amor. Somente os atos edificados pelo amor têm importância. A homossexualidade ou a heterossexualidade como hoje as compreendemos e definimos não são discutidas nas Escrituras. A Bíblia está repleta de versos discutindo a atividade sexual, desejo e/ou expressão. Qualquer expressão da sexualidade que não esteja enraizada e presa à lei do Amor ensinada por Cristo é que deve ser vista como errônea. Assim também os julgamentos contra o próximo.

Homossexualidade e heterossexualidade são, igualmente, legais para nós, mas o modo de expressão de ambos não é freqüentemente conveniente, aproveitável, construtivo e benéfico ao indivíduo. Um cristão homossexual está seguro pelas mesmas linhas mestras que regem o comportamento de um heterossexual cristão, isto é, para viver uma vida sensata, respeitável, honrável, baseada na fé em si mesmo e num Criador. A expressão da sexualidade de uma pessoa homossexual é a mesma que a de uma pessoa heterossexual, isto é, deve ser responsável, respeitando sua própria dignidade e de seu semelhante, devendo honrar seu parceiro, seu relacionamento e o teto sob o qual comungam estes relacionamentos.

Para Jesus, qualquer expressão da sexualidade que rebaixe, explore, use ou abuse de outra pessoa é algo condenável, seja homo ou heterossexual. Qualquer expressão da sexualidade que enobreça e eleve o indivíduo e a vida em comum da pessoa com a sociedade como um todo está baseado nos ensinamentos da lei do Amor.

Pode-se passar uma vida inteira debatendo e discutindo as Escrituras. Entretanto, não se pode questionar o Amor ou os ensinamentos de Cristo, nem julgar aqueles que Deus abençoa por serem Seus filhos. O Amor é a lei máxima que move o Universo.


Cristão e a Homossexualidade

A maioria dos cristãos ainda sente desconforto com relação à homossexualidade. Mesmo homossexuais cristãos freqüentemente compartilham esta inquietação, porque todos temos sido educados na mesma tradição cristã. Há muitas causas para este desconforto, mas a cause que parece mais saliente na mente de todos é a convicção de que a Bíblia condena a homossexualidade em si mesma e em todas as suas formas de manifestação.

Uma lenta mudança começa a ocorrer nos dias atuais, felizmente. Alguns cristãos, enquanto mantêm a atitude tradicional, têm começado a admitir que não é necessário, na sociedade atual, punir os homossexuais pelo comportamento que é permissível aos heterossexuais. Com base nisso, muitas comunidades cristãs têm feito manifestações formais de apoio ao direito de pessoas homossexuais à proteção contra a discriminação, principalmente na Europa e na América do Norte.

Alguns cristãos têm ido além disso e reconhecido que a hostilidade com a qual algumas pessoas têm atacado e condenado atos homossexuais e pessoas homossexuais é totalmente injustificado. É importante atentar para a relativa importância dada ao comportamento homossexual na Bíblia e, especialmente, observar as atitudes de um cristão quando convive com outros seres humanos, sejam eles homo ou heterossexuais. Alguns teólogos e um número de homossexuais cristãos trabalhando a partir de um crescente entendimento dos textos bíblicos, chegaram à conclusão de que a Bíblia não exclui os homossexuais da fraternidade cristã, dentro de limites análogos àqueles aplicados aos heterossexuais.

A Bíblia menciona o comportamento homossexual, a partir das interpretações de seus tradutores, em termos extremamente negativos, num punhado de versos amplamente espalhados, mas pesquisas modernas têm aumentado consideravelmente a dúvida evidente sobre a interpretação tradicional destas passagens – uma interpretação que tem trazido trágicas conseqüências para homossexuais através de quase toda a história cristã. O propósito, aqui, é examinar esta evidência, junto com a luz que a ciência tem derramado sobre o desenvolvimento psico-social, na esperança de que ela guiará para uma avaliação mais perfeita das escrituras.

A maioria das pessoas cresce desejando e procurando um relacionamento íntimo e amoroso com uma pessoa do sexo oposto. Homossexuais, por outro lado, são aqueles que descobriram que seus desejos convergem em direção à pessoas do mesmo sexo. Como e porque esta variante ocorre ainda não é possível explicar tendo, provavelmente, conseqüência a partir de  uma ampla ordem de fatores, alguns dos quais são ambientais e alguns, possivelmente, hereditários ou físicos. O que é importante, entretanto, do ponto de vista do pecado, é que a maioria dos homossexuais não tem recordação de jamais terem escolhido esta orientação sexual, tanto quanto os heterossexuais têm consciência de ter escolhido desejar o sexo oposto. Trata-se apenas de uma inclinação emocional, uma parte integrante da personalidade. E estes indivíduos sentem que nada na terra jamais mudará isto, assim como os heterossexuais não podem se imaginar transformando-se em homossexuais.

A verdade é que, ao que tudo indica, a sexualidade humana é livre e solta, e que um interesse emocional se desenvolve muito cedo na vida e que este interesse, então, vem cada vez mais à tona, à medida que a puberdade e a adolescência afloram certas fantasias e determinados comportamentos sexuais.

A razão, conseqüentemente, do porquê dos homossexuais procurarem contato íntimo com indivíduos de seu próprio sexo não reside no fato de serem pervertidos ou luxuriosos, mas sim porque sua natureza íntima – a natureza que Deus lhes conferiu – não lhes permite viver o padrão de vida heterossexual. Para os homossexuais, tentar viver uma vida tipicamente heterossexual é viver dentro de uma mentira, um atentado moral e espiritual contra seu parceiro e contra si mesmos. Tal relacionamento não satisfaz a função de que deve ser alcançada por todo tipo de envolvimento entre duas pessoas: satisfação, alegria, prazer, respeito e afeição. Diferentemente dos heterossexuais, os homossexuais se sentem completos apenas por uma pessoa do mesmo sexo.

Isto não significa que homossexuais não possam se envolver em práticas sexuais de cunho heterossexual. Muitos podem praticar sexo heterossexual, assim como muitos heterossexuais são capazes de se envolver em atividades homossexuais. Mas se tiverem a oportunidade de escolher, preferirão um parceiro do mesmo sexo, não por mera perversão, mas porque somente um parceiro do mesmo sexo os satisfaz emocionalmente. Para que aja pecado – ou seja lá como chamam os religiosos – deve haver uma possibilidade de escolha moral. Onde não há escolha não pode haver pecado. Assim, se a orientação sexual não é uma questão de escolha do indivíduo, não pode ser pecado ser homossexual, da mesma forma que não é pecado ser heterossexual. Se a homossexualidade – a orientação – é um pecado, o comportamento heterossexual também seria.

Na verdade, os cristãos heterossexuais devem ter cuidado para não agirem da mesma forma que os Fariseus do passado, legando para seu semelhante um fardo que eles próprios não teriam como suportar.

Em síntese, a Bíblia parece, claramente condenar apenas 03 coisas com relação à homossexualidade:

01. o estupro homossexual;

02. o ritual envolvendo prostituição homossexual e que fazia parte do culto da fertilidade dos cananeus e que alguns judeus passaram a idolatrar antes da Lei de Levíticus;

03. luxúria e comportamento homossexual da parte de indivíduos heterossexuais. Sobre o tema da homossexualidade como uma orientação, e sobre o comportamento consensual de pessoas que possuem esta orientação, a Bíblia faz completo silêncio. A orientação em si era, aparentemente, desconhecida ou pelo menos não reconhecida pelos autores bíblicos. Somente a partir de 1890 a ciência da psicologia começou a reconhecer a homossexualidade como uma entidade distinta.

A visão bíblica da homossexualidade pode depender, enormemente, da visão particular da Escritura. Para excluir a homossexualidade da cristandade, algumas pessoas utilizam a “prova textual”. É a mesma técnica utilizada no passado para sustentar outras formas de intolerância, como por exemplo, a escravidão. Citações da Bíblia são usadas ainda hoje para justificar a discriminação contra as mulheres e minorais raciais. A prova textual é o uso de uma Escritura que parece demonstrar um certo tópico como prova da opinião de Deus concernente àquele tema. Entretanto, três coisas são ignoradas na prova textual:

– o contexto cultural da escritural original;

– o sentido original da língua da época em que foi escrita;

– as mensagem completas que circundam o texto e aparecem através do corpo completo da Bíblia.

Devemos conhecer o contexto social no qual as palavras do texto foram escritas, qual era a sociedade para a qual o texto foi escrito, qual a sua cultura, que situação específica originou o texto, como o texto relata a completa visão do autor, como ele é visto à luz de toda a mensagem bíblica, como se relaciona com todos os demais textos, se ocorrem  divergências entre os autores etc.

Muitos, num certo sentido, interpretam a Bíblia à luz da linguagem e do tempo no qual ela foi escrita. Por exemplo, a Bíblia diz “olho por olho, dente por dente”, ou “se tua mão direita te serve de escândalo, corta-a e lança-a fora de ti”(Mateus 5:39-30). Nos dias atuais é muito difícil encontramos pessoas de um olho só ou pregadores de um braço só reforçando estes preceitos.

 
Boas Novas aos Homossexuais

Cada um escolhe o caminho que deseja seguir. E Deus nos ilumina com o intuito de descobrirmos nossas imperfeições. Enquanto continuarmos a fazer aquilo que sabemos que prejudica nosso relacionamento com a divindade e que estaremos absolvidos após a missa de domingo, nunca haverá conscientização da verdadeira relação entre homem e o Criador: o Amor. Há um problema nesta questão do arrependimento “in loco”: o reconhecimento de seu erro é de boca, não de coração e Deus olha diretamente para nosso coração. Se o homem continuar a se arrepender apenas por meio de palavras e não trabalhar uma mudança em seu coração, então de nada adiantará nosso esforço por comungar ou ir à Igreja que cultuamos. O verdadeiro pecado é a falta de amor ao próximo e que, automaticamente, afasta o homem de sua Fonte Maior. Não é o fato de alguém ser hetero, homo, bi ou transexual que ofende à Deus. É a forma com que o indivíduo se expressa (social, sexual e espiritualmente) que deve ser revista.

Não há distinção aos olhos de Deus. Existem inúmeros homossexuais sofrendo neste exato momento pelo temor infundado de um Deus que julga e condena. Além disso, há a rejeição por parte da sociedade justamente por algo que não pode ser mudado e que é inerente à natureza do ser, da mesma forma que não se pode modificar a cor dos olhos ou o tipo de cabelo. O que pode ser feita é uma camuflagem: lentes de contato para os olhos e produtos químicos para os cabelos. Muitos homens, por exemplo, se casam e têm filhos para agradar a sociedade e vivem um tormento interior. Entretanto, um dia “as cores originais” vêm à tona. A única verdade é que Deus sabe de que forma fomos criados (por Ele próprio) e nos conhece desde a concepção no útero de nossa mãe. (SL 139:16) “Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia.”

A dor da rejeição, humilhação e culpa que paira sobre os homossexuais não provêm de Deus, vem dos inimigos da sua alma. Deus deseja que o indivíduo conte sempre com Ele e com seu Amor e que viva com a consciência plena de que é seu herdeiro universal, que não existe inferno, nem condenação, fogo, enxofre, pranto ou ranger de dentes como querem as doutrinas religiosas humanas.

Temos ouvido algumas pessoas afirmarem que atos sexuais envolvendo pessoas do mesmo sexo são condenadas em Levíticus e em Romanos. Mas o que mais a Bíblia diz para os homossexuais? Há alguma “boa nova”? Com certeza:

01. Todos os homens e mulheres foram criados pelo Amor de Deus: hetero, homo, bi ou transexuais, deficientes ou não, ricos e pobres, brancos, negros, amarelos ou vermelhos, assassinos e criminosos. TODOS, sem exceção, detêm o amor de Deus:(SL 8:5) “Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste.”

02. Os relacionamentos amorosos entre Ruth e Noemi (RT 1:16) “Disse, porém, Rute: Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus;” – e de David e Jonatas  (2SM 1:26) “Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; quão amabilíssimo me eras! Mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres.”, são a mais bela expressão do amor entre pessoas do mesmo sexo, amor que estava acima do abuso sexual.

03. Deus deseja que os homens sejam livres da opressão e da injustiça: (IS 42:6) “Eu, o SENHOR, te chamei em justiça, e te tomarei pela mão, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, e para luz dos gentios.”. (IS 42:7) “Para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas.”; (IS 58:6) “Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo?”; (AM 5:24) “Corra, porém, o juízo como as águas, e a justiça como o ribeiro impetuoso.”; (MQ 6:8) “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?”; (LC 4:18) “O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração,” (LC 4:19) “A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do SENHOR.”

04. Quando Cristo nasceu, em Belém, disse o anjo: (LC 2:10) “E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo:” (LC 2:11) “Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.”

05. Deus não enviou Jesus para condenar, mas para trazer a boa nova do Amor.

06. O casamento e os filhos não são uma necessidade para todos os indivíduos, como Jesus mesmo disse: (MT 19:12) “Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o.”. 

07. Jesus Cristo não disse uma única palavra com relação à homossexualidade. Os quatro evangelistas não dizem uma só palavra sobre a atividade ou o comportamento homossexual. Para Cristo, a homossexualidade e os atos homossexuais não eram tema de discussão, tanto que não mereceram ser mencionados.

08. Em (AT 1:8), ocorre o batismo de um Eunuco: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.”. Depois de ser batizado, o eunuco ainda é um estrangeiro, ainda é negro e ainda é eunuco. Deus não precisou mudar a natureza desta pessoa para amá-la e aceitá-la.

09. Deus ama todos os homens. Nada em toda a Criação pode jamais separar o indivíduo do amor de Deus.(RM 8:39) “Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.”.

10. Para Jesus Cristo, nenhuma diferença humana importa: (GL 3:28) “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.”.

11. Uma pessoa homossexual pode, livremente, considerar-se amada por Deus: (EF 2:8) “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.”.

12. Cristo é o nosso elo de ligação com o Pai Universal: (EF 2:11) “Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens;” (EF 2:12) “Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.” (EF 2:13) “Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.” (EF 2:14) “Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio.”.

13. Deus ama Seus filhos da forma que os criou: (1CO 15:10) “Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo.”

14. O próprio Levíticus lembra o ensinamento maior de Deus: (LV 19:18) “Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR.”. Entre outros:

– (MT 19:19) “Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo.”

– (MC 12:31-33) “E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. E o escriba lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dele; E que amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.”

– (LC 10:27) “E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.”

– (JO 15:12-17) “O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer. Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda. Isto vos mando: Que vos ameis uns aos outros.”

– (RM 13:9-10) “Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor.”

– (GL 5:14) “Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.”

– (1JO 4:12) “Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor.”

Deus é o único fim do homem. Deus é Amor. O homem encontra Deus expressando-se através do Amor. Amar é a nossa forma de alcançar o Divino.

Por isso, Ame!



Textos retirados de: http://homossexualidade.sites.uol.com.br/

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Ativista dos Direitos Humanos (Principalmente LGBTs ); Teólogo;Homeopata; Psicanalista, especialista em Sexualidade Humana, Filosofia, Sociologia;Blogueiro.

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