Homofobia Basta!

Filosofia clínica, fé, espiritualidade, singularidade e igualdade.

Posted on: 23 de junho de 2011

Numa viagem muito bem planejada, conciliando estudo filosófico, turismo e confraternização é claro, afinal filósofos também gostam de um bom vinho e parafraseando Pasteur “existe mais filosofia em uma garrafa de vinho do que em todos os livros” (para alguns) fomos a Israel, a terra Santa.

Visitamos desde territórios em conflitos como as montanhas de Golan, disputadas entre Israel e Síria. Passamos por lugares sagrados como o Monte Tabor, Monte Carmelo, Monte Gilboa, Cafarnaum, Caná da Galiléia, Rio Jordão, Tiberíades, Monte das Bem-Aventuranças, Mar da Galiléia, Belém, Jericó, Masada no deserto de Negev, nos banhamos nas águas (ou será no sal) do mar morto e encerramos nossa viagem de estudo nas minas do Rei Salomão. Pernoitamos em Eilat, fronteira com o Egito, Jordânia e Arábia Saudita.

Dias antes do deserto o grupo estava ansioso, afinal sexta-feira estava chegando e nossa entrada triunfal em Jerusalém se aproximava. Entramos depois das 18 horas e já era o Sabbath, dia sagrado para os judeus, como que para nós um feriado de dia santo Nacional, a cidade estava deserta, apenas os Judeus ortodoxos caminhavam com suas famílias de madrugada pelas vazias ruas da cidade, depois de frequentarem a sinagoga. 

Em Jerusalém, iniciamos nossa jornada com uma visão geral da cidade, no cume do Monte das Oliveiras, conhecemos as milenares construções no Monte Moriá (o Monte do Templo), fizemos a via crúcis partindo da antiga Jerusalém até ao Gólgota (Calvário), onde Jesus foi crucificado. Ali se encontra a igreja do Santo Sepulcro. Visitamos o Museu do Holocausto e fomos, onde para mim foi o que me motivou principalmente a viajar para a terra santa, ao Workshop na Universidade Hebraica de Jerusalém. Ali aprofundamos nossos conhecimentos em Levinas e Martin Buber (assunto para outro artigo).

Cada lugar desses que passamos, tivemos experiências marcantes, para alguns muito intensas, para outros menos, porém marcantes. Estudamos, a cada deslocamento, temas ligados a filosofia clínica e a peculiaridade de um povo que sofreu com seguidas invasões de sua terra,viveu duas Dispora e mesmo tendo morado em dezenas de países manteve sua língua e costumes. Meu pensamento teimava em perguntar  “o que teria mantido a identidade desse povo?” Seria o fator religioso?

Quase todos esses lugares que citei são disputados por diversas religiões como no Monte Moriá, o Monte do Templo de Jerusalém, lugar sagrado para as religiões monoteístas, o cristianismo, judaísmo e islamismo. Aqui cabe uma pequena reflexão:

Penso que quando você discute se o controle do Monte Moriá, deve pertencer a esses ou aqueles crentes , você está discutindo religião, quando você discute se a igreja do Santo Sepulcro deve pertencer e ser explorada pela Igreja Católica Romana, pela Igreja Ortodoxa Grega, Armênia ou Russa, todas acreditando no mesmo Cristo como filho de Deus e disputando aquele espaço, você está no campo relioso.

Quando você discute quem vai para o céu, quem vai para o inferno, quando você discute se Deus é contra ou a favor da prática do homossexualidade, se é lícito pagar 10% ou 1% do salário em dízimo, você está discutindo religião.

Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria evolutiva de Darwin ou a criacionista da narrativa do Gênesis, se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião. Algumas pessoas precisam sim da religião para se ligar ou religar a Deus, porém algumas pessoas não se ligam a Deus pelo campo religioso e nem precisam ir a uma igreja, a um templo feito de pedra para fazer suas orações. Para cada um é de um jeito e não há certo ou errado nisso.

O que tenho presenciado e aprendido é que na maioria das vezes que se discute religião, você afasta as pessoas uma das outras, promove o sectarismo e a intolerância. A história é testemunha das Guerras Santas (guerras santas?). Provavelmente matou-se mais em nome de Deus do que  por qualquer outro motivo. Quantas ideologias religiosas dentro e fora do mesmo credo que serviram e servem para separar e distanciar irmãos. 

Talvez o problema seja que cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão a sua religião ou por querer que o outro deixe de existir enquanto outro, e se tornem iguais a eles, ou até fazem isso pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus. Nesse  caso não passa de um ídolo com pretensão de ser deus, aqui com “d” minúsculo.

Assim como dentro do nosso grupo de filósofos clínicos que frequentam igrejas diferentes e comungam a mesma fé e também entre os peregrinos de Jerusalém, vejo que a maioria ultrapassou a placas de igreja, ultrapassou a discussão no campo religioso. Eles comungam da espiritualidade, aqui sim a atenção e ação está em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, comum em todas as religiões. Quando você está com o coração cheio de espiritualidade e não de religião, você promove a justiça e a paz.

Em síntese, quando você vive na espiritualidade, você entra na igreja do Santo Sepulcro e comunga com evangélicos, espíritas, ortodoxos, judeus, islâmicos, budistas… pois a espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais da bíblia, do corão, de cada uma das tradições de fé e principalmente no respeito a diferenças entre os irmãos.

Beto Colombo

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Ativista dos Direitos Humanos (Principalmente LGBTs ); Teólogo;Homeopata; Psicanalista, especialista em Sexualidade Humana, Filosofia, Sociologia;Blogueiro.

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