Homofobia Basta!

Cartilha da sexualidade para parlamentares brasileiros #HomofobiaNAO

Posted on: 24 de junho de 2011

Visto a imensa necessidade sobre o assunto resolvi criar uma cartilha, bem pequena é claro, afim de esclarecer a mente dos deputados que a respeito de sexualidade vem demonstrando uma enorme falta de conhecimento, como por exemplo o Deputado Federal João Campos que disse que não há uma definição para ‘orientação sexual’, ou para o Senador Magno Malta que confunde homossexualidade com Bestialidade ( zoofilia ) que é uma parafilia, ou para Anthony Garotinho que tem medo de virar homossexual se a PLC 122 for aprovada;

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Cartilha de atualização sobre sexualidade humana para parlamentares brasileiros

Baseado nos critérios do Código Internacional de Doenças ( CID-10 ), no O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais ( DSM – IV ) e nos critérios psicanalíticos estabelecidos por Lapanche e Pontalis em Vocabulaire de la Psychalanyse, também nos atuais estudos e pesquisas pautadas em Universidades e relevância de consciência e educação. 

1- Orientação sexual

Ao contrário do que alguns parlamentares dizem o termo orientação sexual é algo muito bem pautado dentro da área Psi.

Ela diz respeito à atração que se sente por outros indivíduos. Ela envolve questões sentimentais, e não somente sexuais. Assim, se a pessoa gosta de indivíduos do sexo oposto, falamos que ela é heterossexual (ou heteroafetiva). Se a atração é por aqueles do mesmo sexo, sua orientação é homossexual (ou homoafetiva). Há também aqueles que se interessam por ambos: os bissexuais (ou biafetivos).

2- Identidade de Gênero

É mais complexa, porém não deixa de ser pautada e nem de ser incompreensível para leigos.

O senso comum tem como certa e absoluta a crença de que a identidade sexual, advinda do aparelho genital de cada pessoa, e a sua identidade de gênero deverão coincidir sempre. Assim, se a pessoa nasce macho ou fêmea, espera-se que ela automaticamente assuma a identidade masculina ou feminina, respectivamente. Infelizmente, não é assim que as coisas funcionam no mundo real. Ninguém se torna homem, masculino, simplesmente por ter nascido com um pinto entre as pernas. Da mesma forma, ninguém se torna mulher simplesmente por possuir uma vagina e um par de seios. As escolhas não são automáticas assim como a opção de cada indivíduo por essa ou aquela identidade de gênero  não se restringe ao sexo biológico que apresenta ao nascer. O número de variáveis envolvidas na escolha é infinitamente maior do que simploriamente supõe o senso comum. 

Obs: Ao falar de escolhas, falo de escolhas inconscientes, há âmbito psicanalítico, não de escolha “opção” de poder escolher em sã consciência isto ou aquilo.
3 – Homofobia

homofobia define o ódio, o preconceito, a repugnância que algumas pessoas nutrem contra os homossexuais. Aqueles que abrigam em sua mente esta fobia ainda não definiram completamente sua identidade sexual, o que gera dúvidas, angústias e uma certa revolta, que são transferidas para os que professam essa preferência sexual. Muitas vezes isso ocorre no inconsciente destes indivíduos. 

Para reafirmar sua sexualidade e como um mecanismo instintivo de defesa contra qualquer possibilidade de desenvolver um sentimento diferente por pessoas do mesmo sexo, os sujeitos tornam-se agressivos e podem até mesmo cometer assassinatos para se preservarem de qualquer risco. Muitas vezes, porém, a homofobia parte do próprio homossexual, como um processo de negação de sua sexualidade, às vezes apenas nos primeiros momentos, outras de uma forma persistente, quando o indivíduo chega a contrair matrimônio com uma mulher e a formar uma família, sem jamais assumir sua homossexualidade.

4 – Diferenças entre Zoofilia, Pedofilia, Necrofilia e Homossexualidade

Há no mínimo uma grande má fé nos indivíduos que comparam homossexuais a pedófilos, necrófilos ou zoófilos.

– Pedofilia é o desvio sexual “caracterizado pela atração por crianças, com os quais os portadores ( Adultos) dão vazão ao erotismo pela prática de obscenidades ou de atos libidinosos” (Croce, 1995), catalogado como parafilia no CID-10 ( F65.4 ). Pedofilia não tem nexo com homossexualidade, o pedófilo não tem “orientação sexual pedofilíaca”, ele tem uma atração doentia por crianças, sejam elas do sexo feminino ou masculino;

– Zoofilia é uma parafilia definida pela atração ou envolvimento sexual de humanos com animais de outras espécies, é considerada como uma perversão sexual humana, associando-a a transtornos neuróticos, rudez, insensibilidade e grosseria aliada à um bloqueio afetivo de amor a um parceiro humano, consta no CID-10 ( F65.8 );

– Necrofília é um fenômeno muito raro considerado  uma parafilia caracterizada pela excitação sexual decorrente da visão ou do contato com um cadáver;

– Homossexualidade, é uma variente normal da sexualidade humana, assim como a heterossexualidade, não implica na capacidade de raciocínio, cognição, convívio social, não traz prejuízo a saúde por si só, não é doença, não é perversão, não é parafilia, não é desvio, a OMS, desde 1991 desconsidera a homossexualidade como algo ruim ou patológico, assim como a Psicologia, Psiquiatria e Psicanálise.

* Resumindo, aos que comparam a homossexualidade com práticas e doenças de origem psicóticas, maníacas e de origem parafilíaca age de má fé, visto que a homossexualidade não consta como doença a mais de 30 anos nos compêndios de Psiquiatra e Psicologia e a mais de 100 ( CEM ) anos não é tida como doença ou perversão ( Freud, 1905 );

5 – “Ex-Gay”

É um termo utilizado por pessoas e organizações que apoiam outras pessoas que estão em conflito em relação a sua atração pelo mesmo sexo ou que tentam se abster de praticar relações com indivíduos do mesmo sexo, com o objetivo de eliminar desejos homossexuais, para desenvolver desejos heterossexuaisou entrar em um relacionamento heterossexual. Também é usado para descrever pessoas que eram consideradas como homossexuais ou bissexuais, mas que já não consideram essa a sua identidade atual. Quando o termo foi introduzido na literatura profissional, em 1980, E. Mansell Pattison definiu como descrever uma pessoa que “passou por uma mudança de base na orientação sexual

O termo ex-gay é bastante discutido, pois não há provas científicas que a orientação sexual de uma pessoa possa ser alterada através de terapias sendo, provavelmente, definida por questões genéticas ou de natureza inata. Existem alguns grupos, a maioria de fundamentação religiosa, como por exemplos os cristãos e muçulmanos, que afirmam que a orientação sexual de uma pessoa é influenciada pelo tipo de educação comportamental que foi realizada na infância e poderia ser alterada mais tarde. Estudos da psicologia, no entanto, afirmam que a orientação sexual não é algo controlável.

Organizações médicas reconhecidas, como a Associação Americana de Psicologia, afirmam que os procedimentos que se propõem a realizar tais mudanças não são eficazes e que ao contrário do que se propõe colocam em risco a saúde mental e a vida dos que são submetidos a tais terapias. No mesmo sentido o Conselho Federal de Psicologia do Brasil adotou uma resolução afirmando que “a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão” e que os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e/ou cura da homossexualidade.

O terapeuta e professor de psicologia clínica da Universidade da Basiléia, na Suíça, Udo Rauchfleisch, afirma que a verdadeira orientação sexual da pessoa, com seus sentimentos entrelaçados, com suas fantasias eróticas e sexuais, assim como com suas preferências sociais, não permitem modificação. A Associação Americana de Psiquiatria, assim como a Associação Americana de Psicologia, também declarou que “algumas pessoas acreditam que a orientação sexual é inata e fixa; no entanto, a orientação sexual desenvolve durante toda a vida da pessoa.”

6 – Homossexualidade “aprendida”

Um dos maiores medos do parlamento brasileiro é de que a aprovação de leis que visam garantir direitos e deveres a LGBTs é de feito isso o Brasil irá virar o País “Gay”, mas isto é uma ignorância sem tamanho, o Canadá, a Argentina, Uruguai, Suécia, Suiça, Portugal tem leis muito mais rigorosas do que as propostas no senado hoje e não viraram “Nação gay”, a teoria da homossexualidade aprendida é extremamente rídicula e maliciosa, estudos comprovam que a homossexualidade não provém de fatores sociais e sim biogenéticos, inatos.

7 -Homossexualismo

O termo homossexualismo é um termo inadequado e que provém de origem muita das vezes preconceituosa, visto que o mesmo foi extinto a mais de 11 anos pela Organização Mundial de Saúde, o prefixo ismo se refere a doenças, coisa a qual a homossexualidade não é e ao ver parlamentares e pessoas que zelam pela Nação Brasileira utilizar o termo “homossexualismo” induz a um novo ciclo de preconceito que deve começar a ser quebrado dentro do próprio parlamento que tem por obrigação proteger e garantir igualdade de direitos a todos os cidadãos. 

8 – Adoção por pais homossexuais resultam em crianças homossexuais;

Mais uma mentira apregoada no legislativo.

Um estudo realizado pelo Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo)pelo pesquisador Ricardo de Souza Vieira revela que a criação e educação de crianças por casais gays não causa perda psicológica nos filhos – a função psíquica materna e paterna pode ser exercida por duas pessoas do mesmo sexo.

Ou seja, um casal homossexual irá dar o que um casal heterossexual dá para suas crianças, amor, carinho, educação e isso não irá implicar em uma orientação homossexual, visto que estudos comprovam que a orientação sexual é determinada antes de nascer, por fatores biogenéticos. 

Desumano é deixar os orfanatos lotados de crianças precisando de uma família enquanto existem milhares de casais homo e heterossexuais querendo e não podendo ter filhos.

9 – Casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Outro medo do legislativo é este, que ao se legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, todos irão aparecer na Igreja Assembléia de Deus ou na Igreja Católica de véu e grinalda para celebrar seu casamento, o que é uma enorme ignorância. Sem dúvidas vocês sabem que a Igreja Católica não casa pessoas divorciadas e ponto. Pessoas divorciadas não vão lá e obrigam o padre com faca a casar a pessoa divorciada, assim também será com os homossexuais, igreja nenhum será obrigada a celebrar o casamento homossexual, cada igreja tem o seu regimento interno e que deve ser respeitado e tem esse regimento resguardado em lei e não será derrubado com a proteção dos direitos dos LGBTs ou aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, é mera e pura ignorância.

10 – DSTs e Homossexuais;

Um estigma que caiu sobre a cabeça dos preconceituosos depois da divulgação da OMS sobre a população atingida pelas DSTs de todo o mundo, todos conhecem os homossexuais como “portadores de doenças sexualmente transmissíveis” principalmente do vírus HIV, porém isso foi desmistificado 

“Segundo o boletim, em 1996, 29,4% dos casos de Aids registrados na população masculina foram em homens homo ou bissexuais, 25,6% em heterossexuais e 23,6% em usuários de drogas injetáveis. Em 2006, também considerando a população masculina, 27,6% dos casos de Aids registrados foram em homens homo ou bissexuais, 42,6% em heterossexuais e 9,3% em usuários de drogas.” Fonte: G1

O número de contaminação entre homossexuais caiu e entre heterossexuais quase dobrou é estranho que ainda se tenha a AIDS como doença “Gay”.

Atenciosamente Felipe Resende,

Psicanalista especialista em Sexualidade Humana;

“Nunca é tarde para abrirmos mão dos nossos preconceitos.”

Henry Thoreau 

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5 Respostas to "Cartilha da sexualidade para parlamentares brasileiros #HomofobiaNAO"

Não sou expert no assunto, mas gostei muito da proposta de entregar esta cartilha aos parlamentares. Só dá uma revisada no texto, porque eu li “Homossexulidade” e “Casalmento” aí. E na parte de homofobia, não sei se os termos adequados foram utilizados (“identidade sexual”, que no item anterior foi dada como resultante do organismo da pessoa). Abraços!

Vlw pelo toque, concertado…

A Identidade Sexual é algo psicológico assim como a personalidade, mas também como ela tem fatores biogenéticos então não é errado falar que é resultante do organismo da pessoa.
Abçs

Caramba! Tem q mandar logo essa cartilha!

Muito bom esse texto.

1. Acho que essa manipulação de informações realizada de má fé pelos grupos religiosos vai perder cada vez mais o seu poder frente a popularização da internet, melhoria da educação e valorização da ciência.

2. Se você consegue compreender que tem todo direito de ser homossexual e mesmo assim se percebe como heterossexual, então não fica aquela pulga atrás da orelha. Sou hétero porque sou, e não porque ser homo “pegaria mal”.

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Ativista dos Direitos Humanos (Principalmente LGBTs ); Teólogo;Homeopata; Psicanalista, especialista em Sexualidade Humana, Filosofia, Sociologia;Blogueiro.

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