Homofobia Basta!

Sobre o direito de condenar os homossexuais

Posted on: 28 de maio de 2011

Por Edith Modesto.

    Foi uma honra o convite para participar da    “Revista Diversa”, além de uma alegria colaborar para a formação de jovens, futuros jornalistas. Eu fui professora de Cinema, na Univ. Mackenzie, e trago gratas lembranças dessa Universidade. Há poucos dias, estive com uma das minhas ex-alunas, atualmente muito bem sucedida na profissão.

Como a matéria que me foi solicitada é sobre “direitos”, nada mais oportuno do que conversarmos sobre os “direitos das minorias”, em particular dos homossexuais, assunto em pauta nesses dias, dado o número de atentados que eles têm sofrido.

Também nesta semana, foi divulgado pela mídia o “Manifesto Presbiteriano contra a Lei da Homofobia” e eu pretendo fazer alguns poucos comentários sobre ele.

Em primeiro lugar, a meu ver, o direito de o Chanceler da Instituição ser contra o projeto de lei PLC 122 é indiscutível. O que me chamou a atenção foram as razões que embasaram    a escolha dessa posição. Trabalho todos os dias, há mais de 15 anos, diretamente com jovens LGBTs, e o tema homossexualidade é assunto da minha pesquisa, tema de quatro dos meus livros e o assunto da minha tese de doutoramento, pela USP.    E é por ter essa experiência que tenho o que dizer sobre o assunto.

Com que conhecimento o signatário do manifesto, representando a universidade, afirma que a orientação afetivo-sexual das pessoas é um fazer racional de querer e poder, que parte de uma “escolha sexual” de um sujeito, entre outras “opções”? Eu gostaria de saber quando foi que o    Ilmo. Senhor Chanceler optou por ser heterossexual, já que ninguém escolhe a sua condição afetivo-sexual.

O que eu sei e atesto é sobre o alto número de suicídios de jovens homossexuais, apavorados com a discriminação que sofrem das pessoas “cristãs”, e a quantidade incrível de tentativas de suicídio que temos entre os integrantes do nosso projeto de jovens!

Em segundo lugar, se um homossexual é assassinado no Brasil a cada dois dias (dados do Grupo Gay da Bahia, publicados na Folha de São Paulo), essas pessoas têm de ter seus direitos e integridade física, defendidos. Porque a discriminação étnico-racial pode ser criminalizada e aquela contra as pessoas cuja orientação afetivo-sexual é diversa, não pode?

Em terceiro lugar, as “Escrituras Sagradas” – além de detalhes que nos parecem fruto de traduções realizadas de acordo com interesses pessoais, durante os séculos –, trazem as palavras de Cristo, nos dizendo que o mais importante dos mandamentos é: “Amar ao próximo, como eu vos amei”. Ele não diz: “Amai somente os que são maioria”.

Concluindo, as pesquisadoras do Instituto de Psicologia da LACRI-USP temem, e eu corroboro com isso, que, atualmente, o mais alto grau de “violência doméstica” contra jovens é a perpetrada contra os jovens homossexuais. Os homossexuais são discriminados em casa, nas escolas, nas faculdades, no trabalho, socialmente.

Eles não pediram para serem como são, como nenhum de nós pediu, e exigem respeito. Eles também têm direitos.

Edith Modesto
Presidente
GPH – Associação Bras. de Pais e Mães de Homossexuais
Projeto Purpurina – LGBTs de 13 a 24 anos
www.gph.org.br     – Tel: (11) 3031 2106

Esta nota de Repúdio a Manifestação da Igreja Presbiteriana assim como a da Universidade Presbiteriana Mackenzie, foi feita após a manifestação do Chanceler Presbiteriano, a qual é contra a Lei da Homofobia, sua opinião exposta foi tão vaga que foi criticado até mesmo por alunos da universidade, a qual vieram a se manifestar.

“A Rua Maria Antônia, que ficou conhecida por sediar confrontos do movimento estudantil durante o regime militar, voltou a ser palco de uma manifestação. Foi na esquina com a Rua Itambé que cerca de 500 pessoas, segundo a CET, protestaram, na última quarta, contra uma carta publicada na internet pelo chanceler do Mackenzie, Augustus Nicodemus, representante do Instituto Presbiteriano na universidade. O documento critica o projeto de lei que pretende criminalizar a homofobia. Ao citar o “Manifesto Presbiteriano contra a Lei da Homofobia”, produzido em 2007, Nicodemus afirma que o direito de livre expressão, garantido pela Constituição, será tolhido caso a norma seja aprovada.

Fernando Moraes

Estudantes de arquitetura Pedro Camargo e Leonardo Nones: 'Nós nos sentimos ofendidos'

Estudantes de arquitetura Pedro Camargo e Leonardo Nones: “Nós nos sentimos ofendidos”

O texto irritou alunos e ganhou as páginas das redes sociais. Estudantes marcaram data e horário do protesto pelo Facebook. Havia militantes do movimento gay, drag queens e alunos de outras universidades. Com carro de som, bandeiras com arco-íris e bexigas brancas, eles entoaram gritos como “Contra a homofobia, a luta é todo o dia” e discursaram por duas horas. “Nós repudiamos a imposição de valores religiosos dentro de um espaço universitário”, disse o estudante de arquitetura Leonardo Nones. “Tomamos essa atitude porque nos sentimos ofendidos.”

Fernando Moraes

Padre Arthur Cavalcante: discurso e aplausos

Padre Arthur Cavalcante: discurso e aplausos

O coordenador de políticas de diversidade sexual da Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo, Dimitri Sales, também esteve lá e discursou a favor da manifestação: “Não podemos nos intimidar”. Ao se apresentar ao microfone, o padre anglicano Arthur Cavalcante, da Paróquia de Santa Cecília, recebeu vaias. “Vim aqui para dizer que a religião não pode ser usada como um instrumento de repressão”, afirmou. Saiu sob aplausos. Depois da reunião em frente ao Mackenzie, algumas pessoas caminharam até a Avenida Paulista, onde três jovens foram agredidos no dia 14. No início do trajeto, dois manifestantes acabaram alvejados por ovos atirados de um condomínio residencial da Avenida Higienópolis.

Fernando Moraes

O advogado Dimitri Sales: 'Não podemos nos intimidar'

O advogado Dimitri Sales: “Não podemos nos intimidar”

Procurado por VEJA SÃO PAULO, o chanceler Nicodemus, que também exerce o cargo de pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, não quis comentar o assunto. Em nota oficial, o Mackenzie “reconhece o direito de manifestação pacífica”. Afirma ainda que “sempre prezou pelo respeito à diversidade e pelo direito de liberdade de consciência e de expressão religiosa”.”

http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2193/mackenzie-protesto-lei-da-homofobia

Sobre Edith Modesto
Edith Modesto – Professora universitária e pesquisadora, mestra e doutora em Semiótica francesa pela USP – Universidade de São Paulo;

– Especialista em diversidade sexual e questões de gênero, terapeuta e escritora de livros sobre essa especialidade;

– Escritora de vários livros de ficção juvenil.

1 Response to "Sobre o direito de condenar os homossexuais"

Que linda manifestação! Parabéns!

Super obrigado por colocar meu video sobre a Falácias da Reversão Sexual aqui. Cada vez mais precisamos denunciar essas ideias e práticas mentirosas. Obrigado mais uma vez.

Um abraço,
Sergio Viula
http://www.foradoarmario.net

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O Autor

Ativista dos Direitos Humanos (Principalmente LGBTs ); Teólogo;Homeopata; Psicanalista, especialista em Sexualidade Humana, Filosofia, Sociologia;Blogueiro.

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