Homofobia Basta!

HOMOSSEXUALIDADE COMO CONFLITO MORAL: DUAS PERSPECTIVAS CRISTÃ

Posted on: 11 de junho de 2011

Bom pessoal, este é um texto maravilhoso que eu consegui do Dr. James Ferris Pós Graduado em Ciências da Religião, é um texto longo, a qual eu retirei apenas uma pequena parte, se pegasse tudo não daria aqui, gostaria que lessem, sem pré-julgamentos ou pré-conceitos, no final, deixarei a minha opinião.

 
HOMOSSEXUALIDADE COMO CONFLITO MORAL:  DUAS
PERSPECTIVAS CRISTÃS 

Dr. James Farris
Pós-Graduação em Ciências da Religião
UMESP

HOMOSSEXUALIDADE: PERSPECTIVAS “TRADICIONAIS /
                                    CONSERVADORAS” 

 Antes de discutir as convicções específicas relativas à
homossexualidade, é importante distinguir a diversidade de atitudes dentro
desta perspectiva.  Há três atitudes gerais, embora simplificadas, a respeito da
homossexualidade dentro desta perspectiva.  A atitude mais conservadora pode
ser descrita como a condenação.  O homossexual, é considerado como pessoa
em rebelião direta, consciente e intencional contra a vontade revelada de Deus
e o dever da igreja é condenar tais pessoas e comportamentos.  Embora haja
uma minoria dentro desta perspectiva que apóia a condenação, este grupo é
altamente expressivo.  Este grupo oferece pouca, ou nenhuma atenção pastoral
aos homossexuais.   
 Uma segunda atitude geral dentro desta perspectiva também acredita
que a homossexualidade é uma rebelião direta, consciente e intencional contra
a vontade revelada de Deus, mas acredita que a cura é possível.  Por isso, a
responsabilidade pastoral da Igreja é oferecer a esperança e os meios de cura,
ou de transformação.    
 Um terceiro grupo dentro desta perspectiva tende a ser mais  aberto à
evidência científica e as necessidades de homossexuais.  Este grupo entende a
homossexualidade como pecado, mas coloca menos ênfase na escolha
intencional.  Isto é devido à aceitação de teorias científicas que entendem a
homossexualidade como parte integrante da personalidade.  Embora a
homossexualidade seja entendida como sendo contra a vontade revelada de
Deus e a ordem natural, ela é considerada como sendo predisposição  e não
escolha.  Este grupo freqüentemente adota uma atitude pastoral de “aceitar o
pecador mas rejeitar o pecado”.    
    15
1)  Qual a autoridade na qual se baseia o julgamento moral a respeito da
homossexualidade e/ou dos atos homossexuais?

 De acordo com esta perspectiva, como com qualquer questão moral, a
única autoridade definitiva é a vontade revelada de Deus, presente na Palavra
de Deus, a Bíblia. Na interpretação mais conservadora desta autoridade, a
Bíblia é entendida como estando além de toda a influência cultural, ou
histórica e reflete a vontade e o caráter permanente de Deus. 
Conseqüentemente, a autoridade da Bíblia é inquestionável e universal.  

“Para o verdadeiro discípulo de Cristo, os limites morais não são
definidos pelo homem, mas somente e sempre por Deus…O juiz
supremo pelo qual todas as controvérsias religiosas devem ser
julgadas e todas as opiniões humanas examinadas é, sem exceção,
o Espírito Santo que fala nas Escrituras Sagradas….a ética  cristã
não tem sua fonte na autoridade humana, mas na palavra revelada
de Deus.”
41

A única exceção a esta compreensão da autoridade e interpretação da
Bíblia são as leis cúlticas encontradas no Antigo Testamento. Estas leis são
vistas como esforços iniciais para seguir a vontade de Deus.   O que vale
atualmente para o cristão é o trabalho redentor de Cristo, que substitui estas
exigências específicas.
 A outra fonte de autoridade que é considerada, às vezes, como tendo
legitimidade  é “a natureza”. O conceito “lei natural”, no sentido usado na
teologia moral Católica, quase nunca entra nas discussões entre protestantes de
cunho conservador. Entretanto, há teólogos conservadores protestantes  que
usam a “natureza” de maneiras similares, mas sempre como meios de reforçar
os ensinos e princípios bíblicos.
42  
Em termos da discussão a respeito da
homossexualidade, o argumento é que as diferenças físicas e complementares
entre o macho e a fêmea, em termos de reprodução, reforçam a  finalidade
revelada por Deus para a sexualidade humana.
43

2)  Qual a intenção de Deus para a sexualidade humana?

 “Da narrativa de Gênesis, que Jesus fez parte de seu próprio ensino,
sabemos que Deus ordenou a vida heterossexual para os seres humanos e que a
união monógama de Adão e Eva, como “uma só carne”, é o padrão da intenção
de Deus para a família humana.  Neste contexto de relação, tanto a procriação
da raça quanto a satisfação sexual do indivíduo são encontradas
naturalmente.”
44

3)  Quais os critérios necessários para a expressão sexual moral?

41
 Greg Bahnsen, op. cit., p. 14.
42
 L. R. Holben, What Christians Think about Homosexuality.  North Richland Hills, Bibal,
1999, p. 32.
43
  Ibid, p. 32.
44
 Carl F. H. Henry, “In and Out of the Gay World,” in W. Dwight Oberholtzer, ed., Is Gay
Good?  Ethics, Theology and Homosexuality.  Philadelphia, Westminster, 1971.   16

 A única forma, ou contexto, moralmente legítima para a expressão
sexual está dentro do matrimônio heterossexual.  A atividade homossexual
contradiz estes critérios necessários porque acontece entre pessoas do mesmo
sexo e está fora de uma relação matrimonial reconhecida.  Dentro das
tradições protestantes históricas, a moralidade de qualquer ato sexual não é
determinada pela possibilidade da procriação, como na teologia moral Católica
Romana, mas por sua presença em um matrimônio monógamo heterossexual.
Uma das conseqüências deste tipo de imperativo moral é que qualquer ato
sexual fora do matrimônio monógamo heterossexual experimenta validade
moral diminuída. 

4)  Existe “condição, ou orientação homossexual” e se existir, quais as suas
fontes, causas, ou origens? 

 De acordo com esta perspectiva, não há nenhum reconhecimento de
uma “condição homossexual” na Bíblia.  Então, a condição não existe.  A
única “condição sexual” e “experiência natural” reconhecida pela autoridade
da Bíblia está entre o macho e a fêmea.  O uso do conceito “condição
homossexual” é uma racionalização para justificar o pecado intencional e auto-
escolhido, ou rebelião contra Deus.  O que é reconhecido na Bíblia é a rebelião
intencional e espiritual, ou a depravação em seres humanos.  Isso é o pecado
original.    
 Uma interpretação comum do desenvolvimento da ilusão de uma
“condição homossexual” reflete um processo de três passos:  1) a experiência
homossexual; 2) o vício para tal experiência, e; 3) a falsa identidade.   A
implicação desta interpretação é que todo o comportamento homossexual é
aprendido e, até certo ponto, conscientemente escolhido.  

5)  Qual o significado psicológico da homossexualidade?

 Embora haja considerável discussão relativo a esta pergunta, a resposta
mais comum é que os homossexuais são incapazes de amar.  O desejo
homossexual é sempre um produto da rebelião e luxúria.  Assim, o conceito da
atração, ou amor homossexual é uma contradição.    
 Dentro desta perspectiva, há uma variedade de interpretações relativa à
natureza psicológica da homossexualidade.  As perspectivas mais
conservadoras entendem o comportamento homossexual como sendo sempre
predatório.  As interpretações mais moderadas incluem a possibilidade de que
pode haver a atração genuína entre homossexuais, mas  por causa da natureza
pecadora e da fragmentação do ego características da homossexualidade,
qualquer atração é logo transformada em luxúria de narcisismo.   As
perspectivas que reconhecem a possibilidade de alguma atração genuína entre
os homossexuais usam esta possibilidade como base para oferecer a esperança
de cura, ou transformação.  Por isso, a atração homossexual, de acordo com
esta perspectiva, pode ser redirecionada para a atração heterossexual.  

   17
6)  Qual o significado espiritual da homossexualidade?

 Seguindo o argumento apresentado com respeito à pergunta anterior, o
desejo homossexual, ou a cobiça é considerado um ato de rebelião espiritual.
Por conseguinte, o comportamento homossexual é rebelião contra o manifesto
vontade de Deus e é idólatra.  O único elemento espiritual positivo que esta
posição geral associa com a homossexualidade é a possibilidade de
experimentar o afeto genuíno.  Isto possibilita o potencial de abertura à
verdadeira vontade de Deus, em termos de experimentar as relações de amor
heterossexuais.

7)  O homossexual pode tornar-se heterossexual?

 Esta pergunta recebe diversas respostas dentro desta perspectiva. 
Porém, em geral a homossexualidade é compreendida como pecado consciente
e comportamento aprendido.  Por isso, o comportamento homossexual pode
ser dirigido para as respostas heterossexuais.  Há duas perspectivas  a respeito
desta reorientação:  “Cura através da Conversão” e “Cura por Conversão e
Intervenção Terapêutica”. A perspectiva “Cura através de Conversão” acredita
que a aceitação de Cristo como Deus e Salvador é suficiente para transformar
o homossexual em um heterossexual.  Isto tende a ser uma opinião minoritária.    
 A perspectiva “Cura através de Conversão e Intervenção Terapêutica”
acredita no poder curativo da conversão, mas enfatiza a natureza profunda
deste pecado.  Assim, será necessária alguma forma de aconselhamento.  A
maioria dos representantes desta posição favorece alguma forma de
aconselhamento cristão, ou bíblica e não confia em formas “puramente
seculares” de terapia.  

8) À luz das perguntas 1 a 7, qual a opinião moral a respeito da
homossexualidade?

 Há quase um universal acordo dentro desta posição, relativo a esta
questão.  Os atos e desejos homossexuais são sempre e, sem exceção, pecado. Os
homossexuais que não se arrependem de seu pecado e não reformam suas vidas
são destinados à condenação eterna.  A pressuposição básica é que nenhuma
pessoa pode ser cristã e, ao mesmo tempo, ou em termos de identidade ou ação,
homossexual.  
 Esta posição é moderada, em alguns momentos, pelo reconhecimento de
que todos os seres humanos são pecadores e precisam da Graça de Deus.  Porém,
desde que a homossexualidade seja compreendida como a rebelião intencional e
consciente contra Deus, um comportamento apreendido e repetido, é um pecado
excepcionalmente sério.  Isto indica uma hierarquia sutil de pecado.  As pessoas,
cujos pecados são “menos intencionais”, ou “não intencional” e que buscam
seguir ativamente a vontade de Deus ocupam uma categoria que é
qualitativamente diferente de pessoas cujos pecados são “intencionais” e não
buscam ativamente fazer a vontade de Deus.  
 Outro elemento que entra na opinião moral relativa à homossexualidade
tem a ver com a questão da violência.  Dentro das interpretações mais
conservadoras, os homossexuais são entendidos como predadores que buscam   18
“sujar”, ou “conquistar” outros homossexuais e heterossexuais.  O processo dos
três passos no desenvolvimento da homossexualidade, ou da prática
homossexual;- 1) a experiência homossexual; 2) o vício, e; 3) a falsa identidade –
reflete a convicção implícita de que os homossexuais ativamente procuram outras
pessoas, freqüentemente os adolescentes, para a satisfação sexual.  Assim, os
homossexuais são vistos como agressivos, ou predatórios em termos da
satisfação sexual pessoal e isto conduz à reprodução do comportamento por
aprendizagem, ou associação.  
 As perspectivas mais moderadas dentro desta posição acreditam que a
homossexualidade é principalmente aprendida por associação passiva.   Este
conceito coloca a responsabilidade pela homossexualidade como comportamento
aprendido, na sua presença na mídia, na cultura geral, e nos homossexuais na
comunidade.  Esta perspectiva não identifica os homossexuais como sendo
agressivos, ou predatórios.  Embora esta posição não vincule a homossexualidade
com a agressão, a natureza pecadora da homossexualidade permanece
incontestada.  

Observações Gerais  

 No meio das muitas diferenças presentes nesta perspectiva,  há um
consenso geral de que os atos homossexuais são um mal intrínseco e, por isso,
nunca uma opção moral aceitável.  A autoridade moral para esta avaliação é a
Bíblia.  Uma tensão importante nesta perspectiva tem a ver com a interpretação
da autoridade da Bíblia. 
HOMOSSEXUALIDADE:  PERSPECTIVAS  “PROGRESSIVO /
                                    LIBERAIS”  

1)  Qual a autoridade na qual se baseia o julgamento moral a respeito da
homossexualidade e/ou dos atos homossexuais?

Esta é uma questão fundamental neste grupo.  Helmut Thielicke
aproxima-se da questão por uma perspectiva na qual a Bíblia deve  ser
respeitada como autoridade fundamental da religião cristã, mas os textos
pertinentes à homossexualidade devem ser interpretados dentro dos contextos
culturais.  Thielicke defende a idéia de que os escritores bíblicos não estavam
cientes da realidade de que a sexualidade fundamental de algumas pessoas é
dirigida para o mesmo sexo.
46
  Esta perspectiva usa a alta crítica da Bíblia
como sua ferramenta básica para entender e interpretar a autoridade da Bíblia.    
 A perspectiva representada por W. Norman Pittinger reconhece a
importância da alta crítica da Bíblia na questão da homossexualidade, mas vai
além disto para discutir o significado da revelação. Ela começa com a
autoridade dos textos bíblicos a respeito da homossexualidade, mas dá ênfase
considerável à idéia de que a revelação é uma interação contínua entre Deus e
a criação.  Por este motivo, a razão e a experiência devem ser incluídas em
qualquer discussão a respeito da vontade de Deus, ou em qualquer
interpretação bíblica.  Esta aproximação enfatiza a importância de reconhecer
que os escritores bíblicos não estavam cientes da existência de uma orientação
homossexual e assim a Bíblia foi escrita na perspectiva de que a
heterossexualidade era a norma sexual humana.    
 Ambos os grupos levantam uma pergunta semelhante relativo à
autoridade moral: “O que diz e significa a Bíblia para nós hoje?”. Uma
perspectiva dá mais peso à alta crítica da Bíblia, enquanto a outra inclui a alta
crítica bíblica e questões relativas  à natureza da revelação.  
 Ambas as perspectivas levantam diversas questões fundamentais
relativas à autoridade da Bíblia com respeito à homossexualidade, ou qualquer
outra questão moral:    

45
 W. Norman Pittinger.   A Time for Consent.  London, SCM Press, 1976 e; H. Kimball Jones. 
Towards a Christian Understanding of the Homosexual.  New York, Association Press, 1966.
46
 Helmut Thielicke.  Theological Ethics:  Volume 3.  New York, Harper and Row, 198, p.
283.   21

1) o que dizem as palavras do texto (tradução);  
2) qual é a mensagem planejada do texto (exegese);  
3) quais são os efeitos da intenção e da cosmovisão do autor do texto em
termos das aplicações contemporâneas, e;  
4) qual é a relação do texto com a mensagem maior da Bíblia?  

Tanto o texto bíblico, quanto a natureza de revelação são fontes da
autoridade definitiva moral.   Conseqüentemente, a autoridade moral é
determinada por um diálogo constante entre o texto bíblico, a razão, a
experiência, a tradição, a cultura e a comunidade.  Em termos da questão de
autoridade, Peter Gomes oferece uma observação interessante que reflete uma
convicção básica dentro desta perspectiva:  “É impossível evitar a
interpretação… ler é interpretar”.
47
 Assim, uma crença fundamental desta
perspectiva, em termos de autoridade, é que a razão e a experiência humana
devem estar num diálogo intencional com as palavras literais do texto bíblico,
a fim de evitar a distorção.  A revelação é entendida como sendo interativa e
dinâmica e, por isso, uma pergunta fundamental tem a ver com a quais
elementos deveriam ser dados maior importância.  Em termos  da
homossexualidade, esta perspectiva tende a dar a “experiência relativamente
moderna da existência de uma orientação homossexual”
48
 peso considerável
em termos da definição e interpretação de autoridade.  
Em termos da autoridade fundamental, há uma diferença básica entre estas
duas perspectivas.  A perspectiva representada por Helmut Thielicke começa
com pressuposições baseadas em interpretações bíblicas e tradições da Igreja,
relativamente tradicionais, que afirmam a centralidade do matrimônio
heterossexual e a procriação.  A perspectiva representada por W. Norman
Pittinger começa com outros pressupostos éticos.  De acordo com esta
perspectiva, a verdade, ou mensagem bíblica fundamental é que Deus é amor e
Deus é justo.
49
  Desde que os seres humanos são feitos à imagem de Deus, eles
são chamados a viver de modo que expresse a justiça e o amor divinos.  Este é
o mandamento fundamental da Bíblia.  Por conseguinte, é impossível
condenar as pessoas que experimentam uma orientação homossexual
fundamental. Tal condenação não seria nem justa nem amorosa, pois deve-se
reconhecer o estado ontológico destas pessoas.

2)  Qual a intenção de Deus para a sexualidade humana?

 As duas perspectivas supra citadas têm interpretações profundamente
diferentes a respeito desta questão.  A mais tradicional das duas afirma que as
relações heterossexuais são a ordem divinamente ordenada para a sexualidade
humana.  Isto é apoiado pelo uso dos textos bíblicos e dos fatos empíricos da
diferenciação sexual e do imperativo biológico de reprodução.
 50

 A visão mais liberal desafia o contexto da pergunta.  Para  esta
perspectiva, o elemento, ou questão fundamental não é a sexualidade, mas a
natureza e função da relação.  Nossa sexualidade, homo e heterossexual, é um

47
 Citado em L.R. Holben, op. cit., p. 155.
48
 L. R. Holben, op. cit., p. 133.
49
 L. R. Holben, op. cit., p. 171.
50
 Ibid, p. 32.   22
dado pré-determinado.  A questão ética fundamental é como nossa sexualidade
pode ser usada para crescer em amor e comunhão.  A questão básica é o Ágape
e não a sexualidade.

3)  Quais os critérios necessários para a expressão sexual moral?

 O critério ideal para a expressão sexual, de acordo com Helmut
Thielicke, é o matrimônio heterossexual amoroso que está aberto à
possibilidade de procriação.  Porém, isto deve ser entendido como um  ideal. 
As relações homossexuais não se encaixam dentro deste ideal de expressão
sexual moral.  Também deve ser reconhecido que as relações heterossexuais
raramente satisfazem este ideal moral.  Ambas as relações, heterossexuais e
homossexuais, devem ser julgadas pelos mesmos critérios.  Isto  é como eles
aproximam o ideal.  É injusto julgar uma pessoa por um padrão relativo e
outra, por um padrão absoluto.  Tal “ética de acomodação” é comum na ética
sexual.  O ideal para o matrimônio heterossexual seriam relações amorosas
vitalícias que produzissem filhos.  Este ideal é raramente alcançado.  Por
exemplo, a ética de acomodação está presente na aceitação de matrimônios
que não produzam filhos e na aceitação do divórcio e re-casamento.  Tal
acomodação reflete uma atitude de buscar da alternativa mais  redentora, o
melhor bem possível, em um mundo pecador.  Para esta perspectiva, o critério
para a expressão sexual moralmente legítima é que “ambas as pessoas
aproximam o ideal divinamente ordenado como é possível à luz dos efeitos de
pecado (pessoal e contextual) e das capacidades dos indivíduos envolvidos”.
51

Isto inclui as relações heterossexuais e homossexuais.  Por conseguinte, a
homossexualidade não é reconhecida como um ideal e não podem ser aceitos
os matrimônios homossexuais, mas as relações homossexuais devem  ser
julgadas pelos mesmos critérios que as relações heterossexuais.  
 A perspectiva representada por W. Norman Pittinger aproxima esta
questão de uma perspectiva consideravelmente diferente.  A avaliação moral
de qualquer ato sexual, heterossexual ou homossexual, deve começar com “a
centralidade e primazia de amor – amor que é mútuo, compartilhado, genuíno e
profundo no sentido mais radical da frase”.
52
  Os critérios necessários para a
expressão sexual moralmente legitima são os mesmos para parceiros do
mesmo sexo, ou do sexo oposto:  o amor, o compromisso, a fidelidade,  a
compaixão, o respeito e a meta de união e autotranscendência.
53
    O ideal é
uma relação madura, na qual todos estes elementos sejam atualizados.  Porém,
a acomodação pastoral, como postura ética, entra pelo reconhecimento de que
os humanos são seres pecaminosos.  Isto significa que as relações
heterossexuais e homossexuais devem ser julgadas em termos do grau para o
qual eles satisfazem este ideal.  

4)  Existe “condição, ou orientação homossexual” e se existir, quais as suas
fontes, causas, ou origens?

51
 Lewis B. Smedes.  Sex for Christians:  The Limits and Liberties of Sexual Living.  Grand
Rapids, Eerdmans, 1976, p. 82.
52
 Malcolm Macourt.  Towards a Theology of Gay Liberation.  London, SCM Press, 1977, p.
27.
53
 W. Norman Pittinger, op. cit.   23
 Ambos os grupos dentro desta perspectiva separam a questão da
etiologia da existência de uma condição, ou orientação homossexual.  Baseado
na evidência científica e no testemunho de homossexuais, esta perspectiva
aceita a existência de uma condição homossexual como fato estabelecido.  A
questão da etiologia continua sendo discutida, mas deveria ser desvinculada da
questão de orientação.  Há uma variedade enorme de teorias contraditórias
relativas à etiologia, ou origem da homossexualidade, e o debate continua
intenso.  Estas teorias variam da homossexualidade como parte  normal do
desenvolvimento humano, pelo menos para algumas pessoas, para os modelos
que entendem a homossexualidade como patologia.  Porém, a existência de
uma condição, ou orientação homossexual é crescentemente aceita na
comunidade científica e entre muitas escolas terapêuticas e  clínicas, onde é
tratada como fato.    

5)  Qual o significado psicológico da homossexualidade?

 Há duas respostas básicas a esta questão.  O primeiro é que a
homossexualidade é um “comportamento anormal”, em termos da sexualidade
humana.  É anormal no sentido estatístico e no contexto de diferir do
imperativo “implícito” da biologia humana.  Helmut Thielicke, em um texto,
descreve a homossexualidade como “estrutura anormal de personalidade”.
54

Porém, Curran propõe que “…a homossexualidade não necessariamente deixa
todas as pessoas neuróticas, ou emocionalmente transtornadas.”
55
 H. Kimball
Jones defende a idéia de que enquanto o amor de homossexual puder alcançar
“as alturas de satisfação iguais às relações heterossexuais, tal amor sempre é…
.fadada, por sua mesma natureza, a nunca passar além de um certo ponto. 
Dois homossexuais não podem completar um ao outro da mesma maneira que
o homem e a mulher e não podem experimentar a alegria de gerar filhos, uma
alegria que traz a uma relação heterossexual uma dimensão inteiramente
nova.”
56

 A segunda resposta geral para esta questão é que não há nenhuma
relação direta entre a orientação homossexual e a saúde psicológica.  Porém,
há uma relação indireta que tem a ver com a tensão criada pela rejeição social
e o julgamento negativo, por parte de alguns na cultura, da
homossexualidade.
57

6)  Qual o significado espiritual da homossexualidade?

 Um grupo dentro desta perspectiva entende a orientação homossexual
como um dos muitos resultados da Queda, ou do pecado original.  Esta
natureza pecadora é compartilhada pelos homossexuais e heterossexuais, mas
é particularmente difícil para o homossexual por causa da necessidade de viver
em um mundo dominado por heterossexuais e assim enfrentar um alto nível de
exclusão.  Esta natureza pecadora também é particularmente difícil para o

54
 Helmut Thielicke, op. cit., p. 283.
55
 Charles E. Curran.  “Homosexuality and Moral Theology:  Methodological and Substantive
Considerations,” The Thomist, Vol. 35, No. 3, July 1971, The Thomist Press.
56
 H. Kimball Jones, op. cit., p. 94.  .
57
 Bruce Bawer.  A Place at the Table:  The Gay Individual in American Society.  New York,
Poseidon Press, 1993.   24
homossexual por causa da distância do ideal do matrimônio heterossexual e da
procriação.  Isto, ou exige abnegação, ou um certo nível de imperfeição moral
que está além daquilo experimentado por heterossexuais.  
 Uma segunda resposta a esta questão é que a homossexualidade não
tem nenhum significado espiritual específico, além daquilo que é
compartilhado por toda a sexualidade.  Seu significado espiritual não é
diferente da heterossexualidade, em termos de ser um meio de prazer, da
autotranscendência e do aprofundamento de uma relação íntima de amor.
58
   O
desejo de saber, e de ser conhecido, ou pode servir para aprofundar as
relações,  ou ser transformado em uma forma destrutiva de auto-satisfação. 
Assim, o uso, ou a expressão da sexualidade, é a chave do significado
espiritual de toda a sexualidade e não tem implicações específicas para a
homossexualidade.

7)  O homossexual pode tornar-se heterossexual?

 Helmut Thielicke e Charles Curran compartilham uma perspectiva
semelhante em termos desta questão.  Ambos afirmam a necessidade do
homossexual buscar a mudança, ou a cura, e a importância de acreditar que tal
mudança é possível.  Curran declara que:  “deveriam ser feitas tentativas para
superar esta condição, se for possível”.
59
  Thielicke afirma que “o
homossexual deve estar disposto a ser transformado, ou curado dento do
possível; ele deve estar disposto a voltar para a ordem ‘criada’ ”.
60

 Porém, ambos os autores também afirmam que tal mudança é
extremamente rara.  Thielicke declara que:  “…a grande maioria dos
homossexuais pertence à classificação de pessoas para quem a mudança não é
possível”.
61
 Curran compartilha a mesma falta de otimismo relativo à
mudança:  “…a terapia, como tentativa de transformar o homossexual em um
heterossexual, não oferece grande promessa para a maioria dos
homossexuais”.
62
   Isto cria uma tensão dentro desta perspectiva que é um
considerável ponto de debate.  
 A perspectiva representada por W. Norman Pittinger responde que não
há nenhuma razão pela qual o homossexual deva buscar ser heterossexual. 
Isto seria semelhante a pedir para um heterossexual que se tornasse um
homossexual.
63
    A questão de mudança cria uma falsa imagem do significado
da palavra “cura” e desvia o debate do assunto mais profundo, que penetra
toda a sexualidade humana: “…submeter o Eros ao poder da Ágape e assim
integrar o desejo e sua satisfação a uma vida de compromisso, mutualidade e
amor que abandona a satisfação imediata das necessidades pessoais.”
64

8)  À luz das perguntas 1 a 7, qual a opinião moral a respeito  da
homossexualidade?

58
 L. R.  Holben, op. cit., p. 177.
59
 Charles E. Curran, op. cit., p. 62.
60
 Helmut Thielicke, op. cit., p. 283.
61
 Ibid, p. 285.
62
 Charles E. Curran, op. cit., p. 98.
63
 Bruce Bawer, op. cit.
64
 L. R. Holben, op. cit., p. 178.   25
 De acordo com a perspectiva mais conservadora, os atos homossexuais
sempre caem “fora dos limites da ordem de criação”.
65
  Por sua mesma
natureza, ela nega o complemento macho-fêmea e a vocação de paternidade,
ambos as quais são essenciais para a expressão sexual moralmente
aceitável”.
66
 Baseado nestas premissas, as expressões homossexuais nunca são
um bem objetivo.  Eles sempre expressam os efeitos de pecado no mundo, a
Queda.  Não obstante, para o homossexual constitucional, eles podem ser a
melhor alternativa moral possível.
67
   Nestas situações, eles deveriam ser
“julgados pelos mesmos padrões éticos aplicáveis para o heterossexual:  a
fidelidade monógama a um parceiro em uma relação na qual o amor, o respeito
e a consideração para o outro como uma pessoa domina a relação sexual”.
68

Isto não significa que as práticas homossexuais sejam moralmente aceitáveis,
mas “reconhece que a melhor vida moral possível dentro de uma situação
deplorável é preferível a uma vida de caos sexual”.
69
  À luz da realidade vivida
“temos que aceitar relutantemente as uniões homossexuais como o único modo
no qual algumas pessoas podem achar algum grau satisfatório de humanidade
nas suas vidas”.
 70

 A perspectiva mais liberal deste grupo acredita que “os atos
homossexuais deveriam ser avaliados exatamente como os atos heterossexuais. 
No contexto de uma relação comprometida, monógama e amorosa eles são um
bem moral positivo quando eles estão abertos à mutualidade, ao crescimento,
ao autoconhecimento e conhecimento do outro.”
71
   De acordo com W.Norman
Pittinger:  “Os atos homossexuais entre pessoas que pretendem uma união
genuína de amor não são pecaminosos e a igreja não deveria considerá-los
como tal”.
72
  “Deus está presente na relação amorosa e presente nos atos que
expressam e consolidam esse amor”.
73

Observações Gerais  

 Há consenso geral nesta perspectiva, de que a homossexualidade não é
nenhum mal intrínseco.  A homossexualidade é uma condição, ou orientação
sexual humana e não é necessariamente incompatível com o funcionamento
social normal.  Porém, há duas aproximações fundamentalmente diferentes
desta questão.  A primeira começa com suposições básicas a respeito da
autoridade da Bíblia e da tradição cristã.  Esta autoridade é examinada pela
alta crítica da Bíblia e a consciência que a verdade é profundamente
influenciada através do contexto histórico e cultural.  Em conseqüência, o
conceito relativamente moderno da existência de uma condição homossexual
deve ser levado em conta em termos do desenvolvimento de uma moralidade
sexual cristã.    

65
 Helmut Thielicke, op. cit., p. 283.
66
 H. Kimball Jones, op. cit., p. 177.
67
 L. R. Holben, op. cit., 137.
68
 Lewis B. Smedes, op. cit., p. 132.
69
 Ibid, p. 146.
70
 Charles E. Curran, op. cit., p. 79.
71
 L. R. Holben, op. cit., 178.
72
 W. Norman Pittinger, op. cit., p. 63.
73
 Ibid, p. 65.   26
 A postura ética fundamental continua respeitando a autoridade dos
textos bíblicos e das éticas, das normas e dos valores cristãos tradicionais.  A
tensão criada pelo reconhecimento de uma condição homossexual e o respeito
para com as fontes tradicionais de autoridade cria um conflito básico nesta
perspectiva.  Se há uma condição, ou orientação homossexual, que é uma parte
integrante da identidade e expressão sexual de certos seres humanos, como é
que pode cair fora das normas do comportamento sexual humano?  Esta
posição tenta manter igualmente uma moralidade sexual cristã, relativamente 
tradicional e, ao mesmo tempo, reconhecer a existência de uma orientação
homossexual. A orientação homossexual é vista como fora da ordem criada
porque não pode satisfazer as demandas éticas de uma relação heterossexual
aberta à procriação.    Isto é considerada a norma ética humana.  Esta posição
tenta responder a esta questão via  conceito da acomodação ética.  Todos os
humanos estão sujeitos a pecado, heterossexuais e homossexuais.  Os
heterossexuais têm mais condições de satisfazer a norma, enquanto os
homossexuais estão consideravelmente mais longe da norma.  Porém, todo os
seres humanos vivem na condição de pecado. Se um homossexual não é capaz
de mudança, e tal mudança é reconhecida como altamente improvável, então
uma relação homossexual monógama que expressa o amor e o respeito  é a
alternativa menos pecaminosa.  Tal relação não pode ser aceita
completamente, desde que cai fora da ordem criada, mas pode ser  honrada
como a melhor alternativa possível em um mundo pecaminoso.    
 A vulnerabilidade básica desta posição tem a ver com o conceito da
natureza, ou da ordem criada.  Se a homossexualidade for uma orientação
sexual humana, então a lógica exigirá que seja parte da ordem criada.  As
palavras “orientação” e “condição” insinuam fortemente uma “inclinação
natural” e não um comportamento aprendido.  
            Em resumo, esta posição busca manter os vários conceitos e
entendimentos básicos da autoridade nas tradições cristãs e, ao mesmo tempo,
reconhece a evidência científica e o testemunho pessoal de que  a
homossexualidade não é um comportamento apreendido, mas uma orientação
sexual básica.  A ética de acomodação é o meio pelo qual esta perspectiva
busca reconciliar estas duas fontes de evidência aparentemente contraditórias,
ou valores.  
 A segunda postura ética nesta perspectiva compartilha muitas das
mesmas pressuposições básicas relativas à homossexualidade.  A diferença
fundamental é que o amor heterossexual e homossexual é entendido como
sendo ontologicamente equivalentes.  Em vez de avaliar as relações sexuais
baseado nas autoridades bíblicas e tradicionais, esta perspectiva avalia a
qualidade de relação como a norma ética fundamental.  Isto requer uma leitura
diferente da autoridade bíblica e tradicional, mas não, de acordo  com esta
posição, o abandono da ética cristã básica.  A questão metodológica central
tem a ver com a questão da interpretação de autoridade.  Duas das fontes
tradicionais de autoridade da ética cristã são os textos bíblicos específicos e as
tradições históricas.  Uma terceira fonte é a lei natural.   Esta perspectiva busca
respeitar estas três fontes de autoridade, via uma nova interpretação.  Não
podem ser interpretados isoladamente os textos bíblicos específicos e as
tradições históricas.  Eles precisam ser interpretados dentro do contexto dos
temas bíblicos maiores de amor, justiça, compaixão, mutualidade e fidelidade. 
Os argumentos de lei natural precisam ser entendidos como influenciados pela   27
história e cultura.  O conceito “natural” varia de acordo com o contexto
cultural e histórico.   
 Por exemplo, o conceito da reciprocidade biológica, entre um macho e
uma fêmea, é um fato básico da existência biológica.  Porém, a diversidade
biológica também é um fato básico da existência biológica.  Sem a
reciprocidade biológica a vida seria impossível.  Porém, sem a diversidade
biológica a vida, também seria impossível.  Por sinal, a definição do que é
“natural” depende da perspectiva histórica e cultural.
 A vulnerabilidade básica desta posição é que os temas bíblicos maiores
de amor, justiça, compaixão, mutualidade e fidelidade são muito amplos.  Os
indivíduos e os grupos os interpretam em uma variedade enorme de modos. 
Embora uma declaração muito geral, parece verdade que os seres humanos
precisam, até certo ponto, de regras específicas, práticas e morais, que
provêem estrutura.  Em isolamento, os princípios gerais podem ser
manipulados para servir às necessidades e os desejos individuais imediatos. 
Isso é um dos argumentos chaves no pensamento de Helmut Thielicke e
outros.  Porém, as regras e normas tradicionais podem tornar-se inflexíveis e
limitadas em sua capacidade de integrar novas experiências e novos dados. 
Neste sentido, eles podem servir para reforçar as normas e estruturas de poder
estabelecidas, sem respeitar, ou integrar, novas experiências individuais e
sociais.  O debate ético relativo à homossexualidade e heterossexualidade
expressa questões fundamentais na ética cristã que vão além do campo da
sexualidade humana.

CONSIDERAÇÕES FINAIS  

 A sexualidade humana é um tópico polêmico.  A homossexualidade é
um tópico extremamente polêmico.  Não há nenhum consenso, dentro da
variedade de perspectivas na ética sexual Cristã, a respeito da natureza e
função da homossexualidade.   Talvez a questão mais básica seja a autoridade
e a interpretação de autoridade.  É relativamente fácil criticar as posições
extremas na discussão.  Pode ser criticada a leitura literal da Bíblia em função
de sua rigidez e tendência de criar normas categóricas.  Podem ser criticadas as
posições que defendem a liberação, ou a afirmação, para uma  confiança
excessiva na bondade e no potencial humano, ou para uma falta de respeito da
tradição cristã.    
 A questão ética fundamental pode estar mais funda do que a
moralidade, ou imoralidade da homossexualidade.  O conflito entre as fontes
tradicionais de autoridade e a experiência pessoal parece ser uma questão
básica.  Nas culturas e tradições ocidentais, influenciadas pelo cristianismo, há
forte resistência ao conceito de que a homossexualidade é uma forma válida e
genuína da expressão sexual humana.  Porém, há um corpo crescente de
experiência que apóia a homossexualidade como uma forma genuína da
expressão sexual humana.  Estas afirmações desafiam muitas das convicções
básicas da ética sexual cristã ocidental.    
 A ciência não pode solucionar esta questão.  Embora haja evidência e
apóio crescente para a existência de uma orientação homossexual fundamental,
unida à identidade, não há nenhum consenso sobre esta questão.
74
  Se existisse

74
 Javier Gafo, “Biologia da Homossexualidade Humana:  Transição ou Salto”.  In
Homossexualidade:  Ciência e Consciência, São Paulo, Loyola, 1985.   28
a evidência científica de que a homossexualidade é um fator biológico, isto
não solucionaria a questão ética.  A ciência descreve fenômenos.  As questões
da moralidade e ética tratam de valores e convicções.  As  observações
científicas, os valores e as convicções são vinculadas, mas não são a mesma
coisa.  
 A sexualidade humana é muito mais que o que um indivíduo faz com
os órgãos genitais.  Nós temos corpos e nós somos corpos.  A sexualidade tem
a ver com o que significa ser um ser humano e não apenas com nossas relações
sexuais.  Por esta razão, a questão da homossexualidade trata da identidade e
do ser e levanta questões fundamentais para a ética sexual cristã, para a
teologia e para a ação pastoral.  
 


 

 

Podemos ver que a questão da homossexualidade vai além apenas de uma mera lida na Bíblia como alguns religiosos fazem, nem um Doutor em Ciências da Religião consegue solucionar o caso e nem eu, especialista em sexualidade humana e Teólogo conseguiria também, como vocês viram, o autor deixou claro: No meio das muitas diferenças presentes nesta perspectiva, há um
consenso geral de que os atos homossexuais são um mal intrínseco e, por isso,
nunca uma opção moral aceitável
. A autoridade moral para esta avaliação é a
Bíblia.  Uma tensão importante nesta perspectiva tem a ver com a interpretação
da autoridade da Bíblia.”
Ou seja, entre as igrejas protestantes reformadas não inclusivas e a igreja católica romana, há consenso em que a homossexualidade é um MAL, MAL de ORDEM MORAL.

O autor também deixa claro as opiniões das Igrejas Protestantes não inclusivas e da Igreja Católica.

“De acordo com esta perspectiva, não há nenhum reconhecimento de
uma “condição homossexual” na Bíblia.  Então, a condição não existe.  A
única “condição sexual” e “experiência natural” reconhecida pela autoridade
da Bíblia está entre o macho e a fêmea.  O uso do conceito “condição
homossexual” é uma racionalização para justificar o pecado intencional e auto-
escolhido, ou rebelião
contra Deus.  O que é reconhecido na Bíblia é a rebelião
intencional e espiritual, ou a depravação em seres humanos.  Isso é o pecado
original.
Uma interpretação comum do desenvolvimento da ilusão de uma
“condição homossexual” reflete um processo de três passos:  1) a experiência
homossexual; 2) o vício para tal experiência, e; 3) a falsa identidade
.   A
implicação desta interpretação é que todo o comportamento homossexual é
aprendido e, até certo ponto, conscientemente escolhido.”

 

Bom, de acordo com o autor, que se baseou em escritos de todas as denominações, as igrejas ignoram a ciência e a razão e até a lógica a finco, afim de uma moral totalmente relativa. Ela afirma que a homossexualidade é algo intencional, escolhido, fruto de uma “birra” nossa com Deus, pela vontade da “carne”, o que acontece é que, a maioria dos homossexuais são criados e ainda e identificam com o cristianismo, falaremos disso um pouco mais abaixo. Falar de experiência homossexual para ser homossexual é válido, até porquê não se saberá com verdade se é hetero, homo ou bissexual caso não se tenha em totalidade passado por alguma fase da vida uma semi-completude de experiências hetero e homoafetivas, falar em vício experimental é uma questão ilógica, seria o mesmo que falar que um heterossexual é tal porque continuou mantendo relacionamentos com pessoas do sexo oposto, porém entra uma questão complicada, aos que escolhem o celibato, como os identifico? De fato não gostam de ser chamados e nem são de assexuados, pois a igreja só reconhece macho e fêmea e orientação sexual sadia a heterossexualidade as demais são maníacas e provenientes de interferência maligna em um contexto carismático, logo a igreja católica cai em contradição! Já as igrejas protestantes que se preocupam com o sexo antes do casamento, vivem uma tal hipocrisia se isto for uma verdade, pois até o rapaz ou a moça se casar não saberá a sua identidade sexual, pois nunca passou por uma completude de experiências sexuais homoafetivas, logo se encaixarias no que eles mesmos usam para catalogar como doentia a homossexualidade, a psicanálise, no caso tais pessoas iriam viver uma bissexualidade até se casarem, pelo menos as pessoas que são de berço cristão! Eu não vou nem gastar muitas letras ao comentar sobre o “conscientemente escolhido”, se como o cristianismo que posso chamar de exclusivo estabelece macho e fêmea ( de fato só existem os dois ) e heterossexualidade ( uma irrealidade, existem 3 orientações sexuais no mínimo ), terão de declarar guerra a quem não tem consciência, os animais, pois baleias, golfinhos, pinguis, leões tem comportamentos homossexuais ao longo de toda a sua vida e de fato e de concordância todos vocês dizem em pleno consentimento que tais seres não são portadores de consciência e até os usa como exemplo para mostrar que Deus criou macho e fêmea para se reproduzir, porém os animais mostram o afeto e o amor em suas relações, fazendo com que vocês percam esta argumentação, que ainda as escondidas usam aos que tem menos educação.

Portanto homossexuais, não exijam mudança de pensamento dos cristãos sequer mostrando a ciência, pois eles ignoram até a lógica, por tal fato, serão julgados pela própria ignorância, neste ponto me refiro aos líderes, pois a muitos fiéis que em nada entendem sobre os LGBTs. No demais, não se sintam desamparados pelo Cristianismo, ainda há esperança, vamos para a parte boa!

 

Segundo o autor, sobre o Cristianismo progressista, as igrejas que são muito plurais, porém são fundamentadas em suma nos fundamentos do protestantismo tendo a Bíblia como fonte de fé, prática e regra, porém, ela é estuda dentro de um contexto histórico, como deve ser tal, querer aplicar os ensinos de Paulo aos Corintos nos Brasileiros é querer fazer Franceses comerem baratas Japonesas, Paulo respeitas as questões básicas, pré-determinadas pelo ambiente em que nasceram, ou pela natureza a qual foram concebidos. Vejamos:

“Para esta perspectiva, o elemento, ou questão fundamental não é a sexualidade, mas a
natureza e função da relação. Nossa sexualidade, homo e heterossexual, é um
dado pré-determinado.  A questão ética fundamental é como nossa sexualidade
pode ser usada para crescer em amor e comunhão.  A questão básica é o Ágape
e não a sexualidade.”

Ou Seja, o autor cita, que para o Cristianismo progressista não importa se somos hetero ou homossexuais, o que importa é como dirigimos nossa sexualidade, se a usamos de forma monogâmica, para crescer em amor e comunhão, ou para promiscuidade, fornicação e orgias alheias, a qual são cometidas tanto por heteros e homossexuais.

 

A respeito da “cura da homossexualidade” na visão progressistas temos 3 linhas de pensamentos, 2 dizem que é praticamente impossível que isso aconteça e colocam um ponto. De fato o autor faltou em colocar que as falhas resultam em depressão, transtornos psicológicos, psicossomáticos, tentativas de suicídios e até suicídios concretizados, porém a outra linha, que hoje é a que realmente se “encaixou” é a  perspectiva representada por W. Norman Pittinger que diz “que não
há nenhuma razão pela qual o homossexual deva buscar ser heterossexual.
Isto seria semelhante a pedir para um heterossexual que se tornasse um
homossexual.

A questão de mudança cria uma falsa imagem do significado
da palavra “cura” e desvia o debate do assunto mais profundo, que penetra
toda a sexualidade humana: “…submeter o Eros ao poder da Ágape e assim
integrar o desejo e sua satisfação a uma vida de compromisso, mutualidade e
amor que abandona a satisfação imediata das necessidades pessoais.”

 É interessante que o autor coloca a homossexualidade no mesmo patamar da heterossexualidade e ainda diz que o submeter Eros ( amor sexual ) sobre Ágape ( Amor Altruísta, completude de amor ) é o ideal, ou seja, o desejo sobre a condição de amor, fidelidade, moral, respeito, monogamia, nos levando a um relacionamento seja ele homo ou heterossexual de sucesso, sem necessidades desesperadoras de sexo, vícios, remédios, compulsões, obsessões. De fato, confirmo e meus colegas re-afirmam submeter alguém a uma tentativa de “cura” que não existe a homossexualidade é submeter ela a uma vida de desejos sexuais imediados, levando ela para um mundo de promiscuidade e abandono de sentimentos benignos para consigo mesmo, dano lugar a insegurança, medo e culpa.

 

 

Espero que tenham gostado, um abraço! 

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Ativista dos Direitos Humanos (Principalmente LGBTs ); Teólogo;Homeopata; Psicanalista, especialista em Sexualidade Humana, Filosofia, Sociologia;Blogueiro.

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