Homofobia Basta!

Sabe… Eu odeio Gays!

Posted on: 9 de junho de 2011


Eu odeio gays!

Cena I: Joãozinho havia acabado de sair da sauna. Segundo seus cálculos, tinha “feito” pelo menos cinco bofes mara-vi-lho-sos. Estava radiante de felicidade. O cu – assado – ainda ardia de prazer. A dor na nuca, de tanto sobe-desce com a boca sobre caralhos sem identidade, era o claro sinal do seu triunfo no pagar boquetes inesquecíveis.

Era madrugada. Ao procurar as chaves do carro enquanto jazia escondido numa esquina escura, João percebeu um movimento estranho bem à sua frente. Gritos sufocados tentavam ganhar o mundo. Assustado e curioso tudo-ao-mesmo-tempo, João apressou os passos e a cena que ganhou espaço em seu olhar boquiaberto deixaram-no estático diante do horror que desfilava do outro lado da rua.

Um travesti mirrado levava uma surra de um “cliente” brutamonte. João fez que nem se abalou. Deu as costas para o caos, pensando com sarcasmo: “Essa bicha que se foda. Quer ganhar dinheiro com qualquer um, tem mais é que se ferrar mesmo. Deus-me-livre ajudar essa infeliz…”

O bambee “deu” de graça pra cinco desconhecidos e achava isso o máximo. O travesti “dava” para sobreviver e isso era um ato condenável.

Engraçado… né?

* * *

Cena II: Ricardinho passava pelo banheirão do shopping todo santo dia. “Pegar” um bofe no banheiro até que era algo corriqueiro, sem mais novidades. O que excitava mesmo Ricardinho era trepar pra valer, no menor tempo possível, e ainda se safar do segurança barra-pesada que fazia o turno da tarde e era linha dura com qualquer “viado” que fosse pego no ato de atentado violento ao pudor.

Houve um dia em que Ricardinho ganhou a concorrência de um bambee novato. Para sua total infelicidade, o bambee forasteiro dava a maior sorte com os bofes mais gostosos. Sobrava para Ricardinho a carne velha de sempre. Ele não se conformou.

No terceiro dia, após a frustração de não conseguir ninguém interessante, passou pela cabeça não apenas um ato de vingança insana. Mais do que isso. Ricardinho passou a sentir um verdadeiro ódio mortal pelo bambee da hora.

“Esse viado não vai levar meus bofes”, Ricardinho pensou. E não teve dúvidas. Ricardinho mudou o jeito de andar, engrossou a voz, e foi todo “bofe” procurar o segurança linha dura.

Dedou sem dó nem piedade os atos do outro. Resultado: o segurança pegou o bambee novato (que no momento da abordagem não estava fazendo nada demais), deu um esculacho daqueles no moleque, humilhou o coitado em praça-de-alimentação pública e literalmente chutou o sujeito escada rolante abaixo. Ricardinho aplaudiu o drama teatral. O caminho estava novamente livre.

Atitude legal, né?

* * *

Cena III: Marcolino fazia a linha “enrustido”. Era gerente de banco. Namorava de vez em quando uma ou outra para manter as aparências diante da família e de seus superiores no trabalho (apesar de odiar mulher na intimidade).

Toda sexta-feira saía para tomar umas com colegas de trabalho, e no sábado à tarde era fácil encontrar Marcolino batendo bola com os amigos do condomínio.

Marcolino se achava o tal. Uma ou duas vezes por semana, ele frequentava o estacionamento de um famoso parque da capital. Carro novo, cabelo novo, dentes impecavelmente novos, lá ia todo pimpão o Marcão caçar um garotão para fazer um programão.

O esquema era sempre o mesmo. Ele escolhia um dos mais sarados e mais bundudos. Se o carinha fosse lisinho e falasse um pouco mais “fino”, Marcolino se molhava todo de tesão. Ele adorava ser o “dominador” da situação. Ele adorava ser o “homem”.

Rapagão já no interior do carro, Marcolino forçava o coitado a chupá-lo até chegarem ao motel “que aceitava homens” lá onde o Judas perdeu as cuecas.

Marcolino deixava o carinha entre suas pernas durante todo trajeto não pelo prazer da chupada, mas sim para esconder ao máximo a presença de um homem na sua companhia na calada da noite preta.

Depois de meter e dar e meter até não aguentar mais (ele se achava o máximo sendo “versátil”, mas sempre preferencialmente Ativo, claro), Marcolino dava uma grana pro saradão sumir da sua vista. “Amor, volte de ônibus e tome alguma coisa com o troco”, ele dizia sempre, todo carinhoso… e dissimulado.

Até aí, nada demais, pensava Marcolino, que conhecia uma pá de carinhas que também levavam essa mesma vida falsa e hipócrita.

O problema era que no dia-a-dia, ao cruzar qualquer homem efeminado ou com um mínimo de trejeito digamos assim, mais “delicado”, Marcolino não perdoava. Buzinava, fazia escândalo, xingava, humilhava… e quando estava de porre, havia ocasiões em que até descia do carro e tentava agredir os mesmos tipos de “viados” que ele costumava levar para aquele motel lá onde Judas perdeu o cabaço.

Divertido, né?

* * *

Resumo da ópera: Muitos afirmam que viver sua homossexualidade com naturalidade é uma atitude que tiram de letra. Afinal, como pode um gay ser gay e ter ódio do gay que também é gay igualzinho a ele mesmo?

Muitos enchem o peito depilado e gritam a plenos pulmões: EU NÃO TENHO PRECONCEITO! E fazem caras-falsas-de-espanto quando batem de frente com situações em que seus irmãos gays são alvo de todos os tipos de humilhações públicas ou privadas em todo canto do mundo.

O próprio gay fica todo revoltadinho quando se depara com as estatísticas assustadoras que provam o quanto ainda somos vítimas de violência física, moral, etc e cai logo de pau nas “toridades” que deveriam zelar pelo nosso bem-estar colorido.

Mas o que se vê por aí – e o que realmente é algo chocante! – é bambee querendo foder outro bambee FORA DA CAMA! O que tem de viado que tenta literalmente destruir o caminho do seu semelhante é algo mais do que assustador ou revoltante.

Faça você mesmo o teste. Frequente qualquer lugar bambeestico e repare que boa parte da bambeelândia se preocupa mais em massacrar o bambee alheio do que encontrar soluções práticas para um bom convívio em sociedade, entre outras coisas.

Falar que o mundo é homofóbico é fácil…

Aceitar que você mesmo – seu bambee-tão-bambee-quanto-eu! – tem ódio do seu próprio semelhante… é algo que você deveria refletir um pouco.

Hummm, a carapuça serviu? Pois é… essa foi a intenção primordial desse artigo. Pense nisso!

… pra você ficar mais puto com a “nossa” realidade…

eu odeio gays II – a missão

Uma biba evangélica postou em seu blog a seguinte frase: “Eu sou um gay temente a Deus. Eu não gosto de gay que éafeminino, porque eu não sou. Eu odeio bixa (com xis mesmo) passiva! Eu procuro um homem evangélico, acima de 40 anos, para amar e respeitar por toda minha vida.”

Meigo, não é mesmo? Todos nós somos preconceituosos, sem exceção. Sempre que nos deparamos com pessoas ou situações que fogem ao nosso controle ou à nossa compreensão, nos armamos com todos os métodos de defesa e partimos para a agressão verbal fora de controle, dos comentários infelizes e das piadas infames sobre nosso objeto de preconceito.

Até mesmo, em algumas ocasiões, partimos para a agressão física perante quem não segue nossas regras, quem não concorda com os nossos pontos de vista ou não se comporta de acordo com aquilo que chamamos de “social”.

É extremamente desagradável nos depararmos com situações onde somos agredidos sem nenhum motivo aparente, apenas porque ainda somos considerados diferentes, estranhos, alienígenas.

O pior de tudo é se passar por “santa”, criticando a postura e a ignorância alheia, e no fundo, por trás, fazer chacota do próprio semelhante.

Nós, gays, somos especialistas nisso. E vai me contrariar, dizendo que você não adora falar mal daquelas bibas qua-quás da zona norte que frequentam a mesma boate que a senhora? Ou meter o pau – meter o pau? – nas passivonas que dizem que são machos e no fundo são mais “mulheres” do que a lindinha?

E tem mais: em pleno século vinte e um, por motivos religiosos, reprimimos, condenamos e matamos todo ser humano que não se adapta àquilo que acreditamos ser a Verdade, o Caminho, o Divino.

Jogamos a culpa na porra do Homem lá de cima, dizendo que foi Ele quem disse, escreveu (!!) e afirmou que somos a escória da humanidade. E, ao mesmo tempo, ajoelhamos diante do Santíssimo e prometemos durante as missas, nos cultos e nas orações e nas palavras vazias que vamos amar uns aos outros como Ele nos amou.

Pode uma coisa dessas?

Somos hipócritas. Somos uma cambada de idiotas. Somos egoístas. E ainda nos julgamos vítimas do destino, implorando aos quatro ventos que queremos ser amados, que merecemos a felicidade, que somos bons, que somos sinceros e não conseguimos compreender o porquê de tanta dor e sofrimento.

Acorda, Maria!

A única maneira de sobrevivermos perante a avalanche de martírios a que estamos destinados – por culpa única e exclusivamente nossa –, é paramos tudo nesse exato instante e acordarmos para a realidade dos fatos.

Não adianta você ir na Parada Gay, dizer que é assumido e tal (claro que escondido debaixo de perucas multicoloridas e atrás daqueles óculos enormes de grandes!); que a sociedade tem que te aceitar pelo o que você é, e o escambau, se no fundo você vai mesmo é atrás de quilos de bofes e bundas e picas monumentais pra depois dizer para as amigas que a Parada-trepada foi tudo de bom, né, fofa!

Lutar pelos seus direitos, buscar a sua identidade e o seu lugar na sociedade é algo que você e eu e todos nós temos que fazer, temos que batalhar, independente da nossa opção sexual. Mas enquanto não aprendermos a deixar de lado o nosso próprio preconceito e eliminar de nós mesmos a nossa infindável ignorância, jamais teremos cacife e direito de exigirmos nada, de ninguém.

Infelizmente, sempre haverá um dito cujo que jamais vai nos aceitar ou compreender nossas opções sexuais, pessoais, morais, emocionais, espirituais, etc. Nesses casos, temos que realmente seguir a máxima do cristianismo (ou seja lá de que religião você professe): amarmos fraternalmente uns aos outros.

Compreender e respeitar as diferenças é o ponto de partida para se conviver em harmonia e equilíbrio, em todas as situações, em todos os sentidos.

Senão, neste caso, acho que vamos continuar odiando os gays…

… vamos continuar odiando a nós mesmos!

Por: http://www.moasipriano.com/artigo_eu_odeio_gays.htm

1 Response to "Sabe… Eu odeio Gays!"

parabens, magnifico

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Ativista dos Direitos Humanos (Principalmente LGBTs ); Teólogo;Homeopata; Psicanalista, especialista em Sexualidade Humana, Filosofia, Sociologia;Blogueiro.

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