Homofobia Basta!

“Acreditar num deus cruel, faz um homem cruel.” – A História Sangrenta da Igreja Católica

Posted on: 2 de julho de 2011

Muitos me conhecem por criticar a Igreja Protestante e realmente faço isso, o faço porque sou um e tenho maior liberdade e conhecimento para criticar o que vejo lá dentro, porém quem esta de fora também vê e estuda e aqui venho falar sobre um pouco da História da Igreja Católica Romana.

 

A PÁGINA NEGRA DO CRISTIANISMO

 

 2000 ANOS DE CRIMES, TERROR E REPRESSÃO 

Enrico Riboni 

“Acreditar num deus cruel, faz um homem cruel.” Thomas Paine 

Prefácio 
Há cerca de 2000 anos, nascia na Galiléia um fundador de seita, que acabaria crucificado uns trinta anos mais tarde. Algumas de suas últimas palavras na cruz foram “Dêem-me de beber”. E só. A seita que ele tinha fundado tornar-se-ia, com o passar dos anos, a maior de todos os tempos. Ela tomará o poder político dentro do Império Romano, abolirá a liberdade de religião, depois ajuntará montanhas de cadáveres: os seus membros massacrarão milhões de “infiéis”, “hereges”, “feiticeiras” e outros, depois se matarão entre eles próprios, levando a Europa às guerras mais ferozes que ela conheceu. Um passado destes poderia incitar à modéstia, mas os cristãos reivindicam, pelo contrário, o monopólio da ética. Proclamam que adoram o Deus único, que deus é “amor”, e se consideram melhores que o resto da humanidade. Única ideologia capaz de dividir com o comunismo e o nazismo o pódio dedicado às ideologias mais mortíferas da história humana, o cristianismo mantém-se uma ideologia dominante em muitos países ocidentais, como o “gendarme do mundo”, os EUA. Chegou a hora de abrir o “Livro Negro do Cristianismo: 2000 anos de terror, perseguições e repressão”, que resume algumas das piores atrocidades cometidas em nome dessa ideologia que pretende promover o amor ao próximo. 
Ano um “Os deuses não estavam mais, e Deus não estava ainda.” O Império Romano garantia a liberdade de culto. O ateísmo e a razão dominavam. É nessa época que nasce um sujeito que, segundo dizem certos judeus, perdeu o juízo porque leu o Tora demasiadamente jovem. Ele funda uma seita que visa proibir o culto dos outros deuses, exceto o seu. O sujeito é finalmente morto, mas a seita se expande com o êxito que se conhece. O culto da personalidade do fundador da seita atinge, nos cristãos, um nível que mesmo o estalinismo não conseguirá igualar: o fundador é proclamado “verdadeiro homem e verdadeiro Deus”, (“Deus-Homem”, em linguagem comum). Os que duvidam disso são proclamados imediatamente hereges, e sofrerão mais tarde os raios da Inquisição. A partir do século IV da nossa era, começará o assassinato dos não-crentes pelos cristãos.
Anos 50-70 A seita cristã se desenvolve. Textos gregos, escritos por membros da seita fora da Palestina (“Os evangelhos”) relatam a vida do fundador: nascido duma virgem, que se manterá virgem mesmo tendo vários outros filhos, ele terá sarado doentes, mas também amaldiçoa uma figueira que fica instantaneamente seca, e fará precipitar num lago centenas de porcos que lhe não pertenciam. Este personagem, que defende os pobres mas também afirma que “aqueles que têm tudo serão louvados, e àqueles que nada têm, o pouco que têm ser-lhe-á retirado”, um pouco patético quando amaldiçoa uma figueira ou se deixa crucificar, é declarado a incarnação do “Deus único”. O fato de, segundo os evangelhos “canônicos”, as suas últimas palavras sobre a cruz terem sido “Dai-me de beber” não parece perturbar os adeptos da seita, que se expande por todo o Império. A intolerância religiosa dos cristãos, que visam abertamente, desde o início, impor uma interdição aos cultos de deuses que não o seu, o qual eles insistem ser o “único Deus”, começa logo a atrair a atenção da justiça romana, que defende a liberdade de culto, a qual é um dos pilares dessa sociedade complexa e multicultural que é o Império Romano dos primeiros séculos da nossa era. A propaganda cristã inverte habilmente a situação. Os condenados pela justiça romana são declarados “mártires” e os seus restos são venerados nas igrejas, inventando-se a lenda de eles terem sido executados por terem “recusado a renegar a fé”, desculpa essa bem melhor do que a verdade nua, que mostra que foram condenados por desordem e imposição da intolerância religiosa na sociedade multicultural. 
Ano 312 Tomada do poder pelos cristãos. No fim duma guerra civil, Constantino toma o poder. Pouco depois ele se converte oficialmente ao cristianismo, e “autoriza”, num primeiro tempo, o culto do deus único cristão, pelo Édito de Milão: é o início da perseguição religiosa na Europa. Pouco a pouco o culto dos outros deuses, exceto o deus cristão, vai sendo proibido. Os santuários clássicos serão destruídos ou transformados em igrejas cristãs. No fim do século IV, não haverá mais nenhum templo pagão em toda a bacia do Mediterrâneo. 
Ano de 380 O imperador Teodósio proclama oficialmente o Cristianismo a única “Religião de Estado”. Mas ainda será necessário esperar mais 12 anos para que todos os outros cultos sejam definitivamente proibidos. 
Ano de 389 Teófilo, hoje Santo Teófilo, é nomeado patriarca de Alexandria e inicia imediatamente uma violenta campanha de destruição de todos os templos e santuários não-cristãos. Tem o apoio do pio imperador Teodósio. Deve-se a Teófilo a destruição, em Alexandria, dos templos de Mitríade e de Dionísio. Essa loucura destruidora culmina em 391 com a destruição do templo de Serapis e da sua biblioteca. As pedras dos santuários destruídos serão usadas para edificar igrejas para a nova religião única, a cristã. Em seguida e para demonstrar que ele é capaz de perseguir também cristãos (na medida em que eles não sejam 100% ortodoxos), Teófilo comanda pessoalmente as tropas que atacam e destroem os mosteiros que aderiram às idéias de Orígeno, um teólogo cristão que foi declarado herege porque afirmava que deus era puramente imaterial. 
Ano de 389 Pela primeira vez, um chefe cristão dita a um imperador, a política a ser seguida: Santo Ambrósio de Milão, levanta-se em plena catedral, e com o sentido de caridade tão particular aos cristãos, impõe que o imperador anule a ordem que dera ao bispo de Calinicum, sobre o Eufrates, para que reconstruísse uma sinagoga que ele e a sua congregação tinham destruído. A igreja toma partido assim, desde o princípio, dos incendiários de sinagogas, posição que continuará a manter até ao ano de 1940. 
Início dos anos 390 O piedoso imperador cristão Teodósio interdita progressivamente todos os cultos não cristãos. Pouco a pouco, os templos não cristãos são fechados ao culto, as procissões “pagãs” são proibidas. Esta supressão da liberdade de religião, em proveito exclusivo do cristianismo, causa por vezes revoltas, como a de 408, em Calama, na Numídia. É nessa época que acontecem na Germânia as primeiras execuções de hereges, uma bela tradição que a igreja desenvolverá com a Inquisição e a perpetuará até 1826. 
Ano de 391 Uma multidão de cristãos, guiados por Santo Atanásio e Santo Teófilo, deitam abaixo o templo e a enorme estátua de Serapis, em Alexandria, duas obras-primas da antigüidade. A coleção de literatura do templo também é igualmente destruída. 
Ano de 412 Cirilo, hoje Santo Cirilo, doutor da Igreja, é nomeado bispo de Alexandria e sucede a seu tio Teófilo. Excita os sentimentos anti-semitas difundidos entre os cristãos da cidade e, à frente duma multidão de cristãos, incendeia as sinagogas da cidade e faz fugir os judeus. Em seguida encoraja os cristãos a tomar os bens dos fugitivos, deixados para trás. 
Ano de 415 Hepatia, a última grande matemática da Escola de Alexandria, filha de Theon de Alexandria, é assassinada por uma multidão de monges cristãos, incitados por Cirilo, patriarca de Alexandria, que será depois canonizado pela Igreja. O motivo dessa ação foi que a brilhante professora de matemática, representava uma ameaça para a difusão do cristianismo, pela sua defesa da Ciência e do Neoplatonismo. O fato dela ser mulher, muito bela e carismática, fazia a sua existência ainda mais intolerável aos olhos dos cristãos. A sua morte marcou uma reviravolta: após o seu assassinato, numerosos pesquisadores e filósofos trocaram Alexandria pela Índia e pela Pérsia, e Alexandria deixou de ser o grande centro de ensino das ciências do mundo antigo. Além do mais, a Ciência retrocederá no Ocidente e não atingirá de novo um nível comparável ao da Alexandria antiga senão no início da Revolução Industrial. Os trabalhos da Escola de Alexandria sobre matemática, física e astronomia serão preservados, em parte, pelos árabes, persas, indianos e também chineses. O Ocidente, pelo seu lado, mergulha no obscurantismo, do qual começará a sair mais de um milênio depois. Em reconhecimento pelos seus méritos de perseguidor da comunidade científica e dos judeus de Alexandria, Cirilo será canonizado e promovido a “Doutor da Igreja”, em 1882. 
Séculos V a XV A “Idade Média Cristã”. Aproveitando o desaparecimento das grandes bibliotecas romanas e na ausência quase total da atividade editorial na Europa, a igreja obtém, de fato, um monopólio sobre o conjunto da escrita e da informação. O povo é deixado propositadamente na ignorância, a leitura da Bíblia é desencorajada mesmo no caso de se ter acesso a um exemplar. Pouco a pouco, a igreja impõe o seu domínio sobre a sociedade. A inquisição, o celibato dos padres, o caracter obrigatório de casamento antes de qualquer relação sexual, são todas instituições que datam dessa época. É também nessa época que se desenvolve o que se tornará uma das mais ricas tradições cristãs: queimar pessoas vivas. Cerca de um milhão de “bruxos” serão torrados durante a Idade Média. As cidades concorrerão para tentar bater recordes de quantidade de bruxos queimados por ano. Um recorde imbatido foi estabelecido pela cidade de Bamberg, sede do episcopado, que conseguiu assar 600 feiticeiros num só ano. Um grande número de membros da igreja atual ainda lamenta o fim dessa época, quando a igreja dominava totalmente a vida social. Religiosos (e outros) cristãos lembram com saudade, a “espiritualidade” da época, a arte que deu grande ênfase à morte – assunto que sempre apaixonou os cristãos, e a música envolvente. 
Ano de 804 O imperador cristão Carlos Magno converte grande número de saxões, propondo-lhes a seguinte escolha: converter-se ao catolicismo ou serem decapitados. Vários milhares de cabeças caem, com a bênção da igreja: os sacerdotes presentes participam da jogada do imperador. 
Século IX Cisma do oriente. O patriarca de Constantinopla pretende que se deve utilizar o pão com levedura, para a Eucaristia. O Papa, bispo de Roma, afirma que se deve usar pão sem levedura. Com base neste problema de capital importância, a cristandade se divide, e os dois patriarcas, de Roma e de Constantinopla, se excomungam mutuamente. O Cisma vai provocar mortes até aos anos 90 (guerras nos Balcãs, ex-Iugoslávia, de católicos contra ortodoxos). 
Ano de 1182 Os “pogroms” latinos de Constantinopla. Na cidade do piedoso patriarca que come pão levedado, estabeleceu-se, desde o início de século XII, uma colônia de mercadores “latinos”, essencialmente originários de Veneza, Génova, Pisa e Amalfi. Mas essas pessoas têm tudo para desagradar aos prelados ortodoxos: além de utilizarem o pão sem levedura para a Eucaristia, fazem o sinal da cruz no sentido errado, da esquerda para a direita e não da direita para a esquerda! Os popes excitam a populaça e enfim, nos dias radiosos de maio de 1182, a multidão guiada pelos popes pegam os latinos: vários milhares deles, homens, mulheres e crianças são trucidados. 
Séculos XI e XII Em face do crescimento da população da Europa, a Igreja propõe um método de controle populacional “natural”: as cruzadas. O apelo às cruzadas foi lançado em 1095. Em 1099 Jerusalém é “libertada”: logo que as tropas cruzadas entraram na cidade, o governador muçulmano rendeu-se sob a promessa da população civil ser poupada. Claro, a totalidade da população (que compreende essencialmente judeus e muçulmanos) é passada pelas armas nas horas seguintes, mas com o cuidado de antes violentar todas a mulheres e decapitar as crianças. Estima-se em 70.000 o número de civis massacrados. A última fase do massacre passa-se nas sinagogas e mesquitas da cidade, onde os habitantes aterrorizados se refugiaram: pensam que o caracter religioso dos locais possam inspirar os piedosos cruzados à clemência. Nada disso acontece: os cruzados entram e transformam os locais de culto em vastas carnificinas. O massacre de milhares de civis amontoados na grande mesquita da esplanada do templo dura várias horas. “Tudo o que respira” na cidade foi morto, informam com orgulho os comandantes dos cruzados. 
Ano de 1204 A 4a Cruzada fez uma parada em Constantinopla, na época a maior cidade cristã. Mas os cristãos sabem fazer entre eles o que fazem aos outros: durante três dias, Constantinopla foi posta a saque, com uma orgia de violências indescritíveis. 
Anos de 1208 a 1244 Cruzada dos Albigences: por iniciativa do papa Inocêncio III, uma cruzada é preparada. Em 1209, como alguns “hereges” se haviam misturado com a população de Beziers, o duque Simon de Monfort deu uma ordem que lhe assegurou a posteridade: “Matem-nos todos, deus reconhecerá os seus”. Toda a população, homens, mulheres e crianças são passados pelas armas. A Provence e a região de Toulouse ficam muito despovoadas após essa guerra que é dirigida contra a população civil, com uma ferocidade sem precedentes desde as invasões bárbaras. 
Anos de 1226 a 1270 Luís IX, rei de França. Finalmente um católico, de reputação piedosa e íntegra, acede à coroa de França. A igreja o canoniza em 1290, em reconhecimento de seus méritos que, ninguém duvida serem excepcionais. De fato, durante o seu reinado, São Luís lança duas cruzadas, que terminam as duas de modo catastrófico: pouco importa, é a intenção (de matar e de pilhar) que conta, aos olhos da misericordiosa igreja católica! No plano interno, São Luís faz de modo que a justiça puna de modo sistemático os blasfemeadores: são postos nos pelourinhos e têm as suas línguas atravessadas por ferros em brasa. 
Ano de 1231 Fundação da Inquisição. O Santo Ofício, durante toda a sua história, queimou mais de um milhão de pessoas, essencialmente hereges, judeus e muçulmanos convertidos e também os “bruxos”. A última feiticeira será queimada em 1788. O último “herege” chegará à sua vez em 1826. A inquisição e os seus imitadores protestantes queimam também médicos e cientistas, desde que haja uma oportunidade. A igreja nunca se arrependeu dos atos da Inquisição e até garantiu a continuidade histórica da instituição até aos nossos dias, limitando-se apenas a mudar-lhe o nome: será necessário esperar que Pio X, em 1906, faça que o “Santo Ofício da Inquisição” seja renomeado como “Santo Ofício”, e em 1965, para que seja rebatizado como “Congregação para a doutrina da fé”. Enfim em 1997, o papa abre os arquivos do Santo Ofício, e historiadores escolhidos a dedo, são autorizados a fazer pesquisas. As estimativas do número total de vítimas da inquisição são então revistas para cima, havendo um consenso que roda hoje em torno de um milhão de pessoas executadas, ao qual é necessário acrescentar as inúmeras pessoas torturadas e com todos os seus bens apreendidos. 
Ano de 1251 O papa Inocêncio IV autoriza enfim a inquisição a praticar a tortura. A obtenção das confissões de culpa é grandemente facilitada. A inquisição pode aplicar, com base em confissões arrancadas através de tortura, penas indo duma simples oração ou dum jejum até à confiscação dos bens e mesmo prisão perpétua. Mas ela não pode condenar à morte. Com a subtileza característica da igreja católica, a inquisição podia “passar” um herege para a justiça comum, que o levará à morte na fogueira, com base na confissão obtida pela igreja, mesmo com tortura. Essa subtilidade permitirá à igreja afirmar que ela nunca matou ninguém… 
Anos 1347 a 1354 Em toda a Europa reina a Morte Negra, a primeira grande epidemia de peste no continente. Os prelados católicos logo descobriram os culpados: os judeus teriam envenenado os poços de água. Esse boato espalha-se por toda a Europa e inúmeros “pogroms” acontecem. Na Alemanha contam-se 350 comunidades judias totalmente destruídas pelos “pogroms”, nesse período. Na Itália, em Milão, as autoridades civis e eclesiásticas, depois de terem executado no braseiro os “untori” judeus, inauguraram uma coluna comemorativa para lembrar o seu feito. Essa coluna passou à História com o nome de “Coluna infame”, quando, no século XIX , o romancista Manzoni teve, em primeira mão, a coragem de denunciar esse monumento à perversão religiosa. 
Ano de 1483 Tomás de Torquemada é nomeado Grande Inquisidor de Castela. Esse monge dominicano faz uma ampla utilização da tortura e da confiscação dos bens das vítimas. Estima-se em 20.000 o número de pessoas queimadas durante o seu mandato. 
Ano de 1487 Dois monges dominicanos alemães, Jacob Sprenger e Heinrich Institoris publicam o “Malleus Malleficarum”: trata-se dum espesso volume de 400 páginas que é um guia (claro que aprovado pela hierarquia católica) de caça às bruxas. Lá se pode aprender a identificá-las (p. ex. se uma mulher acariciar um gato preto e a centenas de metros alguém se sentir mal, etc), a torturá-las para as fazer confessar, e como os inquisidores podem se absolver mutuamente, depois duma sessão de tortura. A obra afirma também que negar a existência da feitiçaria é uma heresia muito grave, passível de morte na fogueira. Durante dois séculos e meio, na Alemanha, depois da publicação do Malleus Malleficarum, negar a bruxaria podia levar ao braseiro. O manual foi um “best-seller”… 
Ano de 1492 O rei “muito católico” e a rainha “muito católica” (títulos dados pelo papa em pessoa!) de Espanha, expulsam os judeus. Eles podem escolher se converter, para então poderem ser justiçados pela inquisição (que queimará grande número deles) ou partir. Mais de 160.000 judeus saíram da Espanha. A hierarquia católica não fica indiferente a essa medida duma crueldade assustadora: ela aprova a medida, e o papa encoraja os outros soberanos europeus a se inspirarem no exemplo espanhol. Em toda a Europa os padres católicos se mobilizam para obrigar os governos a proibir a entrada dos judeus expulsos. Os judeus que escolheram se converter são perseguidos pela inquisição com uma impressionante determinação: até ao século XVIII, far-se-á o “Teste da banha de porco” aos judeus convertidos e seus descendentes: uma salada com pedaços de carne e banha de porco é apresentada ao “convertido”. Se for notado que ele não comeu a carne suína, será queimado como “falso convertido”. Esse método será também aplicado aos muçulmanos e seus descendentes. Se a expulsão dos judeus de Espanha foi a maior do gênero registrada na História, não foi a primeira. Na França, os prelados católicos tinham já conseguido a expulsão dos judeus em 1306, e que foi logo revogada, antes de ser confirmada em 1394. A Inglaterra já tinha procedido à expulsão em 1290. Em 1496, Portugal imita o seu poderoso vizinho, expulsando também os judeus. 
Ano de 1493 O primeiro índio da América no paraíso. Quando Cristóvão Colombo, que teve o cuidado de levar um monge nas bagagens, chega à América, ele encontra os índios que ele descreverá como gente amigável e solícita. Prende 12 deles e os leva para Espanha. À chegada, um deles fica doente: antes da sua morte, é batizado rapidamente, o que permite a corte dos muito católicos reis exultar, porque um indígena do Novo Mundo acabava de entrar no paraíso cristão. Esta triste história marcará o início da trágica cristianização dos índios americanos, onde os episódios dos redutos do Paraguai e as perseguições aos índios Pueblo serão alguns dos mais trágicos. 
Ano de 1499 Acontece neste ano o maior “auto da fé”, que a História registra. Em um só auto de fé, o inquisidor Diego Rodrigues Lucero queima vivos nada menos que 107 judeus convertidos ao cristianismo, em Córdova. 
Século XVI O drama dos castrados. A igreja, que tinha proibido que mulheres cantassem no coral das igrejas, enfrenta um problema trágico: como não torturar os ouvidos dos piedosos prelados de cristo, privando-os das vozes sopranas, tão importantes nos coros para louvar o amor a deus? Uma solução bárbara é encontrada: castrar jovens meninos cuja voz tenha sido considerada bela. Nos corais da Santa Igreja católica não faltarão assim nunca os sopranos e contraltos… Esta prática bárbara só terminará em 1878, por ordem do Papa Leão XIII. Mas é mantida ainda durante o século XIX, ao ponto de Rossini, quando ele compôs a “Pequena missa solene”, escrever, com naturalidade, que serão suficientes para executá-la, “um piano e uma dúzia de cantores dos três sexos, homens, mulheres e castrados”. 
Ano de 1506 “Pogrom” de Lisboa: 3000 judeus são trucidados pelos piedosos católicos, incitados pelos prelados. 
Século XVI Júlio II della Rovere, papa. Hábil chefe militar, ele veste uma armadura durante a missa, quando um monge insolente lhe diz que o traje não é conveniente. “Quando se trata de conquistar terras, deus não faz questão do traje, mas da fé do seu servidor”, lhe responde, passando assim à História. Deus lhe permitiu, de fato, conquistar a cidade de Bolonha, que foi, como deveria, posta a saque. 
Ano de 1521 Inspirado pelo Espírito Santo, que aparentemente não tinha que fazer, um monge alemão, Martin Luther, traduz do latim o “Novo Testamento”, em algumas semanas. O diabo acaba de o tentar: Lutero não encontra coisa melhor a fazer do que lançar sobre ele um tinteiro, que suja a parede. Essa mancha está religiosamente preservada para os turistas do castelo de Wartburg. O acontecimento pareceria insignificante. Mas não é, pois ele inaugura o maior cisma da cristandade: durante os séculos seguintes, os cristãos vão-se massacrar mutuamente ainda com mais entusiasmo do que quando eles matavam e queimavam os não-cristãos, os hereges, as bruxas, os judeus e muçulmanos convertidos, etc. Lutero escreverá e dirá diversas vezes que era necessário queimar as sinagogas e escorraçar os judeus das cidades: ele se situa assim dentro da tradição dos pais da igreja católica, e que será mantida até ao século XIX pela inquisição e depois no século XX pelos camisas castanhas (seguidores de Mussolini). 
Ano de 1527 Saque de Roma. Os soldados protestantes massacram a totalidade da população de Roma, umas 40.000 almas, e pilham a cidade. O papa é salvo pelos guardas suíços. Ele se fecha com eles no Castelo de Santo Ângelo, enquanto a população é massacrada. Ele passou um grande medo. Os suíços ganham assim uma fama profissional no estrangeiro, o que se perpetua até hoje. 
Ano de 1553 Calvino, que condena os excessos da Igreja Católica, faz decapitar o livre-pensador e médico Michel Servet, que havia descoberto a circulação sanguínea. Esse é somente um dos 15 hereges que o reformador fez executar durante a sua ditadura sobre Genebra. Calvino tem um papel muito ativo na prisão e depois na condenação à morte de Michel Servet. Primeiro ele troca correspondência com ele e depois que o médico, fugindo da inquisição, chega a Genebra, manda-o prender. Calvino havia dito a seu amigo, o reformador Farel, que se Servet entrasse em Genebra, de lá não sairia vivo. Ele manteve a sua promessa e interveio pessoalmente no julgamento pedindo a sua execução. A única clemência dada a Servet foi de decapitá-lo em vez de ser queimado vivo. 
Ano de 1571 A invenção da imprensa permite que um número crescente de pessoas se informe. A igreja reage criando o Índex (Index Additus Librorum Prohibitorum): essa instituição editava regularmente a lista dos livros proibidos. A última edição do índex foi publicada em 1961. 
Anos de 1566 a 1572 Pio V, papa. Este santo da igreja católica, vangloria-se publicamente diversas vezes de ter, durante a sua carreira de inquisidor, colocado fogo com suas próprias mãos de mais de 100 fogueiras de hereges que ele mesmo acusara, confundira e condenara. Publica também uma nova edição do catecismo oficial da igreja, no qual o amor ao próximo e a misericórdia ocupam um lugar importante. 
Anos de 1547 a 1593 Guerras de religião na França. As sub-seitas cristãs entregam-se a uma guerra civil sem perdão, interrompida por diversas pazes e tréguas temporárias. Durante uma delas, teve lugar o massacre de 20.000 protestantes, homens, mulheres e crianças, numa só noite, a tristemente célebre Noite de S. Bartolomeu (1572). 
Fim do século XVI até ao início do século XVIII Conversão forçada dos índios Pueblo. Subindo pela costa do golfo do México, os exploradores espanhóis, sempre acompanhados de monges e padres, entram em contato com a tribo dos Pueblo, no território que hoje pertence ao estado americano do Novo México: diferentes dos índios nômades das planícies do Norte e doutros indígenas mais combativos que os espanhóis encontraram no México e na América do Sul, os índios Pueblo vivem em aldeias (los pueblos) de casas de tijolos com 2 ou 3 andares, são pacíficos e praticam a agricultura. Seguem uma religião na qual se venera o “Pai do Céu” e a “Terra Mãe”, temem os demônios (os Skinnwalkers) que andam pela crista das montanhas ao pôr do sol, veneram os corvos como reincarnação dos seus antepassados. Eles têm também um rico templo de deuses semelhantes aos dos gregos, sendo o seu deus principal a mulher-aranha. As cerimônias são celebradas em pequenas igrejas familiares, as Kivas. Estes pacíficos agricultores logo se tornam o objeto das atenções dos padres espanhóis, impacientes por substituir o culto ao Pai Céu e da Mãe Terra por aquele de cujo deus se bebe o sangue durante as cerimônias: os pajés índios são acusados de bruxaria e executados. As Kivas são destruídas pelos militares hispânicos. Os cultos religiosos tradicionais são proibidos, sob pena de mutilação. Índios surpreendidos a celebrar uma cerimônia tradicional terão um braço ou um pé cortados. Apesar disso tudo, alguns índios continuarão a fazer os seus cultos, em segredo e à noite. Os padres católicos usarão esse fato nos seus sermões e que os índios ainda hoje citam com amargura: os padres diziam que a religião dos índios era a das trevas, pois era sempre à noite, enquanto que o cristianismo era a religião da luz, pois se come a carne e se bebe o sangue do deus cristão em pleno dia… Diversas revoltas sangrentas pontuam a cristianização dos Pueblo. Essa perseguição religiosa só cessará depois da anexação do território pelos EUA, em 1847. 
Ano de 1600 Giordano Bruno é queimado vivo em Roma, condenado por heresia. Ele havia ousado definir o Universo como infinito e admitido a hipótese da existência de formas de vida fora da Terra. Era demais para a igreja. Depois de 8 anos de processo, durante o qual lhe são arrancadas confissões, sob tortura, ele é condenado à morte como “herege obstinado e ímpio”. Ele se defende tentando mostrar que as suas idéias não estão em contradição com as doutrinas cristãs, mas em vão. Ele foi queimado vivo, em público, em Roma, no Campo dei Fiori. Tiveram o cuidado de lhe cortar a língua antes de o enviar ao local da execução, para evitar todo o risco de que as suas palavras não emocionassem a multidão que veio assistir ao espetáculo. O seu principal acusador, o cardeal Bellarmino, será mais tarde canonizado e em 1930, proclamado “Doutor da Igreja”. É interessante notar que, se no caso de Galileu, a igreja católica expressou o seu arrependimento no fim do séc. XX, com a sua reabilitação em 1992, nunca se arrependerá da execução de Bruno. Pelo contrário, ela se opôs com veemência à instalação duma estátua de Giordano Bruno, em 1889. Em 1929, o papa pediu a Mussolini para que destruísse essa estátua, antes de canonizar e depois nomear “Doutor da igreja” o cardeal Roberto Bellarmino, acusador de Giordano Bruno. 
Ano de 1609 Expulsão dos mouros de Espanha. Depois da expulsão dos judeus de Espanha, a inquisição se aborrecia um pouco nesse belo país. Lança então a caça aos “morescos”, os árabes convertidos ao cristianismo. Há a suspeita de serem falsos convertidos e são executados todos os que se recusam a beber vinho ou comer carne de porco, ou que sejam limpos demais. Com efeito, o Islamismo, contrariamente ao cristianismo, prescreve lavagens periódicas. A higiene nunca foi tão perigosa como no séc. XVI em Espanha! Enfim, em 1609, temendo talvez ter deixado passar alguns falsos convertidos, a inquisição consegue do rei a expulsão dos “morescos” para o Norte da África. O número dos expulsos é mal conhecido: as estimativas variam entre 300.000 e 3.000.000. Os expulsos chegam a terras islâmicas, onde o Corão prevê a pena de morte para os que renegaram Mahomé… 
Ano de 1633 Processo de Galileu. Por ter duvidado da teoria geocêntrica de Ptolomeu, (que diga-se de passagem, não era cristão), Galileo Galilei é obrigado a retratar-se: são-lhe mostrados os instrumentos de tortura que seriam usados se ele insistisse. O processo de Galileu só foi reaberto para revisão pelo papa João Paulo II, e Galileu é reabilitado em 1992. As suas obras já tinham sido colocadas no Índex em 1616. Passará o resto da sua vida confinado na sua casa (prisão domiciliar). Foi a sua reputação internacional de cientista que lhe evitou consequências mais graves. 
Anos de 1618 a 1648 Guerra dos 30 anos. Os muito católicos reis de Habsbourg, forçam a conversão dos seus súbditos protestantes da Boémia, iniciando a maior guerra que o continente europeu tinha conhecido. A população da Alemanha é reduzida à metade. Numerosas cidades são devastadas. Epidemias de peste assolam toda a Europa Central, desde a Lombardia à Prússia. Trata-se realmente duma guerra religiosa, embora as igrejas tenham tentado fazer crer que se tratava dum conflito político: a guerra iniciou-se por conflitos religiosos e pela ação de reis estrangeiros, como Gustavo II da Suécia, que intervieram por razões de convicção religiosa. O caso de Gustavo II é particularmente significativo, pois obrigava os seus soldados a cantar canções religiosas todas as noites, embora eles fossem uns terríveis saqueadores. O exército sueco ganhou o título de “Schrecken des Krieges”, pela população alemã, que teme a pilhagem dos suecos ainda mais do que as feitas pelos exércitos dos Habsbourg. 
Segunda metade do séc. XVIII O assunto das reduções do Paraguai. Este caso é particularmente interessante, pois aqui os católicos se massacram e se excomungam entre eles. Os jesuítas haviam estabelecido no Paraguai um pequeno império particular feito de reduções (redutos), ou seja pequenas aldeias fortificadas na floresta, onde viviam os índios convertidos ao cristianismo, mas uma correção das fronteiras coloca alguns desses redutos em território português. Ora, Portugal, país católico e cristão, mantém na época a tradição da escravatura: os portugueses pensam então roubar aos jesuítas os índios para depois vendê-los como escravos. O papa intervém, excomunga os jesuítas das reduções. Depois, um exército, com os canhões e espadas benzidas pelos padres de serviço, ataca as reduções, massacra os jesuítas e toma os índios como escravos. Um Te Deum solene celebra a vitória, como deve. Pouco depois o papa interdita a ordem dos jesuítas, culpada de ser muito inteligente e racional, e sobretudo de não ter servido com lealdade a família de Bourbon, reis de França e de Espanha, monarcas absolutos e grandes amigos da igreja católica. 
Ano de 1766 Em pleno século das luzes, um jovem de 19 anos, o Cavaleiro de la Barre, passa “a vinte passos duma procissão, sem tirar o chapéu”. É preso e torturado. Finalmente é decapitado depois de lhe terem cortado a língua. O seu corpo é depois colocado sobre uma fogueira e queimado junto com um exemplar do Dicionário Filosófico de Voltaire, diante duma multidão entusiasmada. 
Ano de 1788 No Cantão de Glaris, na Suíça, a última bruxa foi queimada. Esta execução da Inquisição não foi a última, e continuará queimando hereges até 1826. 
Ano de 1793 Kant, professor de Filosofia em Konigsberg e estrela internacional da filosofia moderna, depois da publicação da “Crítica da Razão Pura”, publica “A religião nos limites da Razão”, onde ele coloca as doutrinas cristãs à prova do raciocínio e do “imperativo categórico”. É demais para os piedosos reis da Prússia, que empurrado pelos prelados protestantes, intervém e Kant é forçado a retratar-se publicamente, sob pena de perder imediatamente o seu posto na universidade de Konigsberg. Todos os professores universitários são obrigados a assinar, sob pena de dispensa imediata, um documento onde prometem não citar os ensinamentos de Kant com relação à religião. Como no caso de Galileu, a fama internacional de Kant o salva de consequências mais severas. Kant ainda pensa em se exilar, mas neste fim de século, há poucos céus clementes para pensadores que ousaram criticar aspectos da ideologia cristã. Assim acabará os seus dias em Konigsberg. 
Ano de 1826 O último herege é queimado vivo, pela inquisição espanhola. Uma rica tradição cristã termina. Daí para a frente, a igreja recorrerá a meios mais sutis para matar, como proibir a assistência a mulheres que devem abortar, sabotando o planejamento familiar nos países pobres, proibindo os preservativos como modo de lutar contra a Aids-Sida, etc. 
Ano de 1847 Guerra do Sonderbund. A Suíça é dilacerada por uma guerra religiosa. Os cantões católicos, cujos governos estão muito influenciados pelos conselheiros jesuítas, fundam uma aliança militar – o Sonderbund, que exige a anexação aos cantões católicos de regiões maioritariamente protestantes. Chamam os monarcas católicos da Áustria em seu auxílio, depois iniciam as hostilidades. Somente uma vitória rápida das tropas federais/protestantes permitiu evitar uma intervenção austríaca, que levaria a um conflito de extensão européia. Os protestantes por seu lado, encetam uma feroz “Caça aos católicos”, nos campos de Genebra. Os jesuítas, considerados responsáveis pela guerra, são expulsos da Suíça, e essa expulsão valerá até 1970. 
Ano de 1848 A população de Roma revolta-se contra a ditadura papal. O papa é expulso. Volta ao poder em 1849, devido à ação das tropas francesas enviadas por Luís Napoleão Bonaparte, presidente da república francesa. Os opositores são fuzilados. O Estado da Igreja volta a ser uma monarquia absoluta, cujo soberano é o papa. 
Ano de 1871 O papa excomunga todo aquele que participar de qualquer eleição do estado italiano, que é classificado como “diabólico”, porque retirou aos papas o seu poder temporal. Essa sentença de excomunhão automática não impedirá o papa de abençoar, alguns anos depois, a fundação do “Partito populare”, de inspiração católica e fundado por um padre. 
Ano de 1881 Os “Pogroms” russos começam. Incitados pelos prelados ortodoxos, que difundiram um boato que o Czar Alexandre II teria sido assassinado por um judeu, multidões se juntam em mais de 200 cidades russas e destroem os bens dos judeus. Os pogroms tornar-se-ão comuns na piedosa Rússia Czarista, sobretudo entre 1908 e 1917. O mais violento dentre eles teve lugar em Kishinev, em 1913: as autoridades civis e religiosas da cidade incitam a multidão que ataca violentamente os judeus. durante dois dias a multidão mata 45 judeus, fere 600 e pilha 1500 casas. Claro que os responsáveis (popes e políticos) nunca serão incomodados pela justiça. 
Ano de 1889 Numa Roma livre do jugo papal, no dia 9 de junho, é inaugurada a estátua de Giordano Bruno, no Campo das Flores. O papa Leão XIII, sofredor, passará o dia todo de jejum aos pés da estátua de S. Pedro. A imprensa católica dispara: fala de “orgia satânica”, descrevendo a manifestação da inauguração, o “triunfo da sinagoga, dos arquibandidos da Maçonaria, dos chefes do liberalismo demagógico”, “o máximo da ignorância e da malignidade anti-clerical”. 
Anos de 1918 a 1945 Os anos do compromisso. A igreja católica apóia ativamente o crescimento dos totalitarismos na Europa. Na Áustria, o seu apoio ao Austro-Fascismo é total. Na Itália, ela assina com o regime fascista uma concordata que faz do catolicismo a religião de estado: os italianos podem de novo votar sem serem excomungados, pena que isso de pouco serve em período de ditadura. A igreja sacrifica em grande parte as suas próprias associações: todas, exceto a Ação Católica, devem integrar as organizações fascistas. O Vaticano promete a Mussolini de fazer com que a AC não se deixe tentar por ações antifascistas. Em 1929, Mussolini, depois de ter assinado a concordata dita “Patti Lateranensi”, é qualificado pelo papa como “o homem da providência”. Em 1932, o ditador recebe das mãos do papa, a Ordem da Espora de Ouro, que é a mais alta distinção concedida pelo Estado do Vaticano. Essa bela harmonia vai resistir mesmo ao momento de tensão causado pela estátua de Giordano Bruno. O papa aproveita a concordata para pedir ao seu amigo ditador que destrua a estátua erigida em 1889. O ditador, que tem um filho com o nome de Bruno, toma a defesa do livre-pensador e declara à Câmara de Deputados “A estátua de Giordano Bruno, melancólica como o destino desse monge, ficará onde ela está. Tenho a impressão que seria se encarniçar contra esse filósofo que, se equivocado e persistiu no erro, no entanto já pagou”. Para mostrar que não se arrepende de nada, a igreja canoniza então Roberto Bellarmino, o acusador de G. Bruno, nomeando-o “Doutor da Igreja”. Na Alemanha, em janeiro de 1933, o Zentrum, partido católico, cujo líder é um prelado católico (Pralat Kaas), vota plenos poderes para Hitler: este último pode assim atingir a maioria de dois terços necessária para suspender os direitos garantidos pela Constituição. Com uma caridade toda cristã, o bom prelado aceita também fechar os olhos para os discutíveis processos nazistas, como a prisão dos deputados comunistas antes da votação. Depois a igreja começa a negociar uma nova concordata com a Alemanha: nesse cenário, ela sacrifica o Zentrum, então o único partido significativo que os nazistas não tinham proibido. Na realidade ele tinha-o ajudado a chegar ao poder. Em 5 de julho de 1933, o Zentrum se dissolve sob solicitação da hierarquia católica, deixando o caminho livre para o NSDAP de Hitler, então partido único. Hitler declara-se católico no “Mein Kampf”, o livro onde ele anuncia o seu programa político. Também afirma que está convencido ser ele um “instrumento de deus”. A igreja católica nunca colocou no seu Índex o “Mein Kampf”, mesmo antes da ascensão de Hitler ao poder. Podemos acreditar que o programa anti-semita do futuro chanceler não desagradava à igreja. Hitler mostrará o seu reconhecimento tornando obrigatória uma prece a Jesus nas escolas públicas alemãs, e reintroduzindo a frase “Gott mit uns” (Deus está conosco) nos uniformes do exército alemão. Em 1938, as SS e SA organizam a “Noite de Cristal”: com trajes civis, os milicianos nazistas atacam sinagogas e lojas pertencentes a judeus. A população alemã está horrorizada e aterrorizada. O bispo de Freiburg, monsenhor Gröber, declara então, em resposta às perguntas sobre as leis racistas e os pogroms da noite de cristal: “Não podemos recusar a ninguém o direito de salvaguardar a pureza da sua raça e de elaborar medidas necessárias a esse fim”. Na Espanha, um general tenta um golpe de estado militar, que aborta mas degenera em guerra civil. A igreja o apoia, padres e bispos benzem os canhões de Franco, celebram com muita pompa Te Deum pelas suas vitórias contra o governo republicano legítimo. A guerra faz mais de um milhão de mortos, e Franco fuzila todos os prisioneiros. Franco se mostrará reconhecido por seus piedosos aliados, nomeando diversos membros da Opus Dei para o seu governo. A influência da Opus Dei crescerá ao longo da ditadura franquista, ao ponto de se chegar a mais de metade dos ministros serem membros dessa venerável instituição católica. Na França, a igreja declara, desde 1940, que “Petain é a França”: ela prefere de fato o Trabalho-Família-Pátria do estado francês às Liberté-Égalité-Fraternité da República, que sempre a horrorizaram. Durante a 2a guerra mundial, o Vaticano estava ciente do extermínio dos judeus pelos nazistas. Saber-se-á, após a guerra, que o papa diversas vezes esteve para fazer um pronunciamento público, mas que finalmente se absteve essencialmente pela sua comunistofobia e achando que uma vitória russa seria “pior”. No entanto ele chorou em 1942, junto às ruínas de Roma, bombardeada pelos aliados. Também ele se esquece de mencionar que o seu aliado político Mussolini tinha solicitado a Hitler para ter “a honra de participar dos bombardeamentos sobre Londres”, é verdade que o papa não habitava em Londres… 
Ano de 1948 O papa declara que todo aquele que votar nos comunistas ou que ajudar esse partido de qualquer maneira, será automaticamente excomungado. Essa medida divide as famílias, provoca exclusões socialmente intoleráveis para muitos e obriga à clandestinidade de numerosos comunistas nas zonas rurais. Os curas italianos apressaram-se a traduzir essa decisão em fatos, e pedem que as suas ovelhas votem no grande partido anticomunista (DC – Democrazia Cristiana). O partido DC vai-se afundar logo em seguida na corrupção generalizada nos anos 90. 
Ano de 1961 Última edição do índex (Índex Additus Librorum Prohibitorum), que cita como autores cujas obras são proibidas de leitura pelos católicos entre outros: Jean-Paul Sartre, Alberto Moravia, André Gide. 
Anos 80 Depois de um período de aparente liberalização, o papa João Paulo II chega à cabeça da maior seita do mundo e rende-se às mais terríveis tradições da igreja. A sua condenação do preservativo, como modo de luta contra a Aids-Sida, provoca um grande número de mortos, difícil de estimar. Pratica uma política ativa de sabotagem às medidas de controle da natalidade no terceiro mundo. As consequências são difíceis de contabilizar, mas podem-se medir em termos de fome, miséria, criminalidade e falta de assistência médica nos continentes mais pobres – América do Sul e África. Na sua caça aos hereges, o papa suspende “A divinis”, dois teólogos alemães que tinham ousado duvidar, um da infalibilidade papal e outro da imaculada concepção de Maria. 
Anos 90: guerras de religião na Iugoslávia A Iugoslávia era, nos anos 80, uma das terras favoritas para férias balneares dos europeus. A publicidade iugoslava da época vendia o caráter multireligioso do país como um argumento turístico, pois se podia ver em Mostar e em outras belas cidades, as mesquitas e as igrejas lado a lado. Mas o país se afundou numa série de guerras civis que se querem descrever como guerras “étnicas”, quando na verdade se trata de guerras religiosas. O caso da guerra da Croácia é o mais flagrante. Sérvios e croatas têm a mesma origem étnica e até a mesma língua, o Croata-servo. O mais irônico é que o croata-servo (servo-croata, escrito em caracteres latinos), é hoje a língua oficial dos soldados do exército Iugoslavo que combateu em Kosovo contra a OTAN, depois de ter lutado contra os croatas no início dos anos 90. Mas a religião separa os croatas dos Sérvios: os croatas foram cristianizados por Roma e são católicos. Os sérvios foram cristianizados pelos bizantinos e são ortodoxos. Quando Milosevitch começa a agitar o espectro da “Grande Sérvia”, a Croácia declara a independência. Imediatamente o Vaticano e a R. F. da Alemanha cujo chanceler se declarava um católico convicto, reconhecem a Croácia católica como estado independente. O Vaticano mandou para todo o mundo anúncios para que os países reconhecessem o novo estado católico. O papa multiplica os apelos, as preces e as missas pela independência da Croácia. Durante esse tempo, o ditador croata, antigo oficial superior do regime comunista e também católico praticante, deu férias para todos os seus funcionários ortodoxos, isto é, sérvios. Depois escolheu como bandeira nacional a antiga insígnia dos Oustachis, que entre 1940 e 44 tinham praticado um genocídio de cerca de 600.000 sérvios. A guerra civil iniciou-se. Finalmente termina essa guerra, e o papa beatifica o cardeal Stepinac que havia qualificado Ante Palevitc, o ditador Oustachi durante a ocupação de 1940/44, de “Dom de deus”, para a Croácia e o havia apoiado ativamente. A guerra da Iugoslávia continuou depois na Bósnia, onde os membros dos três grupos religiosos (ortodoxos, muçulmanos e católicos) se enfrentaram em uma série de combates triangulares, tendo a população civil como a principal vítima. Depois a guerra passou para o Kosovo, província agrícola sem interesse estratégico, e todos sabemos o que se passou. As guerras da Iugoslávia são um caso emblemático da catastrófica intolerância que é típica das religiões “reveladas”: as comunidades religiosas se enfrentam, neste final de século, em nome de religiões que elas receberam dos acasos da expansão dos diversos impérios (Romano, Bizantino e Otomano) desde a idade-média. 

*** Notas do Tradutor (Cassy Beski) 
1 – Que falta de conhecimentos sanitários! 
2 – Para evitar problemas de herança, dos bens da Igreja. 
3 – …do Maranhão, é esse mesmo! 
4 – Dominicanos e franciscanos dominavam a Inquisição. 
5 – No Brasil também interditou e puniu diversos padres mais ousados, como Leonardo Boff. 

Fonte: http://prod.midiaindependente.org/pt/green/2003/04/252986.shtml 

 

Sangue e terror escondidos pela Igreja Católica: as Cruzadas
As Cruzadas foram expedições cristãs ocorridas entre os séculos XI e XIII

com o objetivo de saciar a sede da Igreja por novas terras: tomar a “Terra Santa”dos muçulmanos e, não menos importante, escravizar e saqueá-los. Podemosentender perfeitamente as Cruzadas como “Guerras em nome de Deus”, coloridascom muito sangue derramado da ponta da espada que reluzia o nome do Pai, doFilho, e do Espírito Santo.

Tirando os pretextos oficiais da Igreja, os clericais buscavam realizar através dasCruzadas dois objetivos em um único: ao mesmo tempo em que os sacerdotes“higienizavam” a sociedade dos miseráveis, evitando assim ter que “cortar as suascabeças”, podia-se conquistar algum lucro, como escravos, terras e outros benspara os ambiciosos interesses da Igreja.

Isso fica evidente na forma como as Cruzadas eram organizadas, formadas pelos
“restos humanos”: todos aqueles que não tinham condições de patrocinar a
poderosa máquina católica de tortura. Os combatentes eram lançados à própria
sorte em combates, desprovidos de armas e recursos. À exemplo, as Cruzadas das
Crianças foi formada por cerca de 30 mil meninos desarmados que, acompanhados
pelo Espírito Santo, morreram em combate ou foram escravizados pelos turcos.

Os que partiam para lutar em nome de Deus partiam com a certeza da morte, mascomo recompensas tinham seus pecados perdoados e a vida eterna garantida. Osque não morriam em combates nem eram escravizados, morriam de fome ou dedoença, uma simples infecção bastava devido as condições precárias de higiene.Um médico cristão a respeito da precariedade de vida faz um relato chocante:

(…) Apresentaram-me um cavaleiro que tinha um abscesso em uma perna e uma dona aflitapelo definhamento. Fiz um emplastro no cavaleiro, e o abscesso abriu e melhorou; prescreviuma dieta para a mulher, com pouco tempero. Quando eis que chegou um médico franco,que disse: “Esse aí não sabe curar ninguém”. E, dirigindo-se ao cavaleiro, perguntou: “O queprefere, viver com uma só perna ou morrer com duas pernas?” Tendo este respondido quepreferia viver com uma só perna, ordenou: “Tragam-me um cavaleiro corajoso e um machadoafiado”. Chegaram o cavaleiro e o machado, e eu estava ali presente. O médico colocou aperna sobre um pedaço de madeira e disse ao cavaleiro: “Desça-lhe uma machadada, paracortar de pronto!” E, diante de meus olhos, deu a primeira machadada e, não conseguindoarrancar a perna, deu a segunda; a medula da perna jorrou e o paciente morreu na hora.Após examinar a mulher, ele disse: “Essa aí tem o demônio na cabeça, apaixonado por ela.Cortem-lhe os cabelos”,. Foram cortados, e ela voltou a comer o alimento deles, com alho emostarda, e o definhamento aumentou. “O diabo entrou na cabeça dela”, sentenciou ele, epegou a navalha e abriu a cabeça dela em forma de cruz, extirpando o cérebro até aparecero osso da cabeça, no qual esfregou sal… e a mulher morreu na mesma hora. Naquelemomento, perguntei: “Ainda precisam de mim?” Responderam que não e fui embora, depoisde aprender o que ignorava da medicina deles. – Francesco Gabrieli apud Livro Negro do

Cristianismo: dois mil anos de crimes em nome de Deus. Jacob Fo & cols. Ediouro:2005.

Lamentavelmente, as Cruzadas foi apenas um evento ao longo de uma série queremonta a história sangrenta do cristianismo e da Igreja; esta última em suaversão católica e sacramentada após a morte de Cristo.

A Igreja Católica não toca nesses assuntos, contra eles adota o silêncio, não emsinal de respeito pelos milhares de rostos agonizantes que estão sepultados por trásde todo ouro do Vaticano, seus disparates se fazem ouvir por todo ocidente e emboa parte do oriente com freqüência, como nas pronúncias contra o aborto, adefesa da instituição casamento, a excomungação dos homossexuais, a degradaçãodo prazer sexual sob o pretexto do “recato”, etc. Além, é claro,desavergonhadamente, enquanto instrumento histórico de guerra, o catolicismooficial faz entoar através da figura cadavérica do papa, em suas “CruzadasModernas”, a necessidade urgente de paz entre os povos.

Parece ser consenso entre uma ampla maioria que a paz é fundamental para aevolução das culturas, e, portanto, devemos lutar por ela. Entretanto, quem aolongo de milênios se especializou em matar, torturar, destruir e roubar, separandopovos e espalhando o terror em nome de uma doutrina moral elencada em valoresdeturpantes da vida, criados talantemente pelos corredores oficiais da Igreja, nãoparece estar em condições de entender de pacificidade, amor, respeito,honestidade e outras qualidades que nos remetem à paz.

Outro fato presente que evidencia a sagacidade do Vaticano em mover as peças deacordo com seus interesses, é a “compaixão” do papa por todas as “criancinhas”que foram vítimas da abstinência sexual “sagrada” de alguns padres. A igrejacatólica chegou, inclusive, a pagar supostas indenizações a essas vítimas, o querepresenta meras quinquilharias diante do tesouro acumulado durante o rolar dascabeças.

Impossível seria reunir toda sujeira que representa a história do cristianismo e daIgreja criada por São Paulo e os apóstolos até os dias atuais, enquanto umainstituição política, social e cultural das mais perigosas. Cruzadas, inquisições, apoioao nazismo e fascismo, extermínio de judeus, apoio as mais cruéis ditaduras noBrasil, Chile, Peru, Argentina, Indonésia, etc., são apenas algumas das barbáriesescamoteadas entre as luxúrias do Vaticano.

Estudamos o período das ditaduras na América do Sul e em outros continentes,vemos professores com ímpeto massacrar líderes sanguinários como Hitler,Mussolini e Pinochet, mas em raríssimas ocasiões nos falam também do suporte,dos interesses e das participações sanguinárias do Vaticano e sua gangue quecolocam todos esses líderes no amadorismo.

A Macabra História do  Sínodo do Cadáver!

Sínodo do cadáver, também conhecido como Julgamento do Cadáver ou ainda, em latim Synodus Horrenda é o nome pelo qual ficou conhecido o episódio do julgamento póstumo do Papa Formoso que se deu na basílica de São João de Latrão em janeiro de 897.[1]

Para o julgamento, conforme algumas fontes, o corpo de Formoso (morto nove meses antes) foi exumado, vestido com insígnias e ornamentos e posto num trono e então, o Estêvão VI (alguns o citam como Estevão VII),[2] seu sucessor, pode imputar ao cadáver de Formoso as acusações (das quais Formoso foi considerado culpado), lendo-as diante do inerte corpo. O Sínodo do Cadáver é lembrado como um dos episódios mais bizarros da história do papado medieval.

O Sínodo do Cadaver e eventos relacionados ocorreram durante um período de instabilidade política na Itália. Esse período, que durou de meados do século IX até meados do século X, foi marcado por uma rápida sucessão de pontífices. No ano em torno do Sínodo do Cadaver (872-965) houve 24 papas. Frequentemente, estes breves reinados papais foram o resultado das maquinações políticas de facções locais romanas, sobre o qual poucas fontes sobrevivem.

Formoso foi bispo de Porto (uma das suburbicárias de Roma) em 864 durante o pontificado de Nicolau I. Promoveu missões entre os búlgaros e teve sucesso, tanto que foi solicitado a ser o bispo dos novos convertidos. Não houve permissão de Nicolau I para tanto, já que para ser bispo na Bulgária teria Formoso que deixar sua sé de Porto e o 15°Cânon do Segundo Concílio de Nicéia proíbe um bispo de deixar a sua própria sede para administrar o outra.

Em 875, logo após a coroação de Carlos, o Calvo, Formoso fugiu de Roma com medo do então papa João VIII. Alguns meses depois, em 876, no concílio de Santa Maria Rotunda, João VIII trouxe um série de acusações contra Formoso, acusou-o de ter influenciado negativamente os búlgaros a ponto destes não mais aceitarem o bispo enviado pela sé de Roma[3]; que Formoso conspirava para tomar o papado de João VIII e, por fim, que ele havia abandonado sua sede de Porto e conspirava contra Carlos[4]. Formoso foi excomungado. Em outro concílio, que teve lugar em Troyes (França), João confirmou a excomunhão. De acordo com Auxílio de Nápoles, um autor do século X, Formoso estava presente nesse concílio e pediu perdão aos bispos presentes, e, pelo levantamento da pena de excomunhão jurou tornar-se leigo, não mais entrar em Roma ou tentar reassumir sua antiga sede de Porto. [5] Por outro lado, há outra versão que diz que Formoso não esteve presente ao concílio e tal serviu, sim, para confirmar sua excomunhão.[6]

Após a morte de João VIII em dezembro de 882, Formoso reassumiu o bispado de Porto onde permaneceu até ser eleito papa em 6 de outubro de 891[7]. No entanto, essas antigas disputas com João VIII formaram o libelo acusatório do Sínodo do Cadáver. De acordo com o historiador do século X, Liutprand de Cremona, Estêvão VII perguntou ao cadáver por que ele desejou apoderar-se da sede da Igreja Universal (Roma) com tanta ambição após a morte de João VIII (de acordo com o papa João, Formoso tentou apoderar-se do papado quando João ainda vivia). [8] Mais duas acusações foram feitas ainda: de ter cometido perjúrio e de ter exercido o ofício de bispo quando leigo.[9] O que guarda relação com o referido juramento do concílio de Troyes.

Ao que tudo indica o Sínodo do Cadáver teve uma motivação política. Formoso coroou Lambert de Espoleto co-regedor do Sacro Império Romano-Germânico em 892. O pai de Lambert, Guido III de Spoleto havia sido coroado por João VIII. [10] Em 893, Formoso, preocupado com as possíveis agressões de Guido III, convidou o carolíngio Arnolfo de Caríntia a invadir a Itália e receber a coroa imperial. A invasão de Arnolfo falhou e Guido III morre logo depois. Em 895, Formoso convida novamente Arnolfo a invadir Roma e, no ano seguinte, Arnolfo cruza os Alpes e chega a Roma onde é coroado por Formoso como imperador do Sacro Império Romano, com isso o exército franco parte e Formoso e Arnolfo morrem logo depois em 896. Formoso foi sucedido por Bonifácio VI, que morreu semanas depois. Lambert e sua mãe, a imperatriz Ageltrudes entram em Roma mais ou menos na mesma época em que Estêvão VI é coroado papa. E aí tem lugar o Sínodo do Cadáver. Formoso sempre foi pró-carolíngio e a coroação de Lambert em 892, ao que parece, foi contra sua vontade. Após a morte de Arnolfo e o colapso da autoridade carolíngia em Roma, Lambert entra em Roma e força Estêvão a convocar concílio tanto para reafirmar sua reivindicação sobre a coroa como para promover uma espécie de vingança póstuma contra Formoso.[11]

Esta visão é atualmente é considerada obsoleta, na sequência dos argumentos apresentados por Joseph Duhr em 1932. Duhr salientou que Lambert estava presente no Concílio de Ravenna de 898, convocado sob João IX. Foi nesse processo que os decretos do Sínodo do Cadáver foram revogados. Segundo a acta do concílio, por escrito, Lambert ativamente aprovou a anulação. Se Lambert e Angiltrude foram os arquitetos da degradação de Formoso, Duhr pergunta-se: “Como … João IX foi capaz de apresentar aos cânones que condenaram o sínodo odioso para a aprovação do imperador [ie, Lambert] e seus bispos? Como poderia João IX ousar a abordar o assunto … antes os culpados, mesmo sem fazer a menor alusão à participação do imperador? “ [12] Esta posição foi aceita por outro estudioso: Girolamo Arnaldi, que argumentou que Formoso não exercia uma política exclusivamente pró-carolíngia, e que ele mesmo tinha relações amistosas com Lambert tão tarde quanto 895. Suas relações só azedaram quando o primo de Lambert, Guido IV, marchou em Benevento e expulsou os bizantinos de lá. Formoso em pânico com a agressão, enviou emissários para Bavieraprocurando a ajuda Arnolfo [13]. Arnaldi alega que foi Guido IV, que entrou em Roma, juntamente com Lambert e sua mãe Angiltrude em janeiro de 897, que forneceu o ímpeto para o sínodo. [14]

 

Provavelmente em torno de janeiro de 897, Estêvão (VI) VII ordenou que o cadáver do seu antecessor Formoso fosse removido de seu túmulo e levado para a corte papal, para julgamento.

Formoso foi acusado de transmigração em violação do direito canónico, de falso testemunho, e de servir como um bispo, enquanto na verdade, um leigo. Liutprand e outras fontes dizem que Estêvão tinha despojado do cadáver de suas vestes papais, cortou seus três dedos da mão direita usados para bênçãos, e declarou todos os seus atos e ordenações (incluindo a ordenação de Estêvão (VI) VII como bispo de Anagni) inválidas. O corpo foi finalmente sepultado em um cemitério para estrangeiros, apenas para ser desenterrado mais uma vez, ligado a pesos, e lançado no rio Tibre.[15]

 

O espetáculo macabro fez a opinião pública em Roma voltar-se contra Estêvão. Circularam rumores de que o corpo Formoso, tinha começado a fazermilagres em pessoas depois de lavar-se nas margens do rio Tibre,. A revolta do público levou Estêvão a ser deposto e encarcerado. Enquanto estava na prisão, em julho ou agosto de 897, ele foi estrangulado.

Em novembro de 897, o Papa Teodoro II (897) convocou um sínodo que anulou o Sínodo do Cadaver, reabilitou Formoso, e ordenou que seu corpo, que havia sido recuperado do Tibre, fosse enterrado na Basílica de São Pedro em paramentos pontifícios. Em 898, João IX (898-900) também anulou o Sínodo do Cadaver, e convoca dois sínodos (um em Roma e outro em Ravena), que confirmaram as conclusões do Sínodo de Teodoro II, ordenou que a acta do Sínodo do Cadaver fosse destruída, e proibiu qualquer julgamento futuro de uma pessoa morta.

No entanto, o Papa Sérgio III (904-911), um bispo que tomou parte no Sínodo do cadáver como um co-juiz, anulou as decisões de Teodoro II e João IX, reafirmando a convicção de Formoso, [16] e incluiu um elogioso epitáfio inscrito no túmulo de Estêvão (VI) VII.

Já houve um papa mulher você sabia?

Em 15 de agosto de 858, o soberano pontífice foi acometido de violentas dores no ventre. Eram dores de parto. Só então se soube que João era, na realidade, Joana
Roma, 17 de julho do ano da graça de 855. Leão IV, papa havia oito anos, entregava a alma a Deus. Para substituí-lo no trono de São Pedro, os cardeais escolheram um clérigo tão piedoso quanto sábio, um certo João, o Inglês, assim chamado por causa da origem de sua família. O acontecimento era importante: por um lado, um estrangeiro tornava-se papa, o que não era habitual; por outro, havia sido escolhido por unanimidade, o que era ainda mais raro.

João VIII, monge do mosteiro de São Martinho, em Roma, era pouco conhecido. Tendo chegado à Cidade Eterna alguns anos antes, havia se destacado pela grande discrição e pela aura de uma vida dedicada aos estudos e à fé. E então, quando no século IX o papado ficou entregue às mãos das poderosas famílias romanas, ele tinha a vantagem de não pertencer a nenhum clã, de não tomar o partido de nenhum dos lados. Sua vida exemplar e o que dele se sabia o apresentavam mais como um intelectual devoto do que como um político.

João VIII era um intelectual. No mosteiro de São Martinho, reunia em torno de sua cátedra um auditório cada vez mais importante. Sua eloqüência, seu amor pela teologia e pelas ciências, tanto as sagradas quanto as profanas, o tinham levado a discussões públicas com os maiores eruditos da época. Ele nunca fora pego de surpresa, ou vencido. Ganhou o título de sábio dos sábios. Sua fama ultrapassou, assim, os muros do mosteiro.

Mas tão logo foi eleito, o quase santo não correspondeu às esperanças nele depositadas. O povo de Roma decepcionou-se. De que servia um santo no trono de Pedro, se ninguém podia se aproximar dele, ou mesmo vê-lo?

Na verdade, João VIII se tornou ainda mais discreto do que já era anteriormente. Passou-se um ano, e depois outro, sem sair do Vaticano. No entanto, ele não era inativo: ergueu igrejas e altares, compôs prefácios para as missas e instituiu a quaresma; devolveu o cetro e a coroa imperial a Luís II, filho do velho imperador Lotário, que havia se retirado para um convento. Tudo isso sem nunca aparecer em público.

Mas no início do ano 858 sua presença se fez necessária. Calamidades naturais abateram-se sobre as cidades e os campos. O rio italiano Tibre transbordou, houve um tremor de terra e nuvens de gafanhotos destruíram a colheita. A análise que a mentalidade da época fazia das catástrofes naturais era de analogia com as pragas do Egito. O pontífice, aquele que “fazia a ponte” entre a humanidade e Deus, precisava intervir.

Em desespero de causa, João VIII, convocado pelos cardeais, aceitou conduzir a procissão das Súplicas – destinada a fazer chover -, que devia acontecer no dia da Ascensão.

Na manhã desse dia, os sinos dobravam, e toda a população estava reunida para a festa, ao longo do itinerário previsto, que levava do Vaticano à igreja de São João de Latrão. Mesmo antes que o cortejo partisse do palácio pontifical, o entusiasmo estava no auge.

Enquanto milhares de vozes encobriam os salmos e as súplicas pronunciadas pelo papa, o cortejo cumpria as principais etapas, pelas ruas de Roma. O sol, elevando-se no céu, fazia-se mais e mais ardente, e as primeiras fileiras da multidão e dos cardeais começaram a notar que o rosto do papa se alterava, de quando em quando. Em seguida, uma careta de dor contínua marcou sua face. A preocupação tomou conta dos cardeais. Mais ainda porque o papa deixou de cantar e gemia surdamente. Os membros da Cúria se perguntavam se não seria melhor interromper a cerimônia.

Mas não houve tempo de responder. Subitamente, o papa soltou um grito, caiu da mula que o carregava, seguro somente por dois cardeais que estavam a seu lado. O sumo pontífice se dobrou sobre si mesmo, apertando o ventre e desmaiando. A multidão foi sacudida pela surpresa, os gritos e o choro substituíram os cantos religiosos. João VIII foi levado para o interior da igreja de São Clemente.

Lá dentro, ao mesmo tempo que se tentava descobrir a razão daquela dor no baixo ventre, ao se erguer as vestes do papa uma horrível revelação saltou aos olhos dos que ali estavam: o papa era uma mulher! Aterrorizados, todos fizeram o sinal da cruz. A cólera começou então a substituir o estupor. Mas o escândalo não terminava ali. O papa João VIII estava dando à luz, conspurcando as roupas de cerimônia e o local sagrado da igreja.

A inacreditável notícia se espalhou. Rapidamente ficou difícil conter a multidão, que tentava massacrar ali mesmo aquela que havia ousado desprezar o cargo mais importante da cristandade. Finalmente sabia-se quem era a responsável pelas calamidades enviadas pelo Senhor. João VIII, a papisa, morreu de dores de parto. A criança, uma menina, nasceu morta.

Todos se puseram de acordo para encontrar um culpado. No caso, o culpado foi João, o Inglês, doravante mais adequadamente chamado de Joana. A Cúria decidia não considerar aquela aventureira a única culpada. Providenciou-se uma diligência de investigação – o que se deveria ter feito antes – e se descobriu toda sua história.

Aos 18 anos, Joana partira com um amigo para Atenas – alguns textos falam de amante – para ali estudar grego e filosofia, passando uma primeira vez por Roma. Por motivos de conforto na viagem, vestiu roupas masculinas. Depois da Grécia, ficou na Inglaterra, terra de seus antepassados. Como seu companheiro morreu, ela voltou a Roma, capital do mundo cristão, e, antes como agora, principal centro da cultura religiosa. Todavia, ela tinha conservado as roupas masculinas, consciente das vantagens que podia auferir. Na verdade, graças àquelas roupas Joana foi apresentada aos círculos mais restritos, reservados aos doutos eruditos da cristandade, e introduzida nos mosteiros, que as mulheres não tinham o direito de freqüentar. Alguns santuários eram efetivamente proibidos, e elas só podiam venerar as relíquias dos santos, ali conservadas, uns poucos dias por ano. Antes dela, outras mulheres também tinham evitado a proibição graças a um disfarce. Foi assim que, por uma discrição constante e uma sede de trabalho intelectual, Joana pôde, nos primeiros tempos, integrar o mosteiro de São Martinho em Roma, e depois, finalmente, ser eleita papa.

Permanecia o mistério da gravidez. Como explicar que ela estivesse grávida, ela que sempre tinha sido de uma pureza e de costumes irrepreensíveis? Bocage, muitos séculos depois desses acontecimentos, indicou que, cedendo à licenciosidade que reinava em Roma, Joana havia se deixado seduzir por Lamberto da Saxônia, embaixador naquela cidade. Pergunta-se se ele, ao querer seduzir um papa, se viu de repente com uma jovem mulher nos braços, ou se teria antes descoberto a mulher por detrás do papa. A história não fala diretamente, mas ainda assim revela bastante sobre a licenciosidade sexual da corte pontifical de então: alguém ambicioso podia empregar todos os meios para atingir seus objetivos. Lamberto da Saxônia, por exemplo, não assumindo absolutamente o papel de pai da filha do papa, se eclipsou judiciosamente, antes que o escândalo estourasse. E foi esse escândalo que se tornou de conhecimento geral no dia da Ascensão em 858.

As primeiras fontes que contaram a história da papisa Joana datam de quatro séculos depois dos acontecimentos. Pois se certos manuscritos falam deles, como o de Anastásio, o Bibliotecário (século IX), ou as crônicas de Martin le Scot, monge de Fulda (século XI), e de Sigebert de Gembloux (século XII), assim foi somente nas versões dos séculos XIV e XV. Os manuscritos originais não dizem uma única palavra a respeito. Na realidade, o testemunho escrito mais antigo sobre a papisa está em A crônica universal de Metz, redigido por volta do ano 1250 pelo dominicano Jean de Mailly.

Segundo ele, o episódio aconteceu no final do século XI. Ele o cita como um boato: “A verificar. Naqueles anos, houve um certo papa, ou melhor, uma papisa, pois era mulher; disfarçando-se de homem ela se tornou, graças à honestidade de seu caráter, notário da Cúria, em seguida cardeal, e finalmente papa (…)”. Esse texto, por sua vez, está reproduzido no Le traité des divers sujests de prédication, do dominicano Étienne de Bourbon, escrito por volta de 1260. Depois de Étienne de Bourbon, a história foi ganhando detalhes. Assim, em sua Crônica dos papas e imperadores, o dominicano Martinho, o Polonês, diz: “Depois desse Leão, João, tido como inglês, mas na verdade originário de Mogúncia, reinou 2 anos, 7 meses e 4 dias. Morreu em Roma e o papado ficou vago por um mês. Pelo que se diz, ele era uma mulher. (…) Ele não foi inscrito na lista dos santos pontífices, em razão da não conformidade de sexo”. Essa crônica teve um sucesso extraordinário. Mais de 150 manuscritos chegaram até nossos dias.

Com a divulgação desses relatos, a crença na história da papisa foi confirmada. Em 1403, quando Jean Gerson pregava diante do papa Bento XIII, em Tarascona, ele citou-a como personagem oficial da história. Ao indicar, no Concílio de Constância, que ela havia ocupado o trono pontifical durante dois anos, Jan Huss não foi desmentido por ninguém. Assim como o cardeal Juan de Torquemada, tio do famoso inquisidor, quando recordou sua história, em sua Súmula para a Igreja, em 1561.
Essa versão só foi alterada no fim do século XVI. Clemente VIII conseguiu do grão-duque da Toscana que o retrato da papisa fosse apagado da catedral de Siena, onde há representações de vários papas. Foi na época da Contra-Reforma católica que as dúvidas sobre a existência da papisa começaram. Concomitantemente ao fato de os protestantes explorarem essa história, para mostrar a depravação do clero católico em todas as épocas.

Para dar uma resposta a esses polemistas, os católicos transformaram-se em críticos históricos. O primeiro a fazer isso foi sem dúvida Jean l’Aventin, que em seus Anais bávaros refutava o que ele chamava de lendas sobre a papisa. Os eruditos católicos, por sua vez, afirmavam que era materialmente impossível situar João VIII, nome oficial e registro do exercício do papado por Joana, na data em geral atribuída pela lenda. Se um João VIII havia realmente existido , não havia qualquer lugar para a papisa na cronologia dos papas, como confirmava o Liber Pontificalis, a solidíssima historiografia dos papas.

De Onofrio Panvivio a Florimon de Rémond, todos os eruditos negaram a lenda. No século XVIII, o golpe mortal foi dado por Bayle, em seu Dicionário histórico e crítico. Os filósofos do Iluminismo tampouco acreditavam. E se os opositores do clero, do século XIX, tentaram relançar a lenda, tampouco tiveram sucesso.
IVAN MATAGON é especialista em história medieval
O verdadeiro João VIII: dez anos de reinado
João VIII existiu realmente, mas à exceção do nome não tinha nada a ver com a papisa. Sagrado papa no final de dezembro de 872, ele sucedeu a Adriano II. Palaciano, foi por muito tempo arquidiácono (chefe dos diáconos responsável pela coleta de esmolas) e se revelou tão ponderado como econômico. Seu cuidado com as finanças permitiu que ele enviasse tropas contra os sarracenos e promovesse grandes obras em Roma, cidade que era então um vasto campo de ruínas, com as antigas construções ainda em pé. Assim, foi sob seu reinado que as paredes do Vaticano foram reforçadas. João VIII  morreu em 15 de dezembro de 882, sem dúvida envenenado por um clérigo da Cúria.

O ritual de checagem do sexo papal
Depois do incidente que se seguiu à eleição involuntária de uma mulher para o trono de Pedro, os clérigos do Vaticano tiveram a idéia de submeter o eleito a um ritual que certificasse o sexo do futuro papa. No momento da investidura do novo pontífice, ele tinha que se sentar numa cadeira semelhante a um assento sanitário que o obrigava a abrir as pernas. Um diácono se assegurava então da presença dos órgãos genitais masculinos, pronunciando a frase “Habet duos testiculos et bene pendentes”. Ainda existem duas dessas cadeiras. Uma está no Vaticano, a outra, roubada, como tantos outros tesouros por subordinados de Napoleão quando da campanha da Itália, está no Museu do Louvre.

Fontes:

  1.  For the date cf. Joseph Duhr, “La concile de Ravenne in 898: la réhabilitation du pape Formose,” Recherches de science religieuse 22 (1932), p. 541 note 1
  2.  Herbermann, Charles G. Ed. The Catholic Encyclopedia (New York: Robert Appleton Company, 1907) 289-90
  3.  John VIII, JE 3041, ed. E.L.E. Caspar, MGH Epistolae Karolini Aevi, vol. 5, p. 327
  4.  John VIII, Epistolae, ed. Caspar, p. 327
  5.  Auxilius,Auxilius, In defensionem sacrae ordinationis papae Formosi, I.4, ed. Dümmler, Auxilius und Vulgarius (Leipzig, 1866), p. 64
  6.  Hubert Mordek and Gerhard Schmitz, “Papst Johannes VIII. und das Konzil von Troyes,” in Geschichtsschreibung und Geistiges Leben im Mittelalter: Festschrift für Heinz Löwe zum 65. Geburtstag, ed. Karl Hauck and Hubert Mordeck (Cologne, 1978), p. 212 n 22.
  7.  Dümmler, Auxilius und Vulgarius, p. 6 nn. 5 and 6
  8.  Liutprand, Antapodosis, I.30, ed. in Corpus Christianorum: Continuatio Medievalis, vol 156, p. 23, lines 639-43
  9.  Council of Ravenna in 898, acta edited by J. D. Mansi,Sacrorum conciliorum, nova, et amplissima collectio, vol. 18, col. 221
  10.  Williams, George L. 2004. Papal Genealogy: The Families and Descendants of the Popes. McFarland & Company. ISBN 0786420715. p. 10.
  11.  Cf., for example, Duchesne, Les premiers temps de l’état pontifical (Paris, 1904), p. 301; and the detailed account in the old Catholic Encyclopedia, online at http://www.newadvent.org/cathen/06139b.htm
  12.  Joseph Duhr, “La concile de Ravenne in 898: la réhabilitation du pape Formose,” Recherches de science religieuse 22 (1932), p. 546
  13.  Girolamo Arnaldi, “Papa Formoso e gli imperatori della casa di Spoleto,” Annali della facoltà di lettere e filosofia di Napoli 1 (1951), p. 85ff. Portions of this view had been argued earlier by G. Fasoli, I re d’Italia (Florence, 1949), 32ff
  14.  Arnaldi, “Papa Formoso,” p. 103
  15.  “Quo constituto…formosum e sepulcro extrahere atque in sedem Romani…collocare praecepit. Cui et ait: ‘Cum Portuensis esses episcopus, cur ambitionis spiritu Romanam universalem usurpasti sedem?” Liutprand, Antapodosis, I.30 (CCCM 156, p. 23, ll. 639-43). Liutprand of Cremona’s is perhaps the most convenient account of synod, though many additional details are furnished by the pro-Formosan Auxilius. Cf. Dümmler’s edition, Auxilius und Vulgarius (Leipzig, 1866), chs. IV (p. 63ff) and X (p. 70ff) especially.
  16.  Williams, 2004, p. 11.
  17. http://www.cacp.org.br/catolicismo/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=94&cont=1&menu=2&submenu=2
  18. http://prod.midiaindependente.org/pt/green/2003/04/252986.shtml
  19. http://pt.scribd.com/doc/4479477/O-sangue-e-terror-escondido-pela-igreja-catolica-as-Cruzadas
  20. http://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Tel%C3%A9sforo
  21. http://super.abril.com.br/revista/239/materia_revista_230047.shtml?pagina=1

 E ainda há quem se ache nesta instituição que mais matou seres humanos no mundo moral para criticar algum segmento ou outra religião!

 

 

2 Respostas to "“Acreditar num deus cruel, faz um homem cruel.” – A História Sangrenta da Igreja Católica"

Felipe, tem algum texto equivalente falando dos evangélicos?
Eu acho os evangélicos MUITO MAIS perigosos para a causa LGBT do que aos católicos.

Pelo menos não vejo nenhum deputado católico propondo projeto pra obrigar psicólogo a dar choque elétrico ou fazer lavagem cerebral em gay.

Nada contra seu texto, mas no Brasil e nesse momento os chamados “crentes” com todo seu fanatismo facilmente manipulável por crápulas como silas malafaia e outros do mesma laia são o real perigo.

Meu caro, todos os meus textos são destinados a parlamentares e ditadores evangélicos, tais como: Magno Malta, Édino Fonseca, Crivella, Anthony Garotinho, Lucena, Clarisse Garotinho, Marcos Feliciano, Silas Malafaia, raramente falo sobre os católicos, porém a missionária católica Myrian Rios conseguiu arrastar no mínimo uns dez deputados católicos pra bancada fundamentalista contra os LGBTs e os católicos as vezes saem como “neutros” e não é bem por ai! Por exemplo, Políticos católicos aprovaram moção de censura contra o Frei Betto por ele dar um parecer favorável ao estado laico e a união civil entre pessoa do mesmo sexo! De 10 dos meus textos 1 é destinado aos fundamentalistas católicos, é irrisório o número, você que me acompanha sabe!🙂. Mas você já deve me conhecer, se eu tiver que questionar um Espírita por sua conduta preconceituosa, questionarei, independente da religião, infelizmente os evangélicos tem se mostrado mais homofóbicos do que tudo, por isso escrevo mais sobre eles! Um abraço!

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Ativista dos Direitos Humanos (Principalmente LGBTs ); Teólogo;Homeopata; Psicanalista, especialista em Sexualidade Humana, Filosofia, Sociologia;Blogueiro.

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